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Atualizado às: 10 de maio, 2007 - 09h44 GMT (06h44 Brasília)
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Blair foi um dos premiês mais populares na Grã-Bretanha
Tony Blair
Popularidade de Blair começou a ruir após guerra contra o Iraque
Tony Blair foi um dos primeiros-ministros britânicos mais populares no país.

Entre 1994 e 2002, o premiê gozava de uma popularidade nunca antes registrada por seus antecessores.

Popularidade que começou a ruir, contudo, após a guerra no Iraque – conflito que estará sempre associado ao seu nome.

Blair foi eleito líder do Partido Trabalhista em 21 de julho de 1994 e, desde 1º de maio de 1997, ocupa o cargo de primeiro-ministro da Grã-Bretanha – o trabalhista a ficar mais tempo no poder.

Jovem, educado (formado em Direito pela Universidade de Oxford, onde tinha uma banda de rock), entusiasmado e conhecido pela excelente oratória, Blair ajudou a renovar o partido.

Arquiteto da chamada Terceira Via, sua missão de tornar o Partido Trabalhista mais elegível foi um sucesso: foram três mandatos consecutivos com duas vitórias avassaladoras em 1997 e 2001 e uma maioria saudável em 2005.

Mas três projetos políticos que defendeu ao longo dos três mandatos não foram finalizados: a reconfiguração da centro-esquerda britânica, a entrada da Grã-Bretanha na Zona do Euro e o estabelecimento do processo de representação proporcional, em que o número de cadeiras no Parlamento dado a um partido político reflete o número de votos em todo o país.

Economia

Sob seu governo, a economia do país cresceu constantemente, registrando baixos níveis de inflação, taxas de juros e desemprego – legado, no entanto, do seu ministro da Economia, Gordon Brown, que sempre fez questão de manter sua independência na pasta.

Robert Peston, biógrafo de Brown, conta que o orçamento da União só era enviado ao gabinete de Blair horas antes de ser divulgado no Parlamento.

Em relação aos serviços públicos na Grã-Bretanha, embora tenha ocorrido um certo progresso em alguns setores, Blair deixa um legado de frustração, em especial na área de saúde.

O premiê deixará para trás serviços públicos com altos níveis de investimento para padrões internacionais, mas sem um alto nível de serviço. Um problema para o seu sucessor.

Seu esforço para a conclusão do processo de paz na Irlanda do Norte, firmado no Acordo de Sexta-Feira Santa, de 1998, deverá ser lembrado como uma de suas conquistas.

Guerras

Ao contrário da maioria de seus antecessores, Blair se expôs amplamente – talvez seguro pela habilidade de discursar em público, seja de improviso.

Foram inúmeros debates, às vezes cercado por adolescentes, coletivas de imprensa mensais, participações em diversos programas de televisão e rádio, noticiosos ou até mesmo comédias, além de horas de perguntas e respostas no Parlamento.

Tony Blair com a família
Blair, em 1997, ao assumir o cargo de primeiro-ministro

Durante os dez anos em que esteve no poder, Blair envolveu as forças britânicas em cinco conflitos: Iraque (1998), Kosovo (1999, foi recebido como herói ao visitar um campo de refugiados), Serra Leoa (1999), Afeganistão (2001) e Iraque (2003).

O último conflito, envolvendo 46 mil soldados britânicos, foi o mais contestado. Em discurso no Parlamento, justificando a invasão, o primeiro-ministro disse que o Iraque poderia usar armas de destruição em massa em 45 minutos. Informação de inteligência que acabou não sendo comprovada, levando a um inquérito.

Durante a investigação, Blair afirmou que a principal alegação contra ele – de que teria se envolvido em uma manobra para persuadir membros dos serviços de inteligência a exagerar o conteúdo do dossiê sobre armas do Iraque – era "completamente absurda".

Embora a morte de 130 soldados britânicos e o custo de 6,5 bilhões de libras (dados de janeiro de 2007) possam ser considerados modestos por historiadores no futuro, o impacto na política britânica foi significativo.

A rebelião de 139 parlamentares trabalhistas, em 18 de março de 2003, contra o conflito foi histórica.

A aliança com o presidente americano George W. Bush certamente abalou a popularidade de Blair e do Partido Trabalhista.

Na sociedade britânica, jovens muçulmanos demonstraram-se cada vez mais desiludidos e há um receio de uma certa fragmentação e um descrédito na classe política em geral.

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