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Atualizado às: 15 de dezembro, 2006 - 23h21 GMT (21h21 Brasília)
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Uruguai diz que Brasil 'lavou as mãos' no conflito das papeleiras

Protesto contra a construção da papeleira Ence, na Argentina
Protestos contra a construção da fábrica ocorrem há um ano.
O ministro da Economia do Uruguai, Danilo Astori, criticou duramente o Brasil pelo que ele considera uma omissão do país na disputa entre Uruguai e Argentina sobre a construção de uma fábrica de pasta de celulose.

O local da construção é na margem uruguaia do Rio Uruguai, que divide os dois países, mas a Argentina se opõe à obra, afirmando que a fábrica pode contaminar o rio.

Como forma de protesto, ambientalistas têm bloqueado estradas que ligam os dois países há cerca de um ano. No final de semana passado, pela primeira vez, os bloqueios chegaram a impedir totalmente a circulação - ainda que brevemente - nas três principais rodovias entre Argentina e Uruguai.

“O Brasil está lavando as mãos. Para o Brasil o problema não existe”, afirmou Astori a jornalistas ao final da reunião ministerial do Mercosul que aconteceu nesta sexta-feira em Brasília.

Ele disse que o Uruguai não pediu a intermediação brasileira nesta reunião em Brasília, mas que o pedido já foi feito há muito tempo e até agora não houve nenhuma ação por parte do governo brasileiro.

“O Brasil não tem que dizer que é um problema bilateral. Como vão dizer que não pesa a opinião do maior país do bloco?”, reclamou Astori. “Que liderança é essa?”, questionou.

O governo brasileiro vem afirmando, desde o início do conflito, que o problema é bilateral e que o Mercosul não deve se envolver. A pedido da Argentina, o conflito vai ser mediado pelo rei Juan Carlos, da Espanha..

Na semana passada, antes da reunião de cúpula da Comunidade dos Países Sul-Americanos (Casa), o ministro já havia criticado a falta de liderança brasileira também para a condução de um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Européia.

Os ministros das Relações Exteriores da Argentina e do Uruguai também trocaram farpas durante a entrevista coletiva.

O chanceler uruguaio, Reinaldo Gargano, disse que o governo argentina tinha obrigação “não de reprimir, mas de impedir” o bloqueio das pontes ligando os dois países. O bloqueio, segundo ele, impede o transporte de mercadorias entre os países e atenta contra a integração prevista no Mercosul.

“Não vamos continuar opinando sobre o tema. Já pedimos a intermediação do rei da Espanha. É melhor não continuar com a discussão”, respondeu o chanceler argentino, Jorge Taiana.

Na quinta-feira à noite, o Brasil apresentou ao Paraguai e Uruguai uma proposta que dá vantagens econômicas aos dois países. Há tempos os dois vêm reclamando atenção especial de Brasil e Argentina para as “assimetrias” entre as economias grandes e pequenas do bloco.

O Brasil ofereceu – por enquanto ainda sem a concordância da Argentina – implantar imediatamente o fim da dupla tributação para produtos importados de terceiros países que entram primeiro no Paraguai e Uruguai, abrindo mão dessa receita unilateralmente.

A proposta inclui ainda um aumento na parcela de insumos importados usados na manufatura de produtos paraguaios e uruguaios.

Hoje, para circular no Mercosul sem tarifação extra, produtos fabricados nos dois países podem usar até 60% de insumos estrangeiros. Com a proposta, o limite subiria para 70%.

O ministro da Economia do Uruguai considerou a proposta “muito pequena, insignificante”.

Brasil e Argentina também firmaram um acordo para pagar transações comerciais entre os dois países na moeda de cada país, sem necessidade de conversão para o dólar.

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