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China exibe documentário proibido sobre Aids | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O canal público CCTV transmite neste 1º de dezembro, Dia Mundial da Luta contra a Aids, o documentário A Closer Walk, que retrata a vida de portadores do vírus HIV em diversos países. A película, dirigida pelo norte-americano Robert Bilheimer, constava anteriormente na lista de filmes proibidos pelo partido comunista por abordar abertamente a questão da Aids e contar com depoimentos do Dalai Lama. O líder budista é persona non grata na China. A versão apresentada na CCTV é uma edição do original. As declarações do Dalai Lama foram cortadas e entrevistas com autoridades chinesas foram adicionadas na adaptação do conteúdo. A exibição do filme faz parte dos esforços do partido comunista em promover maior esclarecimento sobre a Aids no país. Até 2003 o próprio governo tratava a discussão da doença como tabu. Naquele ano, o então vice-ministro da saúde Gao Quiang anunciou mudanças radicais na maneira de conduzir as políticas de prevenção à doença e o governo chinês decidiu passar a promover abertamente o debate e a conscientização sobre os riscos de contagio da Aids. “Eu estou honrado. É importante compartilhar com o povo chinês a mensagem de esperança e compaixão de A Closer Walk”, disse Bilheimer, diretor do filme, à imprensa. Neste ano, Pequim dedicou 830 milhões de yuans (R$230 milhões) à prevenção e tratamento da Aids, revelou o vice-ministro da Saúde, Wang Longde, à agência de notícias Reuters. Wang disse que ainda há “preconceito enraizado” e as lideranças locais precisam “abrir a cabeça” para a questão. Em 2006 foram registrados quase 40 mil novos casos de HIV e, elevando o número oficial de portadores do vírus no país para mais de 180 mil pessoas - um aumento de quase 30% em relação ao ano passado. Uma estimativa conjunta da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Programa da ONU para a Aids (Unaids) e do governo chinês estima que existam 650 mil pessoas infectadas pelo vírus HIV na China. 'Progresso' “Nos últimos três anos houve muito progresso em termos de aprovação de novas leis e implementação de medidas no controle das estatísticas. Há vontade política”, disse à BBC Brasil Joel Rehnstrom, Coordenador Nacional do Programa da Unaids na China. Já Winnie Ho, Diretora Assistencial da ONG Aids Concern, afirma que o número de casos registrados deveria ser maior. “Não está propriamente reportado.” O governo é, por vezes, contraditório. Ao mesmo tempo em que apóia cada vez mais o debate público, suprime a participação das ONGs. Na semana passada, o ativista Wan Yanhan foi detido temporariamente para que não pudesse participar de um fórum em Pequim no qual criticaria o governo chinês. Wan disse à agência AFP que acredita que o número de infectados pelo vírus seja dez vezes superior ao oficial. “O governo continua sensível à questão da Aids”, reconhece Rehnstrom. “Com o que vem sendo feito desde 2003 já há uma boa base de combate. Agora é preciso aumentar a participação ativa das ONGs. Dar a elas um maior espaço de atuação deve ser o próximo passo” conclui o oficial da Unaids. |
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