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'Alckmin teria mais dificuldade para governar', diz brasilianista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O brasilianista Timothy Power, do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford, acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria mais facilidade em conseguir apoio no Congresso, se reeleito, que seu adversário, Geraldo Alckmin. Power afirma que importantes lideranças do partido que faria a diferença numa coalizão governista, o PMDB, vêm apoiando o presidente Lula nos últimos anos e provavelmente continuariam a fazê-lo. Para o pesquisador, caso Alckmin vença as eleições no fim de outubro, a situação política voltará ao que era durante o governo Fernando Henrique Cardoso, em que havia um PMDB governista e um PMDB de oposição. "Acredito que se Alckmin chegar à presidência, há grandes chances de que ele tenha que buscar alianças com partidos menores, como o PP e o PL. Não é que seja impossível ele conseguir maioria no Congresso, mas é mais difícil", afirma Power. Timothy Power participou de um debate sobre o futuro político e econômico do Brasil, na Chatham House, em Londres, nesta segunda-feira. Todos os palestrantes evitaram fazer uma aposta em quem seria eleito o próximo presidente do país. "Se eu jogasse uma moeda pro alto, teria tantas chances de acertar quanto qualquer outro", afirmou o pesquisador Anthony Pereira, da Universidade de East Anglia. Bolsa-família e populismo Tanto Power quanto Pereira sublinharam a importância do programa bolsa-família para o aumento da popularidade do presidente Lula nas regiões mais pobres do país. Power chamou atenção ainda para a rápida expansão do programa na segunda metade do governo Lula. Segundo ele, enquanto em 2004 o percentual de famílias elegíveis atendidas pelo bolsa-família era de 59%. Em 2005, este número teria subido para 77%, chegando a quase 100% em 2006. "O bolsa-família foi um fator fundamental não só por melhorar a imagem de Lula, mas também por ter aumentado o comparecimento às urnas em regiões como o Nordeste, além de ter diminuído o numero de votos inválidos", diz Power. Para Anthony Pereira, Lula é criticado por ser populista e "comprar votos" com o bolsa-família, enquanto muitos defendem que a classe média esclarecida está mais preocupada com os escândalos de corrupção, mas ele discorda destas afirmações. "Essa dicotomia é equivocada. Todos, inclusive a classe média, pensam nas vantagens econômicas que terão votando em um candidato ou em outro. Não vejo Lula como um populista." Power concorda que o presidente não é um populista, mas afirma que ele "está cada vez menos relutante em atuar como um". Para o pesquisador, caso chegue ao segundo mandato, Lula vai se preocupar mais em gerenciar seus programas sociais, sem ter uma agenda política clara. O brasilianista frisa ainda que há uma dissociação entre o PT e o presidente. "O voto no Lula não é mais o voto no PT. O partido conduziu bem a situação depois dos escândalos de corrupção, mas perdeu muitas lideranças importantes e ficou afastado da imagem do presidente. A questão agora é encontrar novos líderes petistas. Acho que a grande estrela no momento é Jacques Wagner", diz Power. Economia O professor Ed Amann, da Universidade de Manchester, se concentrou nos aspectos econômicos no Brasil. Ele considera a que o país "teve uma performance respeitável, mas não espetacular" nos últimos anos e afirma que o desafio para o Brasil é conseguir melhorar consideravelmente o crescimento do PIB (produto interno bruto). "A questão central para a economia brasileira é se o país vai se acomodar com os altos preços das commodities no mercado internacional ou se vai usar o ambiente favorável para investir nas indústrias e serviços do futuro para conseguir esse crescimento", diz Amann. "Minha maior preocupação é que quem quer que ganhe as eleições ignore esse assunto." Outra questão a ser enfrentada pelo Brasil, segundo Amann, é a melhoria da competitividade. "O país tem que se tornar mais atraente para negócios sem que os avanços sociais sejam ameaçados." Ed Amann acredita que, para a economia, não há uma grande diferença entre os candidatos, apesar de achar que o investidor estrangeiro vê Geraldo Alckmin com bons olhos. "O mercado pode preferir Alckmin não só por ele ser mais voltado para a liberalização do mercado, mas por ele ser visto como um par de mãos limpas, enquanto Lula está cercado de escândalos." |
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