BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 17 de janeiro, 2007 - 19h16 GMT (17h16 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Análise: Apoio árabe à nova estratégia de Bush é ambivalente

Condoleezza Rice
Baixa expectativa em relação a viagem de Rice vem se confirmando
O presidente americano, George W. Bush, despachou nesta semana para o exterior seus principais assessores com uma missão das mais ingratas. Conseguir apoio à "nova estratégia" americana para conter a violência no Iraque, baseada no reforço de tropas dos Estados Unidos no país e também das pressões sobre o Irã, acusado de apoiar grupos xiitas.

A secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, fez um giro pelo Oriente Médio e Europa, assim como o secretário de Defesa Robert Gates (que também foi ao Afeganistão). As baixas expectativas sobre a missão se confirmaram, em meio à insistência da mensagem dos emissários de Bush de que o custo do fracasso americano será não apenas um banho de sangue ainda mais medonho no Iraque, mas um Irã mais forte e agressivo.

Há um consenso entre lideranças sunitas no mundo árabe sobre o custo exorbitante de uma retirada abrupta dos americanos do Iraque. Portanto, foi conferido um apoio ambivalente à nova estratégia de Bush. As apreensões sobre a ascensão iraniana são patentes, mas também à idéia de se alinhar abertamente com os EUA (e, por extensão, Israel) em um bloco antixiita nos moldes da Guerra Fria.

O cenário de uma ampla correlação de forças sectárias no Oriente Médio também gera apreensões em Washington. Nesta medida, Condoleezza Rice prefere traçar um quadro de crescentes divisões entre extremistas e moderados na região. Os radicais liderados pelo Irã incluiriam ainda a Síria, e os grupos Hezbollah (Líbano) e Hamas (Palestina).

Os rótulos dentro do Iraque são tortuosos. Afinal, os americanos esperam mais apoio dos seus aliados regionais ao precário governo liderado pelo primeiro-ministro xiita, Nouri Maliki, mas estes aliados desconfiam do dirigente iraquiano e pagam para ver se as milícias xiitas no país serão confrontadas e não apenas os insurgentes sunitas.

'Lideranças responsáveis'

Em uma concessão às lideranças tradicionais do Oriente Médio, os americanos deixaram de fazer sermão sobre a necessidade de reformas democráticas, na medida em que hoje em dia é vital rotular autocratas de países como Arábia Saudita e Egito como moderados.

Na expressão de Condoleezza Rice, são "lideranças responsáveis", embora sejam as mesmas que até recentemente eram acusadas de proporcionar o ambiente repressivo que abriu espaço para a ascensão do extremismo da rede Al Qaeda.

Na análise de Anatol Lieven, do centro de estudos New America Foundation, em Washington, a nova estratégia americana é uma reversão aos velhos tempos pré-atentados de 11 de setembro, em que os regimes autocratas eram sinônimo de estabilidade regional.

Outra velha novidade é a disposição americana de se engajar no conflito israelo-palestino, como parte dos esforços para costurar esta aliança contra os extremistas liderados pelo Irã. No raciocínio de Washington, um mundo árabe inclinado a fazer as pazes com Israel terá condições de devotar sua atenção à missão de contenção do Irã, visto pelos americanos como a maior ameaça regional, em particular com suas ambições nucleares e de hegemonia no Oriente Médio.

Para fortalecer parceiros palestinos como o presidente Mahmoud Abbas (e buscar neutralizar o Hamas), os americanos decidiram até fazer uma infusão de dinheiro (US$ 86 milhões) às forças de segurança leais ao dirigente, que até recentemente eram condenadas como irremediavelmente corruptas e comprometidas por seu envolvimento em ataques terroristas.

Mas reviver o moribundo processo de paz é uma aposta pouco promissora. Condoleezza Rice anunciou uma reunião de cúpula no mês que vem com Abbas e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, para debater as dimensões de um Estado palestino. A agenda de Olmert, porém, é mais modesta. Seus assessores definem o encontro como um "estágio pré-negociação". Ademais, existem desconfianças mútuas, os dois dirigentes compartilham descrédito doméstico e, no momento, a preocupação de Abbas é impedir uma guerra civil entre os palestinos.

Os assessores de Bush ganharam muita quilometragem com as viagens desta semana, mas como resumiu o título do editorial do jornal Washington Post na quarta-feira, o governo americano continua "perdido no Oriente Médio".

NOTÍCIAS RELACIONADAS
Melhora das relações EUA-ONU será difícil
13 dezembro, 2006 | BBC Report
EUA aprovam isenção a produtos brasileiros
09 dezembro, 2006 | BBC Report
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade