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Mudança de corpo de Perón deixa 40 feridos na Argentina | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Pelo menos quarenta pessoas ficaram feridas na Argentina, segundo dados oficiais, durante confrontos entre diferentes facções de seguidores do ex-presidente argentino, Juan Domingo Perón, na cerimônia que marcou a chegada do corpo do político ao mausoléu do sítio “17 de outubro”, na cidade de São Vicente, na província de Buenos Aires. Foram mais de duas horas de correrias, pedradas, pauladas e tiros, mostrados ao vivo pelas principais emissoras de televisão da Argentina. Morto há trinta e dois anos, Perón estava sepultado no cemitério da Chacarita, no centro de Buenos Aires. Antes de morrer, Perón teria dito a alguns políticos que seu sonho era ser sepultado no sítio “17 de outubro” – data conhecida como “dia da lealdade” e comemorada pelos peronistas todos os anos desde 1945, quando ele entrou de vez para a política. Néstor Kirchner e Cristina Kirchner Nos últimos dias, a transferência do corpo do único homem que governou a Argentina três vezes (1946-1952, 1952-1955 e 1973-1974) foi o assunto mais destacado pela imprensa local. Chegou a ser anunciada a presença do presidente Néstor Kirchner e de sua esposa, a senadora Cristina Fernández de Kirchner, que liderariam a cerimônia no sítio onde Perón costumava passar os fins de semana com sua ex-mulher, Eva Perón, a Evita. Mas Kirchner desistiu de participar do comício depois que as emissoras de TV começaram a mostrar a batalha campal, com flagrante de um homem atirando contra a multidão e populares saindo aos prantos e às pressas do local.
Famílias inteiras e seguidores do peronismo – movimento político criado por Perón e Evita – abandonaram o local, cercado pela tropa de choque. Ainda assim paus e pedras continuavam sendo lançados pelos rebeldes. Desta vez, contra o sindicalista e caminhoneiro Hugo Moyano, da CGT (Central Geral de Trabalhadores) que tentou fazer discurso em homenagem ao ex-presidente. A CGT organizou, com outras sessenta e duas entidades sindicais, uma carreata que durou quase dez horas entre o centro de Buenos Aires e a cidade de São Vicente. “Somos todos peronistas”, disse Moyano sob vaias, que, em seguida, chamou os manifestantes de “imbecis e idiotas”. “Que Perón descanse em paz, como merece”, completou, em seguida, o senador Antonio Cafiero, de 84 anos, um conhecido “peronista histórico”. Depois, completou: "Continuaremos buscando a unidade dos peronistas". Em meio à tensão, pelo menos três governadores – das províncias de Formosa, Salta e San Juan – abandonaram o encontro às escondidas e antes do final da cerimônia, de acordo com a imprensa argentina. “Nós, peronistas, estamos acostumados a momentos de violência. Mas não podem nos impedir de realizar o desejo de Perón”, disse Omar Viviani, do sindicato dos taxistas. Queda de braço
A disputa já era prevista por alguns jornais desta terça-feira, como o Clarin, que informara a queda de braço entre diferentes setores para saber quem pegaria nas alças do caixão de Perón entre os jardins do sítio até o mausoléu, na parte interior do local. A transferência do corpo – cujas mãos foram misteriosamente roubadas nos anos setenta – só foi possível depois de autorização da última mulher do ex-presidente, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. Ela chegou à Presidência do país, após a morte de Perón e vive desde 1976 exilada na Espanha. Curiosamente, definem-se como peronistas, os ex-presidentes Carlos Menem (1989-1999), Eduardo Duhalde (2002-2003) e Néstor Kirchner – rivais políticos que foram contra (Menem) e a favor (Duhalde e Kirchner) da transferência do corpo de Perón. Duhalde também defende a remoção do corpo de Evita, que está no cemitério da Recoleta, no centro de Buenos Aires, para o mesmo mausoléu. Mas, outra vez, instalou-se a polêmica com seguidores do peronismo contra e a favor da medida. |
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