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Etanol vai prejudicar indústria brasileira, diz economista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O economista Luis Carlos Mendonça de Barros destoa do coro dos que acham que o etanol será a salvação do Brasil nos próximos anos, com a utilização cada vez maior de combustíveis renováveis de origem agrícola nos países desenvolvidos. Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações e presidente do BNDES no governo Fernando Henrique Cardoso, diz que o crescimento do uso do etanol, e a consolidação do Brasil como um grande exportador mundial do combustível, vão levar o país a um processo de desindustrialização, com a enxurrada de dólares mantendo o real sobrevalorizado e a indústria brasileira menos competitiva. “O certo era usar esses ganhos para incentivar a indústria e reduzir os impostos, mas a visão eufórica é usar este dinheiro no Bolsa Família”, disse Mendonça de Barros à BBC Brasil. “Não estou dizendo que tem que acabar com isso. É obvio que isso é uma vantagem a aproveitar. O problema é que não se pode ficar eufórico e esquecer que isso também exige uma série de outras atitudes”, afirmou. Valorização do câmbio O Brasil é hoje o segundo maior produtor mundial do etanol, depois de ter sido ultrapassado pelos Estados Unidos no ano passado, que produz o combustível a partir do milho. O país, diz Mendonça de Barros, ainda tem 100 milhões de hectares de terra que podem ser ocupadas por plantações de cana ou outros insumos de etanol. “O Brasil é o país de agricultura mais avançada que tem a maior área de terra ainda para ser ocupada. Por isso é que isso preocupa: porque isso vai se transformar em exportação, mais dólares, valorização do câmbio e aumentar ainda mais a pressão que a indústria hoje está sofrendo”, afirmou. Os problemas da indústria, disse ele, não surgiram agora e estão relacionados aos custos de infra-estrutura e à elevada carga tributária e ao aumento da competição internacional, principalmente da China, mas podem se agravar se as exportações mantiverem a moeda brasileira valorizada, facitando importações industriais. “O agronegócio é competitivo o suficiente para compensar os problemas de infra-estrutura, já na indústria a pressão é maior”, afirmou. “País de moeda forte tem inflação baixa, tem uma série de vantagens. Só que perde um pedaço do seu sistema produtivo”, disse o economista. "Doença brasileira" Mendonça de Barros cunhou o termo “doença brasileira” para expressar o que acredita que pode acontecer no país se o etanol continuar crescendo no ritmo atual, numa alusão à “doença holandesa”, termo da literatura econômica referente ao que aconteceu com a Holanda nos anos 70, quando as exportações de gás passaram a representar uma receita importante para o país - as exportações causaram uma enxurrada de dólares e valorizaram a moeda local, o que estimulou importações e acabou prejudicando a competitividade da indústria. Ele disse que o impacto das exportações agrícolas na manutenção do real forte já começou nos últimos anos, mas pode se prolongar nos próximos, com efeitos para o emprego urbano. “Vai causar uma mudança na geografia do emprego. O emprego industrial, urbano, vai ser muito atingido por isso. E a não ser que as pessoas resolvam voltar pra roça, carpir cana, vai ter um problema sério”, afirmou. |
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