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Atualizado às: 14 de março, 2007 - 22h45 GMT (19h45 Brasília)
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Brasil deve evitar obsessão com crescimento, diz criador de BRIC

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Para economista, câmbio valorizado não é problema para exportações
O Brasil não precisa ficar "obcecado" em crescer a taxas mais elevadas do que as atuais, disse nesta quarta-feira, em São Paulo, o economista do Goldman Sachs Jim O'Neill.

Chefe de pesquisa econômica global do banco, O'Neill é autor do estudo que projeta que Brasil, Rússia, Índia e China - reunidos na sigla BRIC - ocupem posições de liderança na economia mundial até 2050.

"O ponto-chave que muitas pessoas no Brasil não parecem entender é que o Brasil precisa apenas crescer 3,5% ao ano para justificar a sua presença no grupo dos BRIC", afirmou o economista, em entrevista a repórteres num hotel da zona sul da capital paulista.

Jim O'Neill, que criou o termo em 2001, respondia a novos questionamentos se, mesmo crescendo a um ritmo muito menor do que Rússia, Índia e China, o Brasil merece continuar figurando no quarteto.

De acordo com as pesquisas do Goldman Sachs, juntas, as economias dos BRIC superariam as dos sete países mais ricos do mundo em 2050. O Brasil chegaria lá na 5ª ou 6ª posição.

Metas de inflação

Segundo Jim O'Neill, em vez de colocar o foco numa expansão do PIB de 5% - o que seria "fabuloso", admitiu - o país deveria se concentrar no combate à inflação por meio de metas, que, se cumpridas, acarretariam queda de juros, melhor ambiente para investimentos e, como conseqüência, crescimento.

"O Brasil deve pensar mais em metas de inflação do que ficar obcecado com taxas de crescimento", disse O'Neill.

"Se você me garantir que o Brasil vai manter a inflação em 4,5%, eu aposto que o país terá investimentos maravilhosos."

O chefe de pesquisas do Goldman Sachs também pareceu descartar a discussão sobre o impacto do real valorizado nas exportações brasileiras.

"O câmbio é importante para a competitividade, mas se você quer ser bom no comércio internacional, tem de achar produtos que não são excessivamente dependentes das taxas de câmbio", disse o economista, sem falar diretamente sobre o Brasil.

Jim O'Neill citou o caso da Alemanha, país que, segundo ele, não só sabe exportar "o que o mundo quer", como consegue liderar até em setores dependentes da taxa de câmbio.

Para o economista, o etanol poderá ser para o Brasil um desses produtos com valor agregado e menos dependentes do câmbio que poderão impulsionar as exportações do país.

Segundo ele, o biocombustível pode representar uma "grande vantagem" para o Brasil, à medida que o debate sobre o aquecimento global ganha importância entre lideranças políticas.

Quando indagado sobre quais outras indústrias poderiam contribuir para a diversificação da pauta de exportação do Brasil de forma a tornar o país menos dependente de commodities, O'Neill disse que a pergunta não era "respondível". Mas acrescentou: "Todo país enfrenta a mesma questão. Você não pode depender (apenas) de determinadas indústrias".

Em relação às quedas registradas nas bolsas mundiais, O'Neill mostrou-se pouco preocupado com uma crise de grandes proporções. Ele observou que o mercado imobiliário americano - pivô das perdas dos últimos dias - deve ser acompanhado com atenção, mas acredita que as correções já estejam sendo feitas gradualmente.

O'Neill lembrou que, numa inversão de papéis que "colocou o mundo de ponta-cabeça", são economias como a China que estão financiando o déficit americano.

Além disso, observou, as economias emergentes, incluindo o Brasil, estão muito mais preparadas para lidar com uma eventual crise.

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