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Historiador lamenta falta de debate sobre política externa | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O historiador e cientista político Marco Antonio Villa, professor da Universidade Federal de São Carlos, lamenta a falta de um debate mais amplo sobre as propostas de política externa dos candidatos à Presidência da República. Villa lembra que o Brasil não tem tradição de discutir as questões internacionais, mas diz que nos últimos anos o assunto ganhou maior importância, com o aumento das exportações brasileiras. Mas isso, afirma o historiador, não se refletiu nesta campanha, onde houve uma abordagem "paroquial" do assunto, que praticamente não foi discutido nem na propaganda eleitoral nem nas entrevistas. Na opinião de Villa, apenas questões tópicas foram tratadas, como a crise com a Bolívia – que foi minimizada pelo presidente Lula e criticada por Alckmin. "Não se falou em Mercosul, Venezuela, relações com a China", diz o historiador. "Esta campanha é de uma pobreza ideológica muito grande." Diferenças Embora não tenham discutido idéias, os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin mostraram na propaganda de TV imagens suas em visitas a outros países. Alckmin apareceu em encontros com políticos nos Estados Unidos, Portugal e Japão. Lula mostrou imagens de suas viagens ao redor do mundo e, na semana passsada, protagonizou uma polêmica ao exibir uma montagem de palmas após seu discurso na ONU. Para Carlos Pio, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), os programas de governo de Lula e Alckmin na área de política externa apresentam propostas bem distintas. "Alckmin quer dar um tom mais pragmático, com uma orientação para resultados econômicos, ao contrário da orientação terceiro-mundista do presidente Lula", diz o professor. No programa de reeleição de Lula, Pio vê a continuidade da política colocada em prática nos primeiros quatro anos, que representa a agenda política tradicional do Itamaraty, com ênfase nas relações entre os países em desenvolvimento e a pretensão de transformar o país em um ator importante nas relações multilaterais, tanto de comércio quanto políticas. "A perspectiva de Alckmin é mais realista, mais comercial, buscando alianças com os parceiros mais tradicionais", afirma. Já Cristóvam Buarque e Heloisa Helena, diz o professor, têm programas de esquerda, mas com propostas vagas. Repetição Os dois analistas criticam a repetição, no programa de Lula, da política do governo atual "sem aprendizado". "A política externa (do governo Lula) foi criticada por todos os lados, mas o Itamaraty não admite erros", diz Pio. "Embora o Brasil tenha passado a aparecer mais no cenário internacional nos últimos anos, é uma política sem frutos", afirma Villa. O historiador lembra que o Brasil não venceu nenhuma das disputas em que entrou, como a reforma do Conselho de Segurança, a direção da Organização Mundial do Comércio ou mesmo a retomada das negociações da Rodada de Doha, além de liderar um Mercosul enfraquecido, com o Uruguai querendo negociar com os Estados Unidos. "Só falar não adianta. O Brasil precisa crescer para ter importância no mundo", avalia o professor da Universidade Federal de São Carlos. Ao mesmo tempo, Villa diz que Alckmin não consegue se apoiar na política do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, porque ele também não teve um saldo positivo nesta área. "A gestão FHC foi muito tímida e até omissa", conclui. |
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