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Atualizado às: 28 de fevereiro, 2007 - 03h51 GMT (00h51 Brasília)
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Bush quer ação para retomar Doha 'agora', diz Patriota

Antônio Patriota
Patriota diz que país não é antiamericano, mas sim 'pró-Brasil'
O novo embaixador do Brasil em Washington, Antônio Patriota, disse que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, quer que a ação para retomar a Rodada de Doha de negociações comerciais internacionais aconteça ''agora''.

Patriota, que chegou a Washington no último dia 21, conversou com o líder americano na Casa Branca nesta sexta-feira, durante a formalidade de entrega das cópias das cartas que o credenciam como representante do governo brasileiro nos Estados Unidos.

Durante a conversa, o embaixador falou com Bush sobre os esforços que Brasil e Estados Unidos devem fazer para reviver Doha.

"Eu mencionei que o ano de 2007 será um ano crítico (para retomar Doha)'', afirmou o embaixador.

Ao que Bush retrucou: ''O ano de 2007 não. O momento é agora. Os Estados Unidos estão extremamente engajados e queremos trabalhar agora mesmo para a produção de resultados dentro do mais breve prazo''.

''Devo dizer que fiquei muito satisfeito em ouvir do presidente Bush essa manifestação de empenho'', disse o representante brasileiro.

A Rodada de Doha, segundo Patriota, será um dos temas dos encontros que Bush e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terão no mês que vem.

O líder americano se encontrará com Lula em São Paulo, no dia 8 de março. E Lula irá retribuir a visita no dia 31 de março, quando será recebido por Bush em Camp David, a casa de campo em Maryland, nos arredores de Washington, onde os presidentes americanos relaxam e mantêm encontros com dignatários internacionais em tom mais informal.

Relações íntimas

''Hoje li na imprensa que o ministro (das Relações Exteriores) Celso Amorim caracterizou as relações Brasil-Estados Unidos como íntimas. De modo que é muito apropriado que haja esse encontro numa casa de campo, num contexto mais reservado'', afirmou Patriota.

O embaixador acrescentou ainda que o local da reunião ''simboliza bem o estado das relações'' entre Estados Unidos e Brasil, ''que é de de uma interlocução muito fluida, amistosa e de uma convergência muito grande em temas de importância estratégica para os dois países''.

Entre os temas em que Patriota identifica uma ''especial convergência'' estão a área de biocombustíveis. ''Alguns assuntos não deixarão de figurar (nas conversas). Etanol é um deles'', afirmou.

Relação com EUA
 Com os Estados Unidos, tradicionalmente, a relação é intensa. O que não quer dizer que haja coincidência automática em todos aspectos da agenda internacional.
Antônio Patriota

De acordo com o representante brasileiro, em relação ao combustível, ''os dois líderes debaterão a cooperação bilateral, a cooperação trilateral, com a possibilidade de uma parceria em terceiros países, possivelmente uma nação do Caribe ou da América Central, e a cooperação através de um fórum de biocombustíveis que está sendo criado nos próximos dias, com Estados Unidos, China, União Européia, Índia e África do Sul''.

Como já havia dito anteriormente, Patriota contou que o fórum internacional sobre etanol tem o objetivo de criar um padrão para o combustível, a fim de transformá-lo em uma commodity, o que representaria o passo inicial para que seja negociado em bolsas de mercadorias, como a soja ou o petróleo.

Pró-Brasil

Patriota comentou por alto as declarações feitas por seu antecessor, Roberto Abdenur, em uma recente entrevista à revista Veja, e reiteradas nesta sexta-feira durante uma audiência no Senado, em Brasília. O ex-embaixador disse que a política externa do Brasil tem sido marcada por um tom antiamericano.

O novo embaixador disse que, como ele e o ministro Amorim já comentaram, não existe uma tendência antiamericana, mas sim ''um sentimento pró-Brasil na chancelaria brasileira, como há um sentimento pró-Estados Unidos no Departamento de Estado''.

Ele acrescentou que ''o Brasil se encontra numa posição privilegiada'', por ser um país que ''tem um diálogo ecumênico com todas as nações do mundo e um número muito grande de parceiros''.

De acordo com Patriota, ''com os Estados Unidos, tradicionalmente, a relação é intensa. O que não quer dizer que haja coincidência automática em todos aspectos da agenda internacional''.

Um dos temas em que segue não havendo coincidência de ideais entre americanos e brasileiros é em relação à pretensão do Brasil de obter uma cadeira de membro permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Vaga na ONU
 Os Estados Unidos sempre defenderam uma posição singular dentro das Nações Unidas e que encontra muito pouco eco, que é a de uma ampliação mais limitada, para talvez 20 ou 21 membros. Esse é um dos problemas do debate muito complexo sobre a ampliação do conselho.
Antônio Patriota

O embaixador contou que teve a oportunidade de conversar sobre o tema durante a visita ao Brasil do subsecretário para Assuntos Políticos do Departamento de Estado americano, Nicholas Burns.

''Há um interesse e uma disposição de aprofundar o diálogo com o Brasil sobre esse tema.''

Patriota afirmou que Burns reiterou a posição oficial americana, que é a de dar apoio oficial apenas à vaga pleiteada pelo Japão. ''Mas ele reconheceu a necessidade de introduzir um grau maior de representatividade e reconheceu a necessidade de incorporar países em desenvolvimento.''

Mas o embaixador comentou que, enquanto a maior parte dos países debate uma expansão do Conselho de Segurança da ONU que ampliaria o número atual de 15 integrantes para 24, os americanos seguem uma posição distinta.

''Os Estados Unidos sempre defenderam uma posição singular dentro das Nações Unidas e que encontra muito pouco eco, que é a de uma ampliação mais limitada, para talvez 20 ou 21 membros.''

Segundo Patriota, ''esse é um dos problemas do debate muito complexo sobre a ampliação do conselho''.

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