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Brasil caminha para uma explosão, diz Cristovam Buarque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Candidato à Presidência da República pelo PDT, o senador Cristovam Buarque diz que o Brasil caminha para uma explosão e que a população vai ter que decidir nos próximos anos se quer ou não "desarmar a bomba". Em entrevista à BBC Brasil, Cristovam condena a falta de controle dos gastos públicos, afirma que a violência nas grandes cidades é um problema federal, defende um debate amplo sobre o sistema previdenciário e diz que o Brasil só conseguirá avançar se fizer uma "revolução na educação". "O Brasil esbarrou em dois muros: o muro da desigualdade, que separa os pobres dos ricos, e o muro do atraso, que separa o Brasil dos países desenvolvidos", avalia o candidato. "Só tem uma maneira de a gente romper esses dois muros: a educação." A BBC Brasil convidou os quatro principais candidatos à Presidência para entrevistas sobre suas propostas para o país. Cristovam Buarque foi o primeiro a aceitar o convite. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, o ex-governador Geraldo Alckmin, do PSDB, e a senadora Heloísa Helena, do PSOL, também foram convidados, mas ainda não responderam o convite. Revolução Cristovam Buarque afirma que, para dar início a uma "revolução na educação", o Brasil precisa investir R$ 7 bilhões a mais do que o país já gasta com o setor para equipar escolas, formar professores e aumentar os salários dos profissionais mais bem qualificados. "Hoje, é isso. Daqui a três anos, a gente vai ter que chegar a R$ 20 bilhões", estima o candidato. "Hoje, se você der R$ 20 bilhões, isso vai se perder porque a educação não muda só com dinheiro." Na opinião do senador, além do aumento do investimento no setor, o Brasil precisa federalizar a educação básica e definir padrões mínimos para todas as escolas brasileiras. Ministro da Educação nos primeiros 13 meses do governo Lula, Cristovam Buarque avalia que atualmente o nível das escolas públicas é "ruim" e diz que as universidades federais só terão "os filhos das camadas pobres" com a melhora da qualidade do ensino público. O senador afirma, no entanto, que o dinheiro para a educação básica não deve sair das universidades estatais, mas sim de outras áreas do orçamento. Uma opção, de acordo com Cristovam, seria um decreto que contingenciasse 1% de todo o orçamento da União para a educação. Outra alternativa proposta pelo candidato é utilizar na educação parte do dinheiro que o governo federal gasta atualmente com publicidade, subsídios e renúncias fiscais ou parte do lucro que o Brasil ganha com as estatais. "O importante é saber que se (o governo) não fizer isso, vai custar muito mais", diz o senador. "O Brasil vai ter que fazer uma opção: gasta esse dinheiro em educação ou continua ficando para trás." Economia Ao falar de suas propostas para a economia brasileira, Cristovam Buarque afirma que não acredita em redução de juros por meio de um decreto, e sim como resultado de um controle dos gastos nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Se isso não ocorrer, diz o candidato do PDT, o Brasil seguirá "no rumo do desastre". O senador defende ainda que os custos com a Previdência sejam bancados pelo governo com recursos do orçamento, mas afirma que o sistema previdenciário precisa passar por uma revisão. "Os jovens atuais vão pagar mais ou vão adiar a data da aposentadoria deles? Vai ter que haver uma das duas (opções)", diz o candidato. "Isso não seria feito pelo governo sozinho. Seria debatido em um conselho onde estejam os jovens que trabalham, os aposentados, o governo e os empresários." Para melhorar o perfil do emprego e do trabalhador no Brasil, Cristovam Buarque avalia que o país precisa melhorar sua infra-estrutura, estimular os investimentos, reduzir a carga fiscal e garantir a estabilidade da economia e das regras jurídicas. Aos mais pobres, o senador propõe que o programa Bolsa-Família seja substituído pelo "Emprego Social", que ofereceria um benefício semelhante ao atual em troca de serviços comunitários e ajudaria as famílias carentes não atendidas pelo Bolsa-Escola. Segurança e 1° turno O candidato do PDT reconhece que a segurança pública será um dos desafios do próximo governo. Para o senador, o Brasil passa por uma "guerra civil" e a violência é um problema federal. Cristovam Buarque sugere a criação de um Ministério da Segurança Pública e de um sistema federal de informações sobre a criminalidade. O candidato defende ainda que 1 milhão de jovens sejam incorporados a um "serviço civil" administrado pelas Forças Armadas. Ao comentar a votação do próximo domingo, o senador diz acreditar que a eleição só será decidida no 2° turno. O candidato acrescenta, no entanto, que o presidente Lula terá uma "tentação autoritária muito grande" se for reeleito no 1° turno. Cristovam admite não ter evidências disso, mas diz temer essa hipótese por não acreditar que Lula consiga cumprir suas promessas de campanha. |
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