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Atualizado às: 19 de março, 2007 - 17h31 GMT (14h31 Brasília)
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Para 50% dos iraquianos, invasão piorou o país
Pesquisador conversa com iraquiano
Iraquianos estão menos otimistas em relação ao futuro
Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira revelou que 50% dos iraquianos acreditam que a situação do país está pior hoje do que em 2003, antes da invasão liderada pelos Estados Unidos que derrubou o regime de Saddam Hussein.

Para 38% das pessoas, as suas vidas melhoraram em comparação com o período anterior à invasão. Em 2005, 39% acreditavam que a situação do país havia piorado, enquanto 46% acreditavam que o país tinha melhorado.

O levantamento, encomendado pela BBC, a rede americana de televisão ABC News, o canal alemão ARD e o jornal americano USA Today, foi realizado pela D3 Systems com mais de duas mil pessoas em mais de 450 bairros e regiões nas 18 províncias do Iraque, entre 25 de fevereiro e cinco de março de 2007. A margem de erro é de 2,5%.

No fim do quarto ano da invasão dos Estados Unidos e seus aliados no Iraque, a população iraquiana se mostra cada vez mais desiludida com o resultado da ação e perde as esperanças em relação ao futuro do país, de acordo com a pesquisa.

Pessimismo

Os resultados diferem muito dos obtidos na pesquisa anterior, conduzida em novembro de 2005, quando estavam sendo realizadas eleições no país e o otimismo tinha crescido em relação ao primeiro levantamento, de fevereiro de 2004.

Em 2005, 71% dos iraquianos consideravam que suas vidas estavam indo bem. Neste ano o número caiu para 39%.

Iraque segundo os iraquianos
Para 50%, situação do país piorou
36%dizem que suas vidas pioraram desde 2003
53% reprovam atuação do governo do Iraque
Segundo 59%, os EUA controlam o país
53% acreditam que execução de Saddam dificultou reconciliação
Para 51%, ataques contra tropas são aceitáveis

O otimismo em relação ao futuro também diminuiu: na pesquisa anterior, 64% dos entrevistados acreditavam em uma vida melhor dentro de um ano, enquanto que na mais recente apenas 35% pensam desta forma.

A qualidade de vida dos iraquianos tem grande influência no atual pessimismo verificado na pesquisa.

A grande maioria dos entrevistados avaliou como “ruim” ou “muito ruim” os seguintes aspectos do dia-a-dia: oferta de emprego (79%), disponibilidade de eletricidade (88%), de água limpa (69%) e de combustível para cozinhar ou dirigir (88%).

Violência

A falta de segurança continua sendo uma das grandes preocupações para os participantes da pesquisa, cuja confiança nas autoridades do país diminuiu um pouco, porém ainda continua sendo muito maior do que a depositada nas forças de ocupação lideradas pelos Estados Unidos.

Cerca de 18% dos iraquianos dizem ter confiança nas tropas estrangeiras, enquanto que 61% confiam no Exército iraquiano e 64% na polícia do país.

Além disso, 51% consideram aceitáveis ataques contra as forças de coalizão (comparado com 17% em 2004), enquanto que 88% julgam ataques contra as forças iraquianas inaceitáveis.

Na opinião do diretor do Centro de Pesquisas do Golfo, Mustafa Alani, que é iraquiano e vive em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, é justamente o processo político que precisa de profundas mudanças para os problemas do Iraque serem resolvidos também na área da segurança.

“Nos últimos quatro anos, o processo político foi um grande fracasso, porque tentou cuidar do problema apenas com medidas de segurança. A raiz do problema foi introduzida pelos americanos, por meio do processo político realizado no Iraque, por causa da Constituição adotada e dos acordos realizados entre os que estão governando o país.”

Segundo o cientista político, os grupos que lutam contra a atual situação nunca vão estar satisfeitos se não houver uma grande mudança na estrutura do Estado e alterações na Constituição, “que atualmente é uma grande reivindicação”.

“O processo político tem de andar lado a lado com o processo de segurança. Se os americanos realmente querem estabilizar o país, eles têm de tomar uma iniciativa por reformas políticas”, explica Alani.

“Eles vão enfrentar uma grande resistência do grupo que atualmente governa o país, mas eu acredito que sem isso nenhum plano de segurança pode ser bem-sucedido. Pode funcionar durante alguns meses, mas não em um longo prazo.”

Os iraquianos entrevistados também não expressam muita confiança na eficácia do plano americano de aumentar o número de soldados na capital iraquiana Bagdá e em Anbar: 29% acreditam que a segurança vá melhorar com a medida e 49% apostam em uma piora da situação.

A maioria (69%) também acredita que a presença das forças americanas no Iraque está piorando a situação de segurança no país, e o coro a favor da saída imediata das tropas estrangeiras aumentou em relação a 2005: 35%, comparado com 26% há pouco mais de um ano.

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Iraquianos estão mais pessimistas.
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