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Lula se impôs sobre militares em negociação aérea, diz 'El País' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu "se impôr sobre os militares" ao negociar com os controladores de vôo para encerrar a greve no setor aéreo, diz matéria na edição desta segunda-feira do jornal espanhol El País. Como outros jornais estrangeiros, o diário destacou a decisão de Lula, que tem as prerrogativas de líder máximo das Forças Armadas, de desmilitarizar o controle dos vôos no país. "Lula quis se impôr sobre as autoridades militares da Força Aérea sabendo que seu veto seria criticado e obedecido a contragosto, para evitar que o país entrasse em um caos maior, e que se generalizasse na sociedade o mal-estar dos passageiros nos aeroportos", escreve o correspondente do jornal no Rio de Janeiro. A matéria sublinha que os controladores de vôo também saíram ganhando na barganha, porque serão transferidos para a esfera civil, e que os militares "obedeceram às ordens do presidente Lula, mas quiseram fazer constar" sua preferência pela opção de encarcerar os controladores em greve. Ecos de 1964 O argentino Clarín destacou em sua reportagem sobre o tema que oficiais "fortemente contrariados" saíram à imprensa brasileira comparando o conflito atual com os momentos que precederam o golpe de Estado de 1964. Mas o jornal lembrou que Lula é "comandante supremo das Forças Armadas". Em uma entrevista separada para o jornal, o professor Eurico de Lima Figueiredo, "um dos mais reconhecidos especialistas brasileiros em temas militares", diz que "não existe a mínima condição" de haver insubordinação como em 1964. O jornal afirmou que no Brasil, como na Argentina – onde há poucas semanas o presidente Kirchner transferiu para os civis a responsabilidade de controlar os vôos – o modelo centralizado nos militares "está esgotado". Crise O argentino La Nación afirmou que Lula, por outro lado, aceitou cancelar todas as transferências de operadores para outras cidades feitas nos últimos seis meses, "uma maneira de retaliar os grevistas". A matéria afirma que a greve dos controladores foi "o ponto culminante da grave crise da aviação" que o Brasil sofre desde o acidente envolvendo um avião da Gol e um jato de pequeno porte da Legacy, em setembro do ano passado. Todas as matérias observam que a decisão de Lula torna mais próximo o fim do conflito, e que a situação nos 67 aeroportos brasileiros já se normaliza. |
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