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Atualizado às: 26 de outubro, 2006 - 15h11 GMT (12h11 Brasília)
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Projeto federal em Curuçá dá casa e barco a pescadores

A família da marisqueira Graciante Modesto da Costa
Graciante recebe R$ 95 por mês do programa Bolsa Família
A marisqueira Graciante Modesto da Costa, 37 anos, seis filhos (um sétimo morreu na infância), vive do que ela e o marido, pescador, conseguem no Rio Curuçá, no norte do Pará. Não é muito, já que a pesca na região é sazonal, e só é garantida nos meses de inverno. O marisco, ela consegue catar o ano inteiro, mas o dinheiro só dá pra comprar alguns alimentos básicos.

Neste ano, com a inclusão da família em um programa do governo federal para atender pescadores e marisqueiros carentes da cidade de Curuçá, Graciante conseguiu uma casa de alvenaria, construída ao lado da casa de barro onde morava antes, na Vila Ponta de Ramos, na zona rural da cidade, na beira do rio.

"Melhorou muito", diz ela, que não tinha esperança de conseguir levantar a casa sem a ajuda do governo. Ela recebeu o material de construção e R$ 800 para pagar a mão-de-obra.

Há quatro anos, ela também recebe R$ 95 por mês do Bolsa Família. Com este dinheiro, consegue comprar café, açúcar, calçados e material escolar para as crianças. A idade dos filhos varia de 18 anos a 1 ano e 3 meses, e ela diz que todos os que estão em idade escolar freqüentam as aulas.

Graciante é um dos 1,2 mil moradores de Curuçá beneficiados no programa da Reserva Extrativista Mãe Grande, que inclui também o fornecimento de material e equipamento de pesca para 2 mil pescadores da cidade.

Quando regularizar seus documentos (a certidão de nascimento dele não traz o nome da mãe), o marido de Graciante deve receber um barco. No momento, ele divide a canoa com outros pescadores.

O voto da família é em Lula, e Graciante explica com simplicidade o motivo. "Ele nos ajudou bastante. Foi o único presidente que olhou para a gente aqui no Norte", afirma. "Temos que ajudar quem ajuda a gente."

Conscientização

A Reserva Extrativista da Mãe Grande começou a ser delineada nos anos 90, mas os recursos para equipar os pescadores que vivem da atividade só foram liberados no ano passado, para as casas, e nos últimos meses, para os equipamentos de pesca.

O pescador e padeiro Roberto Rocha, com sua bicicleta
Roberto Rocha ganhou bicicleta e barco por meio do projeto

Eles podiam escolher, até um limite de R$ 2 mil, entre itens como bicicleta, freezer, canoa, motor, balança e outros materiais utilizados no dia-a-dia.

O pescador e padeiro Roberto Rocha, cinco filhos, renda em torno de R$ 250 por mês, recebeu uma bicicleta e um barco. "Ainda falta chegar a rede", revela, animado. Casa, ele já tem, por isso não foi contemplado.

Na bicicleta com a qual circula pelas poucas ruas de Curuçá, ele colou vários adesivos de campanha de Lula. "Já votei nele três vezes. Lá onde eu moro 90% vai votar no Lula. (Voto no) Alckmin por lá é raro", conta.

O coordenador técnico do projeto, Jorge Luiz Macedo da Rocha, diz que, além de equipar os pescadores para que eles tenham condições de aumentar a produção, o objetivo é conscientizá-los para a necessidade de preservar o mangue que garante o sustento da maioria dos moradores de Curuçá.

"Havia uma preocupação com a pesca predatória, com o uso de uma rede que pega peixes muito miúdos e atrapalha o repovoamento do rio", diz Rocha.

Créditos

Nesta primeira fase do projeto, tanto as casas quanto o material foram fornecidos sem nenhum custo para os moradores. Na segunda fase, a intenção é conseguir créditos do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) para o cultivo de peixes.

"Se pelo metade conseguir o crédito, é possível mudar totalmente o perfil da região", diz.

Curuçá tem cerca de 6 mil pescadores, mas a maioria pratica uma pesca de subsistência, no período entre maio e agosto.

Rocha diz que embora os efeitos econômicos ainda não posssam ser sentidos, o nível de organização dos pescadores já aumentou. "Eles sempre foram discriminados. Esse projeto aumentou a organização e a auto-estima dos pescadores", afirma.

O prefeito de Curuçá, Josué da Silva Neves, eleito pelo PFL e agora no PSDB, critica a liberação do dinheiro poucos meses antes da eleição, mas reconhece que os resultados devem ser benéficos à cidade.

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