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Atualizado às: 24 de outubro, 2006 - 16h10 GMT (13h10 Brasília)
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Muro cria barreira ideológica na fronteira dos EUA

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Dois dos mais polêmicos temas das eleições de novembro nos Estados Unidos - a construção de uma barreira na fronteira entre México e Estados Unidos e a adoção de punições a imigrantes ilegais - são temas que provocam reações extremadas entre os moradores da divisa entre os dois países e uma clara polarização entre americanos e mexicanos.

A construção da barreira foi aprovada pelo Congresso e deve ser sancionada pelo presidente George W. Bush nos próximos dias. Ainda é incerto quando e com que dinheiro esta barreira, de cerca de 1.100 km, será construída.

Já a aplicação de punições a imigrantes ilegais, pelo menos parte delas, será decidida nas urnas no próximo dia 7 de novembro, em Estados como o Arizona - onde três propostas diretamente relacionadas ao tema imigração serão votadas em referendo.

As várias propostas em discussão deixaram mexicanos e americanos e democratas e republicanos em campos opostos.

É o que se pode observar em cidades como Nogales, no Arizona, "cidade-irmã" de Nogales, no México, que americanos e mexicanos cruzam regularmente, mas por motivos distintos.

Os moradores dos Estados Unidos vão à Nogales mexicana principalmente para fazer compras e turismo. Os mexicanos vão à Nogales americana principalmente para trabalhar.

Muro

A duas semanas do pleito que vai eleger os representantes para o Congresso e os governadores de 36 dos 50 Estados americanos, a aposentada Sandy Jonhston disse à BBC Brasil que está "cansada da imigração ilegal" e acrescentou: "Nós temos de obedecer às nossas leis, por que eles não têm de obedecê-las também?"

A moradora da cidade de Tucson, no sul do Estado, acredita que a construção de uma barreira representa uma tomada de posição firme por parte dos Estados Unidos. "Ao menos o muro preveniria que os menos audaciosos tentassem cruzar a fronteira."

Sandy conta que vai anualmente ao México para comprar medicamentos a preços baixos. Seu marido, Jim Johnston, diz que costuma cruzar a fronteira com a esposa para "comprar birita". "Comprei uma garrafa de Baileys por um bom preço", conta.

A aposentada defende que os americanos deram "uma vida mansa" para quem quer entrar ilegalmente no país, por isso acredita que os que tentam cruzar a fronteira por meios ilícitos deveriam ser "severamente punidos".

O mexicano Juan Carlos Uchoa trabalha numa companhia de seguros no México e diz que "o muro é bom para eles (os americanos), porque as pessoas que cruzam a fronteira invadem suas propriedas, pisam em sua grama. Mas é ruim para os imigrantes, pois os obriga a passar por lugares perigosos e colocar suas vidas em risco."

Punições a ilegais

Mas ele acredita que propostas como a formulada por candidatos a deputado pelo Partido Republicano, de negar assistência médica a imigrantes ilegais, são "injustas e desumanas".

"Uma pessoa que fica doente não pode ser privada de cuidados médicos, quer seja legal ou ilegal, quer seja do Brasil ou do México."

O mexicano Rosario Beltran conta que desde 1981 vem aos Estados Unidos para fazer trabalhos temporários: "Faço de tudo, agora estou trabalhando em reservas florestais do governo."

Ao final de alguns meses, Beltran, que é um imigrante legal, retorna a seu país. Para ele, as medidas ques estão sendo discutidas são muito negativas: "Somos nós, os latinos, os mexicanos, que levantamos este país", afirma.

"Penso como meu companheiro", acrescenta Manuel Vais. "Isso está muito mal. Estão nos tratando como criminosos. Todos temos direito de buscar trabalho. Se não conseguimos trabalhar em nossa terra, temos de vir aqui. A vida no México está crítica."

Vais também não vê cabimento em penalizar empregadores de imigrantes ilegais, uma das propostas formuladas por candidatos a diferentes cargos e por Estados distintos nas eleições.

"Não é um delito dar emprego a quem precisa dele. Crime seria deixar de oferecer trabalho aos necessitados. O que estão fazendo é uma discriminação."

O americano Robert Campbell, um motorista de ônibus de Tucson, pensa o contrário. Para ele, "o fardo deve cair sobre os empregadores de ilegais, que trazem para cá pessoas que não deveriam estar aqui. Se você impuser pesadas multas sobre eles, isso porá fim à imigração ilegal".

Propostas

Além de votar para governador, senador e deputado, os eleitores do Arizona irão se posicionar em relação a cinco propostas que constarão da cédula eleitoral no dia 7 de novembro.

As propostas relativas à imigração consistem em impor punições jurídicas a imigrantes ilegais, impedi-los de receber certos benefícios por parte do governo e negar o direito de fiança a ilegais que cometeram crimes nos Estados Unidos.

Uma recente pesquisa da Universidade do Arizona mostrou que 61% dos eleitores registrados são contra a aplicação de punições judiciais a imigrantes ilegais, enquanto 26% são a favor.

Metade dos entrevistados acredita que os imigrantes sem documentação devem ser impedidos de receber certos benefícios do governo, contra 35% contrários à medida.

Um total de 76% é a favor de que os ilegais que cometeram crimes em solo americano não tenham direito a fiança, contra 15% que se opõem à proposta.

Em relação a duas outras medidas que serão apresentadas no dia 7 de novembro, 51% se opõem a uma proposta de emenda da Constituição do Arizona que passaria a definir o casamento como a união entre um homem e uma mulher.

A medida foi defendida por 38% dos eleitores. Os eleitores mostraram ainda que 67% são a favor de estabelecer o inglês como língua oficial do país e 26% são contra a medida.

Um total de 28% dos 6 milhões de habitantes dos moradores do Arizona são de origem hispânica.

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