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Atualizado às: 11 de outubro, 2006 - 14h18 GMT (11h18 Brasília)
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2,5% dos iraquianos morreram desde a invasão do país, diz estudo
Carro-bomba em Bagdá
Insurgentes antiamericanos realizam ataques com vítimas civis
Pesquisadores americanos estimam que 655 mil iraquianos - o equivalente a 2,5% da população do país - tenham morrido como resultado da invasão americana em 2003.

O estudo da John Hopkins Bloomberg School of Public Health, a ser publicado nesta quinta-feira na revista médica britânica The Lancet, compara as taxas de mortalidade em 47 áreas do Iraque escolhidas aleatoriamente, antes e depois da intervenção militar dos Estados Unidos.

A grande maioria das mortes teria sido causada pela violência, sendo 56% delas provocadas por tiros, enquanto explosões e ataques aéreos seriam responsáveis por cerca de 14%.

Ainda de acordo com a pesquisa, 31% das mortes violentas poderiam ser atribuídas a ações das forças de coalizão.

O total de vítimas calculado pelo estudo é bem maior que as estimativas oficiais ou que o número de mortes reportado pela mídia.

"Não é confiável"

O presidente Americano, George W. Bush, afirmou em Washington que os números do estudo não são confiáveis, pois a metodologia usada já tinha sido desacreditada anteriormente.

Críticos afirmam que as conclusões da pesquisa não são precisas por se basearem em previsões estatísticas em vez de uma contagem real de corpos.

No entanto, o pesquisador Gilbert Burnham, que liderou o estudo, diz que este é o melhor método possível devido à falta de segurança no país.

Insurgentes contrários à presença americana no Iraque e grupos que praticam atos de violência sectária são considerados uma séria ameaça aos pesquisadores na região.

"Eu acredito que muitas pessoas inocentes perderam suas vidas... e isso me perturba, e me faz sofrer", disse Bush. "(mas) 600 mil ou o que seja que eles adivinharam é simplesmente... não é confiável."

Método

Os pesquisadores entrevistaram 1,8 mil famílias, chegando a um total de 12,8 mil pessoas, em diversas partes do Iraque.

Das 629 mortes registradas nas famílias ouvidas, 13% aconteceram nos 14 meses que precederam a invasão americana e 87%, nos 40 meses seguintes.

Se repetida em todo o país, essa tendência indicaria uma alta na taxa de mortes anuais de 5,5 em cada mil habitantes para 13,3 em cada mil.

Em cerca de 80% dos casos, os entrevistados mostraram certificados de óbito para confirmar as mortes relatadas.

A pesquisa atualiza os dados de um estudo anterior que concluiu, usando o mesmo método, que 100 mil iraquianos haviam morrido entre a invasão e abril de 2004, o que também foi refutado por simpatizantes da coalizão liderada pelos Estados Unidos.

Discrepância

Apesar de o número defendido pelos pesquisadores americanos ser bem maior que a contagem baseada em relatos da mídia, que dão conta de algo entre 44 e 49 mil civis mortos no período, eles afirmam que o total de vítimas pode ser ainda mais impressionante.

"Algumas famílias, especialmente as que tiveram militantes mortos, podem ter omitido dados. E a falta de informação sobre mortes infantis é uma preocupação comum neste tipo de pesquisa", dizem os autores do estudo.

Eles lembram ainda que famílias inteiras podem ter sido assassinadas, o que não deixaria sobreviventes para relatar as mortes.

Os pesquisadores pediram a formação de um corpo internacional para calcular o número de mortes no Iraque e monitorar a saúde das pessoas vivendo no país.

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