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Atualizado às: 24 de novembro, 2006 - 19h17 GMT (17h17 Brasília)
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Análise: O mistério em torno da morte do ex-espião russo

Alexander Litvinenko
Litvinenko deixou nota culpando o presidente Vladimir Putin
O comunicado escrito pelo ex-espião Alexander Litvinenko em seu leito de morte culpava o presidente russo, Vladimir Putin, pelo que acreditava ser seu envenenamento. Mas saberemos nós algum dia com certeza quem foi o responsável?

Enquanto a Agência de Proteção da Saúde diz acreditar que Litvinenko foi envenenado - provavelmente com a substância radioativa polônio-210 - a dúvida sobre o que e quem está por trás da morte do ex-espião continua.

Os dois encontros do ex-espião no centro de Londres, em Piccadilly e Mayfair, podem conter a chave para identificar seu assassino.

Amigos de Litvinenko, de 43 anos, culparam o serviço de segurança russo (FSB), que era acusado pelo ex-espião de vários abusos, incluindo a explosão de um prédio de apartamentos em 1999, que matou 300 pessoas.

Outros ligaram a doença de Litvinenko diretamente com outro alvo de suas críticas, o ex-agente da KGB (o antigo serviço secreto russo) Vladmir Putin.

O Kremlin descartou qualquer envolvimento como "besteiras", um sentimento ecoado pelo serviço de inteligência internacional da Rússia.

'Morte inexplicada'

A questão agora está nas mãos da Scotland Yard (a polícia metropolitana de Londres), que está investigando o caso como uma “morte inexplicada".

O analista de segurança Glenmore Trenear-Harvey, que encontrou Litvinenko várias vezes, disse que o foco da mídia no Kremlin é "preguiçoso" e traz as marcas de uma ficção de John Le Carré.

"Nós temos que colocar isso em um contexto histórico", disse ele.

"O último trabalho de Litvinenko no FSB foi liderar a unidade anticorrupção e ele descobriu muita corrupção por lá e fez muitos inimigos na KGB."

Segundo Trenear-Harvey, quando o ex-presidente russo Boris Yeltsin dividiu a KGB em diferentes agências como o FSB e o SVR, a maioria de seus membros ficou, mas alguns foram para a Duma (Câmara baixa do Parlamento da Rússia) e um terceiro grupo foi para negócios legítimos.

Mas um "grupo turvo" foi para o que era conhecido como a máfia russa.

Veneno sofisticado

"A minha opinião pessoal, e isso é especulação, é que não é inconcebível que (a jornalista) Anna Politkovskaya, em sua busca pelos assassinos do sistema bancário russo, descobriu que os matadores contratados eram esses ex-membros da KGB”, disse.

"Politkovskaya foi morta e se Litvinenko teve mesmo acesso secreto às investigações dela, então os assassinos dele poderiam acabar sendo exatamente essas pessoas."

Apesar de a natureza sofisticada do veneno sugerir que pode ter vindo do Estado, o governo russo não teria motivos para o assassinato, segundo ele.

"Não há nenhum benefício para Putin ou para o serviço secreto russo em realizar uma operação tão pública."

Trenear-Harvey disse que, apesar das acusações a Putin, as relações diplomáticas entre a Rússia e a Grã-Bretanha não devem ser afetadas.

Já outros especialistas acreditam que o envolvimento do alto escalão russo é provável.

O repórter do jornal britânico Sunday Times, que descobriu a história, aponta para o fato de que três semanas de investigação não conseguiram identificar a substância ingerida pelo ex-espião.

"Eu acho que isso indica o desenvolvimento de possíveis novas toxinas ou novos agentes, e esse tipo de coisa só pode ser realmente feito por uma agência estatal sofisticada e possivelmente altamente organizada", disse.

Mas Alex Pravda, um especialista em política externa russa e membro da organização de análise internacional Chatham House, acredita que é muito cedo para dizer quem é o responsável.

"Há uma falta de clareza nisso tudo. É uma questão de especulação e eu acho que precisamos esperar até que haja evidências melhores", disse.

Ele disse ainda que a falta de coordenação do governo russo com outras agências dificulta fazer acusações com qualquer certeza.

O que caracterizou o caso de Litvinenko desde o início foi a forma como uma explicação era rapidamente substituída por outra.

"Foi tálio", cogitou-se primeiro. "Não, foi tálio radioativo. Não, foi um coquetel de drogas. Não, foi um objeto misterioso..."

A maioria das teorias foi eliminada pelo diretor clínico do hospital, Geoff Bellingan, apesar de a polícia estar investigando intensamente a possibilidade de radioatividade.

Dada a incerteza sobre o que matou Litvinenko, a dúvida sobre quem matou o ex-espião poderá nunca ser resolvida.

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