BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 10 de novembro, 2006 - 13h11 GMT (11h11 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Oposição na Bolívia desconfia de investimento militar da Venezuela

Os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e da Venezuela, Hugo Chávez
Morales e Chávez apresentaram projeto há cerca de seis meses
Integrantes da oposição boliviana desconfiam dos investimentos militares que a Venezuela pretende realizar no país presidido por Evo Morales, previstos em um convênio assinado em maio por Morales e pelo presidente venezuelano Hugo Chávez.

O acordo prevê a construção de um porto e de uma base militar na Bolívia com recursos cedidos pela Venezuela. Especula-se que o valor total desses recursos estariam na faixa de U$50 milhões a U$150 milhões.

“Temos muitas perguntas sem respostas oficiais sobre este entendimento bilateral”, disse o vice-presidente do Senado, senador Roger Pinto, do partido “Podemos”.

Para ele, no documento de cinco páginas que fala em cooperação técnica em matéria de defesa, chamam atenção, por exemplo, as afirmações “controle democrático das Forças” e “controle de armamento e desarme”. Os dois itens estão citados no quarto dos nove artigos deste entendimento.

“Essas afirmações nos geram preocupação. Desconfiamos que a presença militar venezuelana inclua até o controle dos movimentos sociais no país”, disse ele, falando de seu gabinete em La Paz.

O projeto deste acordo, apresentado pelos presidentes Evo Morales, da Bolívia, e Hugo Chávez, da Venezuela, há cerca de seis meses, já foi aprovado na Câmara dos Deputados boliviana, onde o governo tem maioria.

Mas, segundo o senador Roger Pinto, enfrenta forte resistência no Senado, onde a oposição tem maioria, com 13 das 25 cadeiras. Se for rejeitado pelo Senado, o texto volta ao Executivo, sem ser lei.

Objetivos claros

O presidente da Comissão de Defesa da Câmara dos Deputados, deputado Javier Zavaleta, do Movimento ao Socialismo (MAS, partido de Morales), não vê polêmicas nesta discussão.

O projeto, afirmou ele, de seu gabinete, também em La Paz, tem objetivos claros, com a cooperação acadêmica e a transferência de tecnologia “de um país para outro”.

Além da construção, confirmou, de um porto, controlado pela Marinha, em Puerto Quijarro, próximo à fronteira com Corumbá, no Brasil. E de um forte militar na localidade de Riberalta, no departamento (Estado) de Beni.

Ele explicou as duas medidas: “A Bolívia é produtora de soja, não tem saída para o mar e precisa escoar sua produção. O porto estará ligado à hidrovia Paraguai-Paraná. Já o forte estará numa região onde traficantes e contrabandistas não estão sendo controlados”.

Para ele, a maior presença militar, em Riberalta, na floresta, é a alternativa à criminalidade.

Quando perguntado sobre a polêmica em torno deste convênio com a Venezuela, Zavaleta descartou: “Esse governo jamais usará a força e as Forças Armadas para reprimir. Está fora dos nossos planos”.

Para ele, a reação da oposição pretende “dificultar” as relações entre Bolívia e Venezuela. “Isso porque a Venezuela se transformou na base do desenvolvimento boliviano e não só na área de defesa, mas em hidrocarbonetos, agropecuária e outros”, disse.

Divisão

O professor de geopolítica, estratégia e defesa da Escola de Altos Estudos Nacionais (para oficiais militares), Hugo Acha, acredita que as medidas conjuntas com a Venezuela provocam maior divisão na Bolívia.

“Entendo que essas decisões têm maior objetivo interno do que externo e me preocupo por isso”, disse, falando de Santa Cruz de la Sierra.

Segundo ele, estima-se que serão convocados, pelo menos, 2,5 mil soldados para esta empreitada e serão necessários, no mínimo, US$ 150 milhões para a construção destas bases militares, treinamento de pessoal e armamentos básicos.

O senador Zavaleta disse que não foram discutidos números de efetivos, por exemplo, e negou que se pretenda levar novas tropas para Beni.

Segundo ele, somente depois de aprovado o projeto é que se discutirão investimentos e pessoal, entre outros dados.

Até agora, segundo informações oficiais e da oposição, a Venezuela não teria liberado recursos para os convênios anunciados com a Bolívia.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade