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Muitos muçulmanos 'concordam com metas da Al-Qaeda', diz pesquisa

Atentado de 11 de setembro de 2001
No Paquistão, 3% acreditam que Al-Qaeda agiu no 11 de setembro
Uma pesquisa americana realizada em quatro países de maioria muçulmana revela que a maioria dos entrevistados concorda com muitos dos objetivos da Al-Qaeda e apóia ataques contra soldados americanos.

O estudo, realizado pela organização não-governamental World Public Opinion em parceria com a Universidade de Maryland, ouviu cerca de 4,5 mil moradores no Marrocos, Egito, Paquistão e na Indonésia entre dezembro de 2006 e fevereiro de 2007.

"A maioria dos entrevistados têm sentimentos mistos sobre a Al-Qaeda. Grandes maiorias concordam com muitos de seus objetivos, mas acreditam que ataques terroristas contra civis vão contra o Islã", afirma um comunicado da ONG.

Em média, apenas um em cada três entrevistados tem uma visão positiva do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden e existe uma grande oposição a "grupos que usam violência contra civis".

11 de setembro

Por outro lado, existe uma grande incerteza se a autoria de ataques do gênero é realmente da Al-Qaeda. Menos de 25% dos entrevistados acreditam que a organização de Bin Laden tenha sido responsável pelos ataques de 11 de setembro – no Paquistão, apenas 3% culpam a Al-Qaeda pela tragédia em 2001.

Um dos pontos destacados pelo estudo é que grandes maiorias concordam com os principais objetivos da Al-Qaeda. Uma média de 70% nos quatro países apóia metas como "enfrentar os americanos e afirmar a dignidade do povo islâmico" e "pressionar os Estados Unidos a não favorecer Israel".

Números
Um em cada três tem visão positiva de Bin Laden
Menos de 25% acreditam que Al-Qaeda foi responsável pelo 11 de setembro
Foram ouvidas 4,5 mil pessoas no Marrocos, Egito, Paquistão e Indonésia
Metade é favorável a ataques a soldados americanos
82% acham que culto a qualquer religião deveria ser livre
Fonte: World Public Opinion

"Enquanto líderes americanos retratam o conflito como uma guerra contra o terrorismo, o mundo islâmico nitidamente vê os Estados Unidos como estando em guerra com o Islã", afirmou o editor da ONG, Steven Kull.

Cerca de 79% das pessoas dizem acreditar que o país quer "enfraquecer e dividir o mundo islâmico" e "controlar os recursos de petróleo do Oriente Médio".

Religião

Por isso, 74% dos entrevistados afirmaram apoiar a retirada das bases e forças militares americanas de todos os países islâmicos.

Mais do que isso, cerca de metade das pessoas que participaram do estudo nos quatro países é favorável a ataques a soldados americanos no Iraque, Afeganistão e no Golfo Pérsico.

O apoio neste item foi maior no Egito, um dos principais aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio: oito em cada dez pessoas aprovam ataques contra soldados americanos.

Uma média de 64% dos entrevistados também acredita que os Estados Unidos também querem "disseminar o Cristianismo na região", por isso, muitos querem expandir o papel do Islã em suas sociedades.

Três em cada quatro pessoas concordam que "países islâmicos têm de impor uma aplicação rigorosa da sharia (lei islâmica)" e que "valores ocidentais têm de ser excluídos de países islâmicos".

No entanto, isto não quer dizer que a população islâmica queira se isolar do Ocidente, já que em média 75% disseram que "o fato de o mundo ficar mais ligado por meio de mais relações econômicas e comunicação mais veloz" é bom.

Além disso, cerca de dois terços dos entrevistados concordam que "um sistema político democrático" é uma boa forma de governar seu país e 82% acham que as pessoas de qualquer religião deveriam ser livres para cultuar seguindo suas próprias crenças.

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