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Atualizado às: 30 de dezembro, 2006 - 03h17 GMT (01h17 Brasília)
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Saddam Hussein é enforcado no Iraque
Saddam Hussein sendo executado
Saddam foi considerado culpado de crimes contra a humanidade
O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein foi executado por enforcamento pouco antes das 6h deste sábado (1h pelo horário de Brasília), em local não especificado, segundo informações da TV iraquiana.

"O criminoso Saddam foi morto por enforcamento", anunciou a rede de televisão estatal iraquiana Iraqiya, enquanto se ouvia ao fundo música patriótica e imagens de monumentos nacionais eram mostradas.

A manchete dizia: "A execução de Saddam marca o fim de um período obscuro na história do Iraque".

A informação da execução do ex-presidente foi confirmada à BBC pelo vice-ministro das Relações Exteriores do Iraque, Labeed Abawi.

Saddam havia sido condenado à morte por crimes contra a humanidade, devido à sua participação no assassinato de 148 pessoas, a maioria xiitas, na cidade de Dujail, em 1982.

O ex-chefe do serviço de inteligência iraquiano Barzan Ibrahim al-Tikriti, que é meio-irmão de Saddam Hussein, e o ex-chefe da Corte Revolucionária do Iraque, Awad Hamed al-Bandar, condenados no mesmo julgamento, deverão ser executados na próxima semana.

Condenação

No dia 5 de novembro, um tribunal em Bagdá condenou o ex-presidente à morte por enforcamento.

Em 26 de dezembro, após três semanas de deliberações, o Tribunal de Apelações do Iraque manteve a pena de morte e determinou que a sentença fosse cumprida em um prazo máximo de 30 dias.

O ex-presidente iraquiano foi preso pelas forças americanas no Iraque em dezembro de 2003. Saddam foi encontrado em um porão na cidade de Abduar, a cerca de 30 quilômetros ao sul de Tikrit.

O comandante das forças americanas no Iraque, general Ricardo Sanchez, disse que Saddam foi capturado sem resistência e sem que um único tiro fosse disparado.

Alerta

Tropas americanas e forças de segurança iraquianas estão em alerta para o perigo de violência em retaliação à morte de Saddam.

O Departamento de Estado americano determinou o aumento da segurança em todas as embaixadas dos Estados Unidos.

Segundo Peter Greste, correspondente da BBC em Bagdá, os xiitas devem comemorar a morte de Saddam e consideram a execução do ex-líder iraquiano uma punição justa por todo o sofrimento que ele causou durante o seu governo.

No entanto, os sunitas ficaram irritados com o tratamento dado ao ex-presidente no passado e podem voltar a protestar, diz Greste.

Decisão polêmica

A pena capital causou polêmica ao ser anunciada. A União Européia apelou para que Bagdá não executasse Saddam Hussein.

O primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, disse que embora não desejasse minimizar os crimes cometidos pelo ex-presidente do Iraque, não podia deixar de "expressar a firme oposição do governo italiano - assim como a minha própria - à sentença de morte". A Itália participou da ocupação do Iraque como aliada dos Estados Unidos.

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, com sede nos Estados Unidos, disse que durante os dez meses de julgamento houve regularmente falhas na divulgação com antecedência de provas importantes para a defesa e que o direito básico dos réus de contestar as testemunhas de acusação foi violado.

O grupo também colocou em dúvida a imparcialidade do juiz que presidiu o caso e afirmou que houve importantes omissões nas provas produzidas para estabelecer as acusações.

O primeiro-ministro britânico Tony Blair enfatizou que a Grã-Bretanha se opõe à pena de morte, mas afirmou que o julgamento lembrou claramente como o governo de Saddam era brutal. A Grã-Bretanha tem a segunda maior presença militar no Iraque depois dos Estados Unidos.

O governo americano saudou a condenação à morte do ex-presidente Saddam Hussein. A Casa Branca disse que o veredicto é um marco nos esforços do Iraque para "substituir o poder de um tirano pelo poder da lei".

As leis iraquianas permitiram a execução de Saddam Hussein, embora ele fosse réu em outro julgamento, por genocídio e crimes contra a humanidade, devido ao assassinato de dezenas de milhares de curdos iraquianos durante a chamada Operação Anfal, em 1988.

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