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Atualizado às: 31 de outubro, 2006 - 19h44 GMT (16h44 Brasília)
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Teoria de Cheney sobre Iraque divide analistas

Iraquianos jogam pedras em tanque britânico que sofreu ataque
Forças de coalizão continuam enfrentando ataques no Iraque
A teoria apresentada pelo vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney – de que a violência aumenta no Iraque porque os insurgentes querem prejudicar o Partido Republicano –, é controversa entre analistas árabes.

Por um lado, há aqueles que acreditam que grupos como a Al-Qaeda no Iraque preferem os democratas no poder porque acreditam que uma mudança de governo nos Estados Unidos poderia apressar a retirada das tropas americanas do Iraque.

Mas outros argumentam que o interesse dos insurgentes iraquianos é ter um governo mais à direita nos Estados Unidos, para manter elevadas a tensão e a violência no Iraque e assim conseguir mais adeptos e ganhos políticos no país.

O pesquisador iraquiano Mustafa al-Ani, do Centro de Pesquisas do Golfo, em Dubai, diz que a Al-Qaeda e outros grupos que atuam no Iraque estão atentos à política internacional e agem de acordo com esta agenda.

Agenda política

“Veja que o ataque contra os trens em Madri (em março de 2004) aconteceu um pouco antes das eleições espanholas (na qual o partido direitista que apoiou a invasão do Iraque foi derrotado), e os atentados em Londres (em julho do ano passado) ocorreram no dia em que se realizava a cúpula do G8, na Escócia”, diz Al-Ani.

Para o pesquisador, faz sentido a teoria de que a violência pode crescer no Iraque como maneira de prejudicar o Partido Republicano nas eleições.

 Os insurgentes iraquianos acreditam que pode haver uma chance maior de retirada do Iraque se os democracatas estiverem no poder.
Mustafa al-Ani, pesquisador do Centro de Pesquisas do Golfo

O egípcio Amr Hamzawy, pesquisador do Carnegie Endowement para a Paz Mundial, de Washington, concorda com a idéia de que interessa aos insurgentes iraquianos uma retirada rápida das tropas ocidentais que estão no país.

“Principalmente a Al-Qaeda no Iraque sabe que vai poder fazer o que quiser se as tropas americanas não estiverem mais em território iraquiano”, diz.

Partidos

Mas Hamzawy rejeita a idéia de que os insurgentes estejam guiando suas ações com base na política interna americana ou tenham qualquer preferência em relação ao partido que detém mais poder nos Estados Unidos.

“A estratégia deles se baseia na situação do Iraque hoje. Eles querem fustigar ao máximo as tropas que estão lá para forçar a saída deles, independentemente de quem esteja no comando nos Estados Unidos ou na Grã-Bretanha”, diz.

Hamzawy acredita que o aumento da violência se deu devido a declarações de políticos e autoridades – tanto Republicanos quanto Democratas no Estados Unidos, e também britânicos – que deram a entender nas últimas semanas que aumentam os questionamentos sobre a presença militar ocidental no Iraque.

“Os insurgentes sem dúvida percebem que há cada vez mais vozes contra a ocupação do Iraque e aproveitam o momento para intensificar o ataque e criar ainda mais insatisfação com a presença ocidental no país”, argumenta.

“Gaviões neo-conservadores”

Já o diretor-adjunto do centro de pesquisas de política internacional Al Ahram, do Cairo, Mohamed Said, diz que o interesse dos insurgentes iraquianos é, na verdade, manter as tropas americanas no Iraque por ainda mais tempo.

“Eles não querem que os Estados Unidos saiam agora. Eles querem continuar com a guerra de guerrilha contra as tropas americanas até que eles estejam exaustos e saiam do Iraque humilhados, mais ou menos como aconteceu com os russos no Afeganistão (que desocuparam o país em 1988 depois de enfrentar por anos os guerrilheiros mujahedin)”, diz Said.

O pesquisador avalia que para os insurgentes iraquianos é mais interessante manter no poder os “gaviões neo-conservadores”, como são chamados os elementos mais belicosos da administração Bush, como o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld e o vice-presidente Dick Cheney.

“As posições e ações dos neo-conservadores em relação ao Iraque irritam muita gente no mundo árabe e facilitam o trabalho destes grupos insurgentes na conquista de novos adeptos”, avalia Said.

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