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Atualizado às: 01 de dezembro, 2006 - 10h42 GMT (08h42 Brasília)
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Aids reduz crescimento em 43 países, diz OIT
OIT pediu medidas para aumentar o acesso a antiretrovirais
A Aids está tendo um impacto crescente na força de trabalho no mundo e levando a uma redução no crescimento econômico especialmente dos países mais afetados pela doença, de acordo com relatório divulgado nesta sexta-feira, Dia Mundial da Aids, pela Organização Internacional do Trabalho, a OIT.

"Os 43 países mais gravemente afetados pelo vírus HIV e pela Aids perderam em média 0,5% da sua taxa de crescimento econômico anual entre 1992 e 2004 por causa da epidemia e, como resultado, deixou de haver um crescimento de 0,3% de vagas de emprego", disse o documento.

Entre essas nações, "31 países da África Subsaariana perderam 0,7% em média de sua taxa anual de crescimento econômico", e uma porcentagem de 0,5% de empregos não foram criados.

Com isso, 1,3 milhão de novos empregos deixaram de ser gerados anualmente
entre 1992 e 2004 - 1,1 milhão deles, na África Subsaaria.

A incidência de HIV/Aids "está adicionando um enorme encargo aos países que lutam para sair da pobreza", disse Odile Frank, uma das autoras do relatório.

"Nós precisamos de maiores oportunidades de emprego para pessoas com HIV/Aids e por fim à discriminação contra pessoas com o vírus vai ajudá-las a conseguir trabalho", afirmou.

Brasil

Dados de 60 países foram analisados no relatório "HIV/AIDS e trabalho: estimativa global, impacto sobre crianças e jovens, e resposta 2006", 56 deles com incidência de HIV entre pessoas de 15 a 49 anos superior a 1%, e os quatro outros onde a incidência é inferior a esse patamar, mas onde a população é grande.

O Brasil, com uma incidência estimada em 0,5%, entra nesta segunda categoria ao lado de China, Índia e Estados Unidos. Neste grupo, contudo, o impacto da pandemia sobre a economia foi considerado pequeno demais para ser medido.

Num nível global, a Aids matou quase 3,5 milhões de adultos e jovens com idade para trabalhar em 2005 e este número poderá chegar a 4,5 milhões em 2020.

Soropositivos

"Em 2005, mais de 3 milhões de integrantes da força de trabalho em todo o mundo foram impedidos parcialmente ou totalmente de trabalhar" por causa de alguma doença provocada pela redução na imunidade que caracteriza a Aids. Deste contingente, 75% viviam na África Subsaariana.

No mundo todo, 41% da porção da força de trabalho soropositiva é de mulheres -na África Subsaariana, essa proporção chega a 43%, diz o relatório da OIT.

"A falta de oportunidades para um trabalho decente pode levar mulheres e homens jovens a trabalhar em condições precárias e não-regulamentadas", expondo-os mais ao vírus HIV. "Estudos mostram freqüentemente que a maioria dos homens e mulheres que recorrem à indústria do sexo para se sustentar começam a trabalhar na adolescência ou com pouco mais de 20 anos", diz o relatório.

O documento divulgado nesta sexta-feira afirma que cerca da metade de todas as novas infecções por HIV ocorrem entre pessoas de 15 a 24 anos de idade, e "a maioria deles não sabe que é portadora do vírus, especialmente em áreas de recursos escassos".

E a OIT afirma que muitas crianças são forçadas a trabalhar porque vivem em condições de miséria absoluta, ou porque os pais morreram de Aids ou porque estão doentes de mais para trabalhar.

O aumento do trabalho infantil está levando a uma diminuição dos padrões de educação e fazendo com que seja mais difícil para as crianças conseguirem empregos produtivos quando chegarem à idade de trabalhar.

Antiretrovirais

A OIT estima que a perda acumulada da força de trabalho por causa de HIV/Aids, que ficou em cerca de 28 milhões de pessoas em 2005, pode chegar a 45 milhões em 2010 e 86 milhões, em 2020.

O relatório da organização demonstra, contudo, que o aumento do acesso a tratamento com drogas antiretrovirais pode ter um impacto significativo na erosão da força de trabalho. Ele mostra que a perda de 17,3 milhões de pessoas na força de trabalho prevista para o período entre 2005 e 2010 em todo o mundo, pelo menos 14% pode ser evitada caso se dê acesso amplo a esse tipo de tratamento.

A organização pediu medidas sustentáveis para aumentar o acesso a tratamentos com antiretrovirais para reduzir as taxas de mortalidade.

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