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Impacto de ajuda federal é menor em Arroio do Padre | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os programas do governo federal que tanto impacto têm em cidades do Nordeste não alteram a rotina de Arroio do Padre, município gaúcho de apenas 2.739 habitantes. Das 115 famílias pobres do município (segundo dados de setembro do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome), 104 receberam recursos do Bolsa Família no mês passado, em um total de R$ 5,38 mil. Entre essas famílias, é possível encontrar alguns dos 217 eleitores de Arroio do Padre que votaram em Lula no primeiro turno. "O Bolsa Família ajudou muito", diz a dona de casa Mariléia Nunes Lacerda, 29 anos, que repetiu neste ano a opção de 2002, quando também votou em Lula. Ela e o marido, Vanderlei Ramires (também eleitor de Lula), recebem auxílio mensal de R$ 80 do Bolsa Família, quantia que complementa o salário recebido no trabalho como diarista durante a safra agrícola. O casal tem dois filhos: Alexandro, 7 anos, matriculado na 1ª série do ensino fundamental, e Wellinton, 2 anos. "Percebi tudo o que ele (Lula) fez. Ele merece uma segunda chance", diz Mariléia. Mas nem todos os beneficiados pelo programa apóiam o presidente. "Ele não cumpriu com o que prometeu sobre o assentamento de famílias", diz o fumicultor Marcio Almeida, 26 anos, que tem uma filha de sete anos matriculada na escola e recebe R$ 15 do Bolsa Família há quatro meses. Almeida diz que sua renda foi afetada pela crise na lavoura de fumo. Afirma também que as denúncias de corrupção influenciaram sua escolha neste ano. Mas mesmo nas eleições de 2002, bem antes dos escândalos envolvendo o governo, o fumicultor já não apoiava o candidato do PT. Na época, seu voto foi para José Serra. Indicadores positivos Em seus pouco mais de cinco anos de história como município, Arroio do Padre pode se orgulhar de não sofrer com problemas que afetam muitas das cidades brasileiras. A economia vai bem. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita passou de R$ 4.568,81 em 2001 para R$ 6.588 em 2003, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A segurança, que tantos debates provocou nesta campanha eleitoral, não é uma grande preocupação no município, que ganhou sua independência de Pelotas em 1996, mas foi instalado oficialmente somente em 2001. O posto policial, no qual trabalham dois policiais a cada turno, se ocupa de roubos e furtos. Crimes violentos, com morte, não há.
Ao contrário de outros municípios da região, onde proprietários de terras temem as ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Arroio do Padre o tamanho médio das propriedades, de apenas 16 hectares, afasta o risco de ocupações. Entre os moradores, a maioria pequenos produtores rurais ou trabalhadores na lavoura, não há desemprego. Colonização As marcas da colonização alemã estão presentes em vários aspectos do dia-a-dia de Arroio do Padre. A arquitetura das casas e os jardins bem cuidados revelam a herança germânica dos moradores. Segundo o prefeito, cerca de 70% dos 2.739 habitantes do município são descendentes de imigrantes da região da Pomerânia. Até hoje, o dialeto pomerano é comum em Arroio do Padre. Muitas crianças só aprendem a falar português quando começam a freqüentar a escola. Os imigrantes deixaram sua marca também na religião. Segundo o pastor luterano Fabrício Weiss, que nasceu em Santa Catarina e vive em Arroio do Padre há pouco mais de um ano, aproximadamente 90% dos moradores do município são evangélicos. Weiss é pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil em Arroio do Padre. O município tem três igrejas luteranas, três evangélicas pentecostais e uma católica. Com exceção da crise na agricultura, drama que afetou todo o país e do qual os produtores de Arroio do Padre não puderam escapar, o principal problema é mesmo a "Federeca", nome dado à estrada que liga o município à BR-116. O asfaltamento do trecho de terra de 25 quilômetros é uma promessa antiga de vários governos, ainda não cumprida. O prefeito Gilnei Fischer afirma que outro pedido antigo é o asfaltamento do trecho de 3,8 quilômetros entre o núcleo central e um dos outros cinco núcleos que formam o município. Atualmente, apenas parte da rua principal é asfaltada. É nessa rua que estão instalados o banco, comércio de alimentos, oficina e o único restaurante da cidade. Essas medidas facilitariam o escoamento da produção agrícola e poderiam incentivar o turismo na região, diz o prefeito |
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