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Pequenas cidades dão maior vantagem a Lula sobre Alckmin | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A grande diferença geográfica entre os eleitorados dos dois presidenciáveis que passaram ao 2º turno não se limita ao contraste Norte-Sul. Embora com menor intensidade, também é possível identificar, nos mapas de votação do 1º turno, uma disparidade na distribuição dos votos segundo o porte dos municípios. Foi nas cidades médias, entre 50 mil e 500 mil eleitores, que o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) obteve seu melhor desempenho em 1º de outubro. O conjunto desses municípios reúne um terço do eleitorado brasileiro, ou cerca de 42 milhões de votantes, distribuídos entre 345 cidades, que se dividiram quase que meio a meio entre os dois favoritos: 176 a 169 em favor de Lula. Mococa No conjunto dessas localidades de médio porte o tucano obteve seu percentual mais alto de votos válidos: 43,1%, apenas três pontos percentuais a menos do que seu principal adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em votos, a diferença foi 1 milhão em favor do petista. O melhor exemplo de cidade média alckimista é Mococa, na fronteira paulista com Minas Gerais. Dos 50.075 eleitores do município, 80% compareceram para votar em 1º de outubro. Desses, três quartos votaram em Alckmin, seu recorde no segmento. Foram 27.652 votos contra 7.056 para Lula – uma votação praticamente quatro vezes maior para o tucano. A cidade, que tem um alto Índice de Desenvolvimento Humano (0,809), apresentava um baixo percentual de pessoas muito pobres no Censo 2000 (4,7%). Talvez por isso o repasse do Bolsa Família, até maio deste ano, foi baixo: R$ 69.240,00 para 1.311 famílias, o que dá uma média de apenas R$ 52,81 por família nos primeiros cinco meses do ano. A antítese eleitoral de Mococa é Serra Talhada, no sertão pernambucano. A abstenção entre os 51.276 eleitores chegou a 23,3%, mas entre os votos válido Lula chegou a nada menos do que 86,3%, sua maior marca entre municípios os médios brasileiros. O presidente recebeu oito vezes mais votos do que o tucano: 30.104 a 3.602. É praticamente a mesma diferença dos recursos repassados pelo principal programa social do governo petista ao município pernambucano até maio em comparação ao seu congênere paulista: R$ 602 mil, divididos entre 9.009 famílias, ou cerca de R$ 68 por família. A desproporção na quantidade de dinheiro repassado se explica, ao menos em parte, pela diferença no IDH das duas cidades (0,682 para Serra Talhada) e, principalmente, pela incidência muito maior da pobreza. Nada menos do que 30% dos habitantes dessa cidade do sertão nordestino eram muito pobres quando o Censo 2000 foi realizado. Cidades pequenas Foi nos municípios com menos de 50 mil eleitores que Lula construiu sua maior vantagem sobre o rival tucano. Foram 4,159 milhões de votos de frente para o petista, que superou o rival em 2.914 pequenas cidades, e foi superado em outras 2.285 pelo candidato do PSDB. O recorde de votação proporcional em Lula pertence à amazonense Manaquiri, com 93,4% dos válidos. Mas não foi um caso isolado. Em 669 municípios do porte, por exemplo, de Curuçá (PA), o presidente conseguiu pelo menos três quartos dos votos, somando 4,4 milhões, contra apenas 850 mil de Alckmin. Em comum, além da pobreza endêmica e do alto percentual de atendimento pelo Bolsa Família, essas cidades comungam a localização maciça nas regiões Norte e Nordeste do país. Se procurarmos um equivalente para o tucano o encontraremos bem mais ao sul, em municípios como Arroio do Padre. Com apenas 2.111 eleitores, essa pequena cidade gaúcha registrou, proporcionalmente, a maior diferença pró-Alckmin em todo o Brasil. O tucano recebeu 7,15 vezes mais votos do que o petista: 1.551 a escassos 217 votos. Mas foi um caso raro. O tucano recebeu mais de 75% dos votos válidos em apenas 70 municípios com menos de 50 mil eleitores. Neles, somou 393 mil votos, enquanto Lula fez 92 mil. Mas os 300 mil votos a mais para Alckmin não foram suficientes para compensar a vantagem aberta pelo petista dos pequenos municípios do Norte/Nordeste. Já nas 20 cidades com mais de 500 mil eleitores e que representam cerca de um quarto do eleitorado brasileiro, Lula abriu uma margem de 1,5 milhão de votos sobre o rival. O atual presidente venceu em 12: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Recife, Manaus, Belém, São Gonçalo (RJ), São Luís, Duque de Caxias (RJ), São Bernardo do Campo (SP) e Nova Iguaçu. Alckmin venceu em São Paulo, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Goiânia, Guarulhos, Campinas e Santo André (SP). |
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