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Atualizado às: 30 de dezembro, 2006 - 03h21 GMT (01h21 Brasília)
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Violência e intransigência marcaram trajetória de Saddam
Saddam presidiu o Iraque por 24 anos
Saddam presidiu o Iraque de 1979 até ser deposto, em 2003
Nos 24 anos em que presidiu o Iraque (1979-2003), Saddam Hussein projetou o seu país no cenário internacional com métodos violentos e postura intransigente.

Até ser derrubado pela invasão americana em 2003, Saddam governou o Iraque com mão de ferro e envolveu o país em duas guerras, uma contra o Irã e a outra contra o Kuwait.

O caminho para o poder absoluto começou em Tikrit, no centro do Iraque, a 150 km ao norte de Bagdá, onde o ex-presidente nasceu, em 1937, num clima de arraigado antiocidentalismo.

A brutalidade foi introduzida na sua vida ainda cedo, com as surras que levava do padrasto - o pai abandonou a família antes de ele nascer.

Em 1956, aos 19 anos, integrou-se ao partido Baath, na época a vanguarda do movimento secular nacionalista árabe. Três anos mais tarde, em 1959, participou da tentativa de assassinato do primeiro-ministro Abd-al-Karim Qasim. O plano fracassou e Saddam foi condenado à morte. Mas ele fugiu para o exílio no Egito, onde ficou quatro anos.

Jogo violento

Saddam, porém, não desistiu. De volta ao Iraque, ele ascendeu nas fileiras do Baath e quando o partido finalmente chegou ao poder por meio de um golpe, em 1968, Saddam emergiu como o número 2 da hierarquia, liderada pelo general Ahmad Hassan al-Bakr.

Saddam com o general Al-Bakr, último presidente antes dele
Saddam com o general Al-Bakr, último presidente antes dele

Em um país onde a política sempre foi um jogo violento, os talentos de Saddam o ajudaram a chegar ao topo. Ele ocupou várias posições de destaque no partido até chegar à Presidência do país, em 1979.

Como presidente, Saddam se mostrou implacável com os adversários. Um exemplo disso está numa fita de vídeo gravada numa festa. Na ocasião, ele anunciou calmamente, entre uma tragada de cachimbo e outra, a presença de traidores no local.

Enquanto parte dos convidados dava gritos de apoio ao líder, os inimigos eram expulsos do salão, rumo à execução.

Os Estados Unidos o apoiavam discretamente, ignorando as violações de direitos humanos e atrocidades como o assassinato de 148 homens, predominantemente xiitas, na cidade iraquiana de Dujail em 1982 - crime pelo qual ele foi condenado à morte.

Também passou sem protestos o ataque químico a Halabja, parte da campanha contra a população curda que matou cerca de 180 mil pessoas entre 1987 e 1988, segundo estimativas de organizações humanitárias.

Combate à oposição

Nem a família do ditador escapava. Dois de seus genros, Hussein Kamil e Saddam Kamil, foram assassinados em 1996, depois de desertarem do governo do sogro e fugirem para a Jordânia.

Foram mortos na volta a Bagdá, um dia depois de suas mulheres pedirem o divórcio na Justiça.

Líder absoluto do Iraque, Saddam queria expandir seu poder no Oriente Médio.

A ambição está ainda hoje retratada em cartazes espalhados pelo país, que mostram o líder comandando exércitos árabes até Jerusalém.

Guerras

Poço de petróleo no Kuwait
Em 1990, dois anos após o fim da guerra contra o Irã, Saddam Hussein invadiu o Kuwait

Em 1980, sua política expansionista deixou de se limitar às imagens de outdoors. Vendo-se como o novo líder de todos os povos árabes, Saddam ordenou a invasão do Irã em setembro daquele ano.

A guerra se arrastou por oito anos e matou milhões de pessoas até o Iraque ser obrigado a recuar. Mas não sem antes ter usado armas químicas contra tropas iranianas e curdos iraquianos. No período, o país também tentou desenvolver uma bomba atômica.

Depois do cessar-fogo com o Irã, Saddam Hussein teve suas ambições de supremacia regional intensificadas.

Os cientistas que trabalhavam no seu programa de armas desenvolviam mísseis de longo alcance e programas de armas químicas e biológicas.

Mas a guerra contra o Irã havia arrasado a economia iraquiana e o líder precisava desesperadamente aumentar as receitas obtidas com a venda de petróleo.

Em agosto de 1990, Saddam acusou o Kuwait de baixar o preço do petróleo, invadiu e anexou o país vizinho.

Semanas de bombardeios liderados por forças americanas reduziram a infra-estrutura iraquiana a ruínas.

A operação Tempestade no Deserto, lançada em janeiro de 1991 para expulsar os iraquianos do Kuwait, deixou milhares de soldados do Iraque mortos ou feridos.

Saddam pede resistência a bombardeios aéreos americanos e britânicos
Saddam pediu resistência aos bombardeios aéreos americanos e britânicos

Eleição de Bush nos EUA

Com o regime de Saddam Hussein recusando-se a colaborar com a equipe de inspetores de armas da ONU, o Iraque viveu sob severas sanções internacionais durante anos após a Guerra do Golfo.

Em dezembro de 1998, Estados Unidos e Grã-Bretanha lançaram um campanha de bombardeios aéreos ao Iraque que durou quatro dias. Batizada de Raposa do Deserto, a operação tinha o objetivo declarado de minar a suposta capacidade do governo iraquiano de produzir armas de destruição em massa.

Saddam havia suspendido a cooperação com a equipe de inspetores da ONU, acusando-os de trabalhar como espiões para os Estados Unidos.

A eleição do presidente George W. Bush em 2000 nos Estados Unidos aumentou as pressões, e Washington passou a falar abertamente em "mudança de regime". Depois dos atentados de 11 de setembro, o Iraque foi incluído entre os Estados párias.

Inspetores de armas da ONU reiniciaram as buscas por armas de destruição em massa, que o Iraque havia sido proibido de desenvolver após a Guerra do Golfo, em novembro de 2002.

O governo iraquiano destruiu alguns estoques, mas Bush insistia que Saddam estava desenvolvendo um programa de armas clandestino para dominar o Oriente Médio e intimidar o "mundo civilizado".

O chefe da equipe de inspetores da ONU, Hans Blix, concluiu não haver provas de um novo programa de armas, mas os governos americano e britânico declararam os esforços diplomáticos esgotados.

Iraquianos protestam contra sanções em 2001
Ataque ao Kuwait levou à imposição de sanções contra o Iraque

Sem o apoio da ONU, Estados Unidos e aliados invadiram o Iraque em março de 2003. Bagdá caiu no dia 9 de abril, e Saddam foi capturado oito meses depois, em dezembro daquele ano.

O ex-presidente foi entregue a autoridades iraquianas em 30 de junho de 2004, depois da transferência da soberania para o governo interino do então primeiro-ministro Iyad Allawi.

O seu julgamento começou no dia seguinte. Saddam questionou a legalidade do procedimento, mantendo uma postura desafiadora até o final do julgamento.

Saúde e literatura

Ironicamente, especulava-se que Saddam tinha saúde frágil.
Chegaram a circular rumores de que ele tinha câncer no intestino e depois câncer linfático.

Em meio à política e a manobras militares, Saddam arrumava tempo para se dedicar à literatura.

Seu primeiro romance, de 2000, se chama Zabibah e o Rei (em tradução livre) e conta a história de um líder que sacrifica uma vida luxuosa em nome de seu povo.

Saddam também teria escrito A Fortaleza Inexpugnável, de 2001.

Em maio deste ano, uma editora japonesa publicou outro livro de ficção atribuído ao ex-líder iraquiano.

Intitulado Dança do Diabo (em tradução livre), o romance teria sido entregue por uma filha de Saddam, que disse que o pai terminou de escrevê-lo um dia antes de as forças lideradas pelos Estados Unidos invadirem o Iraque, em 2003.

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30 de dezembro, 2006 | Notícias
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