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Atualizado às: 09 de outubro, 2006 - 12h38 GMT (09h38 Brasília)
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42% das empresas no Brasil 'perderam contratos' para rivais corruptos

Cerca de duas em cada cinco empresas operando no Brasil acreditam ter perdido um negócio nos últimos 12 meses porque um competidor pagou propinas para ganhar o contrato, segundo uma pesquisa internacional divulgada nesta segunda-feira.

Apesar do resultado, poucas empresas atuando no Brasil dizem conhecer a legislação anti-corrupção, ter realizado revisões de seus procedimentos internos ou promovido programas de treinamento anti-corrupção entre seus funcionários.

O índice verificado no Brasil, de 42%, é o segundo mais alto entre os sete países avaliados e só é menor do que o verificado em Hong Kong, onde 66% das empresas têm essa percepção.

Segundo o levantamento da consultoria Control Risks e da empresa de advocacia internacional Simmons & Simmons, os países com os menores índices são Estados Unidos, com 20%, e Grã-Bretanha, com 22%.

Otimismo

Apesar do elevado percentual de empresas que se dizem prejudicadas pela corrupção, o levantamento indica que as empresas baseadas no Brasil têm o maior índice de otimismo sobre redução da corrupção no futuro entre os sete países.

“Os executivos brasileiros ouvidos admitem que a corrupção é um problema sério e que prejudica as empresas, mas também acham que a tendência é a situação melhorar, ainda que leve bastante tempo”, disse à BBC Brasil John Bray, consultor anti-corrupção da Control Risks e organizador da pesquisa.

“Muitos citaram o Custo-Brasil como um aumento no custo de operação por conta dos gastos com corrupção e propinas”, diz Bray. “Mesmo as boas companhias, com procedimentos totalmente corretos, enfrentam problemas para operar internacionalmente, por causa da percepção da corrupção no país.”

Percepção

O levantamento indicou ainda que apenas 18% das empresas baseadas no Brasil deixaram de fazer um negócio aparentemente atraente por causa da reputação do país sobre a corrupção – o índice mais baixo entre os sete países pesquisados. Na outra ponta da tabela está a Grã-Bretanha, com 52%.

O Brasil aparece também com os piores índices quando consideradas as percepções e ações das empresas em relação ao combate à corrupção.

A revisão de práticas e procedimentos anti-corrupção nos três anos anteriores à pesquisa ocorreu em apenas 12% das empresas brasileiras pesquisadas, enquanto nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha este índice foi de 74% e 64%, respectivamente.

Apenas 16% dos executivos brasileiros disseram ter conhecimento detalhado ou muito detalhado sobre a legislação relacionada à corrupção, enquanto 70% se disseram totalmente ignorantes sobre essas leis.

Na Holanda, apenas 32% disseram desconhecer totalmente a legislação anti-corrupção, e 42% afirmaram ter conhecimentos detalhados ou muito detalhados.

Conduta

Quando questionados sobre os seus códigos internos de conduta, 24% das empresas brasileiras disseram ter normas que proíbem explicitamente o pagamento de subornos, contra 92% das empresas na Grã-Bretanha e na Alemanha, 90% das companhias nos Estados Unidos e na Holanda e 86% na França.

As empresas baseadas no Brasil também têm o menor índice de realização de programas para treinar executivos sobre as formas de evitar a corrupção – 18%. Nos Estados Unidos, esse índice chega a 76%.

Apesar disso, as companhias brasileiras se mostraram mais otimistas com o futuro que as dos demais países – 38% dos executivos ouvidos disseram esperar que a corrupção diminua nos próximos cinco anos, contra apenas 22% que esperam que ela aumente.

“Isso mostra que o Brasil não é um caso perdido”, afirma John Bray. “O que é importante é que as pessoas reconhecem o problema e sabem que levará um tempo para as coisas mudarem, mas que é possível melhorar”, avalia.

Para ele, é importante que todos reconheçam que “todos perdem” com a corrupção. “A corrupção é ruim para as empresas, que podem ganhar no curto prazo se pagarem propinas, mas perderão no longo prazo com a redução dos negócios. Ela é ruim para os governos, que não recebem pelo que pagaram, e ruim para os clientes, que têm acesso a serviços ou a produtos de qualidade inferior ou a preços mais altos”, avalia.

A pesquisa da Control Risks e da Simmons & Simmons foi feita com base em 350 entrevistas com 50 empresas em cada um dos sete países avaliados.

CorrupçãoCorrupção
Especial mostra escala do problema em outros países.
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