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Pesquisador de Oxford diz que '2º mandato não terá novidades' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um eventual segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva será apenas uma consolidação do primeiro, sem "grandes inovações" ou "grandes reformas" na opinião do brasilianista Timothy Power, do Centro de Estudos Brasileiros de Oxford, na Grã-Bretanha. Segundo Power, se reeleito, Lula não terá muitas das "ferramentas" que tinha no início do primeiro mandato, que possibilitaram algumas reformas. "O governo vai ter uma coalizão menos coerente, mais heterogêna, o tamanho do PT vai ser menor e também o Lula perdeu vários articuladores políticos", afirmou. "Ele não vai ter, por exemplo, a força que o Palocci teve no primeiro, segundo ano. Não vai ter mais a força que o Dirceu teve, não vai ter mais João Paulo Cunha como presidente da câmara, que foi instrumental no legislativo", completou. Para o brasilianista, essa "diluição ideológica" do governo vai ocorrer devido ao "desgaste" político sofrido pelo PT por conta da série de escândalos envolvendo o partido. "O programa do PT é muito defensivo. É cheio de coisas do tipo 'nós tivemos que fazer aquilo', 'nós fomos obrigados a fazer isso', então dificilmente você vai ver iniciativas inovadoras de que um partido que está se justificando o tempo todo. O PT mudou para o centro e no centro vai permanecer", afirmou. Eleições Por outro lado, segundo Power, esse "desgaste" do PT acabou contribuindo para uma campanha eleitoral favorável ao presidente, que acabou "liberado" para fazer outras alianças. Power não acredita num impacto negativo do escândalo do dossiê para a candidatura de Lula. "Eu acho que pode ter um impacto de dois, três ou quatro pontos, mas não vai influir muito no resultado final", afirma. "A gente fez a mesma pergunta com o Lula em várias ocasiões no último ano. Primeiro com o mensalão, depois com a demissão do Palocci, e eu não vejo porque seria diferente dessa vez", afirmou. Para Power, Lula conseguiu "consolidar uma liderança que não se vê desde a morte de Getúlio Vargas". Segundo Power, o presidente se beneficia de uma arma que os outros políticos não têm. "Um presidente que tem raízes populares, tem uma conexão direta com o povo, vai ter uma popularidade mais estável, que resiste mais a desafios conjunturais", afirma. Governabilidade Power também não acredita que o atual escândalo terá um impacto na governabilidade de um eventual segundo mandato. Fazendo uma alusão à comparação entre a atual crise envolvendo Lula e o escândalo do Watergate (que levou ao impeachment do presidente americano Richard Nixon), ele disse que, se Lula for reeleito, o Congresso brasileiro será dominado pela coalizão do governo e não será "soberano e autônomo como era o americano". Um impacto só poderia vir a ser sentido se alguém fizesse a mesma pergunta feita na época do Watergate: "O que o presidente sabia e quando ele ficou sabendo?". "Essa pergunta, na época do escândalo do mensalão, quase não foi feita. Então, se não houver uma indicação dessas, uma investigação policial pode vir a incriminar alguma pessoa do gabinete, mas não deve afetar o presidente", concluiu. |
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