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42% das empresas no Brasil 'perderam contratos' para rivais corruptos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Cerca de duas em cada cinco empresas operando no Brasil acreditam ter perdido um negócio nos últimos 12 meses porque um competidor pagou propinas para ganhar o contrato, segundo uma pesquisa internacional divulgada nesta segunda-feira. Apesar do resultado, poucas empresas atuando no Brasil dizem conhecer a legislação anti-corrupção, ter realizado revisões de seus procedimentos internos ou promovido programas de treinamento anti-corrupção entre seus funcionários. O índice verificado no Brasil, de 42%, é o segundo mais alto entre os sete países avaliados e só é menor do que o verificado em Hong Kong, onde 66% das empresas têm essa percepção. Segundo o levantamento da consultoria Control Risks e da empresa de advocacia internacional Simmons & Simmons, os países com os menores índices são Estados Unidos, com 20%, e Grã-Bretanha, com 22%. Otimismo Apesar do elevado percentual de empresas que se dizem prejudicadas pela corrupção, o levantamento indica que as empresas baseadas no Brasil têm o maior índice de otimismo sobre redução da corrupção no futuro entre os sete países. “Os executivos brasileiros ouvidos admitem que a corrupção é um problema sério e que prejudica as empresas, mas também acham que a tendência é a situação melhorar, ainda que leve bastante tempo”, disse à BBC Brasil John Bray, consultor anti-corrupção da Control Risks e organizador da pesquisa. “Muitos citaram o Custo-Brasil como um aumento no custo de operação por conta dos gastos com corrupção e propinas”, diz Bray. “Mesmo as boas companhias, com procedimentos totalmente corretos, enfrentam problemas para operar internacionalmente, por causa da percepção da corrupção no país.” Percepção O levantamento indicou ainda que apenas 18% das empresas baseadas no Brasil deixaram de fazer um negócio aparentemente atraente por causa da reputação do país sobre a corrupção – o índice mais baixo entre os sete países pesquisados. Na outra ponta da tabela está a Grã-Bretanha, com 52%. O Brasil aparece também com os piores índices quando consideradas as percepções e ações das empresas em relação ao combate à corrupção. A revisão de práticas e procedimentos anti-corrupção nos três anos anteriores à pesquisa ocorreu em apenas 12% das empresas brasileiras pesquisadas, enquanto nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha este índice foi de 74% e 64%, respectivamente. Apenas 16% dos executivos brasileiros disseram ter conhecimento detalhado ou muito detalhado sobre a legislação relacionada à corrupção, enquanto 70% se disseram totalmente ignorantes sobre essas leis. Na Holanda, apenas 32% disseram desconhecer totalmente a legislação anti-corrupção, e 42% afirmaram ter conhecimentos detalhados ou muito detalhados. Conduta Quando questionados sobre os seus códigos internos de conduta, 24% das empresas brasileiras disseram ter normas que proíbem explicitamente o pagamento de subornos, contra 92% das empresas na Grã-Bretanha e na Alemanha, 90% das companhias nos Estados Unidos e na Holanda e 86% na França. As empresas baseadas no Brasil também têm o menor índice de realização de programas para treinar executivos sobre as formas de evitar a corrupção – 18%. Nos Estados Unidos, esse índice chega a 76%. Apesar disso, as companhias brasileiras se mostraram mais otimistas com o futuro que as dos demais países – 38% dos executivos ouvidos disseram esperar que a corrupção diminua nos próximos cinco anos, contra apenas 22% que esperam que ela aumente. “Isso mostra que o Brasil não é um caso perdido”, afirma John Bray. “O que é importante é que as pessoas reconhecem o problema e sabem que levará um tempo para as coisas mudarem, mas que é possível melhorar”, avalia. Para ele, é importante que todos reconheçam que “todos perdem” com a corrupção. “A corrupção é ruim para as empresas, que podem ganhar no curto prazo se pagarem propinas, mas perderão no longo prazo com a redução dos negócios. Ela é ruim para os governos, que não recebem pelo que pagaram, e ruim para os clientes, que têm acesso a serviços ou a produtos de qualidade inferior ou a preços mais altos”, avalia. A pesquisa da Control Risks e da Simmons & Simmons foi feita com base em 350 entrevistas com 50 empresas em cada um dos sete países avaliados. |
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