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Atualizado às: 26 de setembro, 2006 - 18h41 GMT (15h41 Brasília)
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Brasil pode crescer sem medo da inflação, diz Stiglitz

O economista Joseph E. Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia de 2001
Para Stiglitz, Brasil sofre efeito de recomendações econômicas erradas
O economista Joseph E. Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia de 2001, acredita que, em um possível segundo mandato, Luiz Inácio Lula da Silva não precisa se preocupar tanto com o controle inflacionário e por isso pode adotar uma política econômica que concilie crescimento econômico e juros baixos.

Stiglitz, que veio a Washington lançar seu mais recente livro, Making Globalization Work, disse à BBC Brasil que não existem mais temores de que o Brasil volte a sofrer uma inflação elevada. ''Por isso, a questão agora é: O Brasil pode crescer mais rápido, com taxas de juros mais baixas e sem a ameaça inflacionária? A resposta certa é que sim.''

De acordo com o autor, Lula investiu muito em ''dar credibilidade às suas políticas e procurou mostrar que era capaz de promover um macrogerenciamento responsável''.

Em um possível segundo mandato, Stiglitz acredita que o presidente deve ''tirar proveito do investimento que fez, baixando as taxas de juros e permitindo a retomada do crescimento''.

"Cautela excessiva"

No entender de Stiglitz, em seu primeiro mandato, o presidente Lula pecou por aplicar uma política monetária ''excessivamente cautelosa e exageradamente focada no combate à inflação''.

 Os brasileiros, que durante 75 anos viram sua economia crescer a uma taxa superior a 5% ao ano, agora ficam felizes quando o crescimento chega a 3%.
Joseph Stiglitz

Segundo o Prêmio Nobel, por conta dessa política, ''ao longo dos últimos quatro anos, as exportações brasileiras dobraram, mas a economia do país teve um desempenho pobre''.

Stiglitz frisa, no entanto, que ''o Brasil tem sido muito bem-sucedido e inovador em suas políticas sociais, como no combate à fome, mas o crescimento, de um modo geral, foi decepcionante. O próprio Brasil reconhece isso''.

Tese

Uma das principais teses do mais recente livro de Stiglitz é que o modelo de crescimento econômico seguido pelos países asiáticos foi muito mais eficaz do que o adotado pelas nações latino-americanas, que seguiram o Consenso de Washington - termo cunhado em 1989 pelo economista John Williamson, autor de uma lista de recomendações neo-liberais destinadas a países em desenvolvimento.

''Atualmente, já não há mais dúvida de que o modelo asiático funcionou muito melhor. Não apenas em termos de crescimento econômico, como também em termos de redução da pobreza'', diz o economista.

Stiglitz acrescenta que os países latino-americanos adotaram políticas impostas por instituições internacionais. ''Essas práticas faziam parte de uma ideologia que não aceita o princípio que o desenvolvimento bem-sucedido exige um equilíbrio entre o papel do governo e o papel do mercado.''

De acordo com o Prêmio Nobel, todos os países em desenvolvimento que enfrentaram crises financeiras nos anos 90 deram ouvidos aos conselhos dos órgãos financeiros internacionais.

''Os únicos que não passaram por essas crises foram a Índia e a China, que nunca seguiram tais recomendações'', afirma Stiglitz, que é um crítico contumaz de políticas do FMI para países em desenvolvimento.

O Brasil, segundo o economista, se encontra na categoria dos que deram atenção excessiva às recomendações das instituições financeiras. O resultado, diz o economista, é que ''os brasileiros, que durante 75 anos viram sua economia crescer a uma taxa superior a 5% ao ano, agora ficam felizes quando o crescimento chega a 3%''.

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