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Apoio à pesca e Bolsa Família dão votos a Lula no PA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Não é difícil entender a importância do Bolsa Família em uma pequena cidade como Curuçá, a 140 quilômetros de Belém, no Pará. O programa federal leva cerca de R$ 3 milhões por ano à cidade. O valor equivale a 30% do orçamento da prefeitura da cidade, cujo prefeito é do PSDB. E, apenas em mais um projeto de apoio às famílias que vivem da pesca, o governo federal está investindo mais R$ 10 milhões na região. Na cidade de 37 mil habitantes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve 77,8% dos votos válidos – um percentual bem mais alto do que a média de 51,8% do Estado. Casa de tijolo O candidato do PSDB, Gelado Alckmin, que teve 41,6% dos votos no Pará, conseguiu apenas 20% em Curuçá. "O Lula nos ajudou bastante", diz a marisqueira Graciante Modesto da Costa, que mora numa vila de pescadores na zona rural da cidade. "Se não fosse ele, eu não teria a minha casa." No ano passado, ela recebeu os recursos para construir uma casa de tijolos no lugar da casinha de barro onde morava com o marido e os seis filhos do programa Reserva Extrativista da Mãe Grande, que tem por objetivo organizar os pescadores e marisqueiros da região. O investimento federal para o projeto inicial de organização e qualificação dos pescadores organizados em torno da reserva extrativista foi de mais de R$ 10 milhões. O dinheiro foi usado na construção de casas e compra de equipamentos de pesca. Ela também recebe R$ 95,00 por mês do Bolsa Família, que em setembro atendeu a 3.764 famílias e despejou R$ 271,6 mil no município. Críticas O prefeito da cidade, Josué da Silva Neves, que em 2004 ganhou a eleição por pouco mais de 600 votos, e até hoje divide opiniões na cidade, minimiza os efeitos do programa. "É bom. Mas o Bolsa Família só juntou os benefícios de quem tinha Bolsa Escola, Vale Gás, só juntaram tudo", diz. "Em vez de dar o Bolsa Família deveriam dar emprego", afirma. Ele acha que a expansão do Bolsa Família tira o estímulo para procurar emprego. "Deveria ser escalonado e ir reduzindo o valor com o tempo." Segundo dados do IBGE, em 2000 o rendimento médio no município era de R$ 374,36 por mês, e quase um terço da população não tinha nenhum rendimento. Outros 4.947 habitantes recebiam menos de um salário mínimo. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município é de 0,71 - enquanto a média brasileira é de 0,792. Adamor Campos da Silva membro do diretório local do PSB, vê outro motivo para a grande diferença em favor de Lula no primeiro turno. "Acho que é a combinação da aprovação do governo Lula com a rejeição do governo local", afirmou. Comércio O comerciante Waldemir Lima Pinto, dono de uma loja de eletrodomésticos na rua principal de Curuçá, diz que o movimento aumentou nos últimos anos. Ele diz que muitos fregueses que recebem Bolsa Família compraram produtos como ventilador, liquidificador, aparelhos de som e colchões. A certeza de que seus clientes agora dispõem de uma fonte de renda garantida o o encorajou a vender em parcelado em até três vezes. Já o empréstimo consignado, diz, fez muitos clientes quitarem dívidas atrasadas. Euzinaldo Elias da Silva, dono do Supermercado Ideal, diz que está vendendo mais alimentos, mas como os preços caíram o faturamento não aumentou. Mesmo assim, ele acha que a população carente da cidade está numa situação um pouco melhor. "Este foi o único governo que teve dó dos pobres. Isso nunca tinha acontecido antes", afirma. A votação em Lula só não é ainda maior, na avaliação dele, porque o prefeito faz uma campanha intensa pelo candidato Geraldo Alckmin. "Se não fosse isso, o Alckmin não teria nem 500 votos em Curuçá", afirma. |
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