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Atualizado às: 26 de outubro, 2006 - 21h45 GMT (18h45 Brasília)
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Mococa diversifica economia, mas mantém tradições

Casarão em Mococa (SP)
Casarões de 'barões do café' ainda marcam presença em Mococa
No centro de Mococa, um conjunto de casarões históricos que um dia pertenceram aos "barões do café" é uma lembrança do passado de esplendor da economia da cidade paulista.

Localizado na divisa com Minas Gerais, o município já foi destaque na lavoura cafeeira e ficou famoso com a pecuária leiteira e a produção de laticínios.

Hoje, essas culturas cedem espaço a outras mais rentáveis como a cana-de-açúcar e a laranja.

Apesar de as propriedades rurais ainda dominarem boa parte dos 854 km² do município, a economia não é mais baseada exclusivamente na agropecuária. Setores como comércio, metalurgia e serviços ganharam importância.

O foco da economia mudou, mas os indicadores continuam positivos. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2001 e 2002 o Produto Interno Bruto (PIB) per capita cresceu 14%, de R$ 7.873 para R$ 8.977.

Segundo o prefeito, Aparecido Espanha, o desemprego atinge aproximadamente 8% dos 70.085 habitantes do município.

Cido, como o prefeito é chamado, afirma que o desemprego e a segurança são, assim como em diversos outros municípios brasileiros, as principais preocupações de Mococa.

Religião

Os habitantes de Mococa têm fama de serem conservadores e muito religiosos. A religiosidade da população é visível nas ruas. Imagens de santos adornam diversos pontos públicos.

Não é raro encontrar orações em locais inusitados, como no cardápio de um restaurante. Segundo o prefeito, há mais de 30 igrejas católicas na cidade, e aproximadamente o mesmo número de evangélicas.

Luciana da Silva e filhos
Luciana recebe R$ 95 do Bolsa Família, mas vota em Alckmin

O gabinete de Cido é adornado por um crucifixo e um quadro de Nossa Senhora com o menino Jesus. Nas estantes, a Bíblia católica está ao lado da evangélica.

"Temos mais de 50 missas por fim de semana na cidade. Todas lotadas", diz o padre Celso Abreu de Jesus, da Paróquia Santa Luzia.

A influência da Igreja é grande. O padre afirma que a Igreja Católica é responsável por mais de 90% do trabalho social na cidade.

Padre Celso diz que, durante o primeiro turno das eleições, a Igreja deu orientação aos fiéis sobre como votar. O conselho era "acompanhar o histórico do candidato, sua evolução política e seu programa de trabalho", afirma.

Programas sociais

O conservadorismo de Mococa é um dos argumentos usados para explicar o resultado do primeiro turno das eleições no município, que deu ao candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, 74,6% dos votos válidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, ficou com apenas 19%.

Mesmo nas classes mais baixas e apoiadas por programas do governo federal (que em cidades do Nordeste, por exemplo, garantiram votos ao presidente Lula), o candidato tucano manteve a vantagem.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, das 2.331 famílias pobres de Mococa, 1.403 receberam recursos do Bolsa Família em setembro, em um total de R$ 69,33 mil.

São famílias como a de Dulce Helena Marcelino da Luz, moradora da Vila Santa Rosa. Aos 35 anos, viúva há quatro, Dulce conta com os R$ 95 mensais que recebe do programa federal para sustentar os dez filhos - quatro deles adotivos.

Apesar de reconhecer os benefícios do Bolsa Família, a dona de casa não é eleitora de Lula. Analfabeta, Dulce nunca votou.

Na família, o único a participar das eleições foi o filho mais velho, Wagner, 19 anos. Seu voto foi para o candidato do PT. "Ele baixou o preço dos alimentos", afirma.

Moradora do mesmo bairro, a dona de casa Luciana da Silva, 34 anos, mãe de quatro filhos, de 17, 13, nove e sete anos, também recebe R$ 95 por mês do Bolsa Família.

Luciana diz que vota em Geraldo Alckmin porque o candidato fez um bom governo no Estado de São Paulo. Nas eleições de 2002, votou em José Serra. "Nunca votei no Lula", diz.

Dois Brasis
Especial explora as contradições do país que vai às urnas.
O que é melhor?
Eleitores de Lula e Alckmin travam debate virtual.
Werner Scherdien (Foto: Alessandra Corrêa)Opção por Alckmin
Os votos de Arroio do Padre e Mococa.
Edivanete Nunes de Lima Melo (Foto: Denize Bacoccina)Opção por Lula
Os votos de Curuçá e Serra Talhada.
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