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Atualizado às: 20 de março, 2007 - 18h18 GMT (15h18 Brasília)
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ONU alerta para negligência com refugiados

Mulher iraquiana e criança partem do Iraque para a Síria no último domingo
Síria abriga o maior número de refugiados iraquianos
Após a queda do regime de Saddam Hussein, a agência de refugiados da ONU esperava que centenas de milhares de iraquianos voltassem ao país natal e foi o que aconteceu nos primeiros dois anos de ocupação americana, durante os quais cerca de 300 mil retornaram ao Iraque. Porém, eles pararam de voltar e há um ano muitos estão tomando a direção oposta.

De acordo com a ONU, cerca de 2 milhões de refugiados atualmente vivem em países vizinhos ao Iraque, principalmente na Síria e na Jordânia, onde se estima que existam, respectivamente, cerca de 1,2 milhão e 800 mil refugiados.

Além disso, o porta-voz da agência da ONU Ron Redmond ressalta que "não se pode esquecer dos cerca de 1,9 milhão de iraquianos que permanecem desalojados dentro de seu país, alguns deles em condições crescentemente desesperadoras".

De acordo com ele, apenas no último ano cerca de 730 mil iraquianos deixaram suas casas por causa da violência sectária entre xiitas e sunitas, que se intensificou após a explosão da mesquita xiita em Samarra, em fevereiro de 2006.

"Eles e mais milhões de iraquianos enfrentam uma situação muito dura. A agência estima que mais de 15 milhões de iraquianos estão vulneráveis – incluindo refugiados, desalojados, pessoas enfrentando insegurança alimentar, viúvas e portadores de deficiência. Conseguir ajuda e segurança em países vizinhos está se tornando cada vez mais difícil", afirma Redmond.

Vistos

Um exemplo disto é a Jordânia, onde o governo anunciou no início do mês que vai exigir vistos emitidos na embaixada em Bagdá de iraquianos que quiserem entrar no país, que já abriga o segundo maior número de refugiados vindos do Iraque.

Segundo autoridades jordanianas, a capital, Amã, registrou um aumento de 30% em sua população por causa dos asilados iraquianos, o que resultou em aumento do preço de aluguéis e comida e sobrecarregou os serviços de saúde e educação da cidade.

"Este é o maior movimento de refugiados no Oriente Médio desde a crise palestina (em 1948, quando milhões de palestinos foram obrigados a deixar suas terras após o estabelecimento do Estado de Israel) e é um problema que a comunidade internacional vem negligenciando", diz o alto comissário da ONU para refugiados, Antonio Guterres.

A Síria, país que conta hoje com o maior número de refugiados iraquianos, vive uma situação de inchaço populacional parecida com a da Jordânia. Porém, o país voltou atrás nas medidas que tinha adotado no início do ano que restringiam a entrada de mais pessoas.

"Pedimos uma grande mobilização por apoio da comunidade internacional para países como a Síria e a Jordânia, que estão carregando um fardo pesado", afirmou Guterres.

"Com o fluxo atual de 40 mil a 50 mil por mês, até 2,3 milhões (de iraquianos) podem ser desalojados até o final do ano."

Na semana passada, a Síria pediu um "diálogo inclusivo" com os Estados Unidos durante a visita de uma importante autoridade do Departamento de Estado americano a Damasco, com quem o governo americano cortou relações diplomáticas há dois anos.

A agência de refugiados da ONU diz precisar de pelo menos US$ 60 milhões para cuidar do problema dos refugiados – até agora foi arrecadado pouco mais da metade deste montante.

"Este desalojamento, em meio à violência contínua no Iraque, representa um desafio humanitário enorme e uma situação extremamente dura tanto para os refugiados como para as famílias que tentam ajudá-los em comunidades que os abrigam", diz um comunicado da agência de refugiados da ONU.

"A escala enorme de necessidades, a violência e as dificuldades em chegar aos refugiados tornam o problema praticamente impossível de ser resolvido pelas agências humanitárias", acrescenta a nota.

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