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Brasil liberalizou como asiáticos, mas perde em crescimento | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Dez anos após a crise financeira da Ásia, o Brasil não obteve crescimento econômico expressivo, apesar de ter seguido o mesmo receituário de abertura econômica pregado pelo Consenso de Washington que conduziu os países asiáticos afetados pela crise a um crescimento médio de mais de 8% no ano passado. Um relatório do Banco Mundial divulgado nesta quinta-feira conclui que os países do leste Asiático não apenas se recuperaram da crise de 1997, como desfrutam hoje de maior prosperidade após adotar medidas pragmáticas como o acúmulo de reservas e a maior regulamentação do sistema financeiro. “A razão fundamental é que os países asiáticos, ao contrario da América Latina, não entraram desapercebidos na perspectiva do Consenso de Washington. Eles entenderam que ser sócio da globalização tem vantagens, mas também tem conseqüências graves”, disse à BBC Brasil Gilberto Dupas, Coordenador-Geral do Grupo de Conjuntura Internacional da Universidade Federal do Estado de São Paulo. Dupas acredita que faltou ao Brasil ter uma plano de longo prazo. “A vantagem da globalização pressupõe a visão de um projeto de país, de um projeto de crescimento, de desenvolvimento”, avalia. Segundo Dupas o sucesso da Ásia se deve a um estudo cuidadoso das possibilidades de inserção global, ao mesmo tempo em que o engano latino-americano foi justamente ter embarcado na liberalização incondicionalmente, sem estar preparada para a competição. Problemas estruturais O professor Jiang Shixue especialista em América Latina da Academia Chinesa de Ciências Sociais, e tradutor para o Chinês de livros do brasilianista Thomas Skidmore, entende que o baixo crescimento econômico é resultado de problemas estruturais do Brasil, que não receberam a atenção devida. Jiang Shixue lista a dependência de capital externo, a injustiça social, políticas macro-econômicas instáveis e pouco investimento em educação como razões para a fraca performance econômica. O sucesso da Ásia, segundo Jiang Shixue, se deve entre outros a “muita poupança, fluxo de investimento estrangeiro, inovação, estabilidade política e distribuição de renda”. Falta de ousadia O professor de economia internacional no curso de relações exteriores da Universidade de Brasília Mário Ferreira Presser credita o crescimento fraco à falta de ousadia na política econômica brasileira. “Enquanto outros países trataram de garantir a sua competitividade através de uma taxa de câmbio favorável às exportações, o Brasil surpreendentemente adotou uma política de valorização da moeda para conter a inflação”, avalia Presser. Presser defende que o Brasil deveria ter seguido o exemplo dos paises asiáticos e promovido o desenvolvimento do mercado interno incentivando a produção. “Conter a inflação com juros altos é uma coisa extremamente conservadora do ponto de vista econômico e nós pagamos com o preço do crescimento”, diz o acadêmico. As políticas neo-mercantilistas da China se mostraram eficientes e poderiam ter servido de modelo ao Brasil, segundo Presser. “O Brasil tem um desempenho pífio porque as novas políticas macro-econômicas que obtiveram sucesso pós-crise asiática não foram copiadas aqui”, conclui. |
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