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Escândalo pode prejudicar 2º mandato de Lula, diz brasilianista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O chamado escândalo do dossiê terá um impacto negativo em um eventual segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na opinião do cientista político e brasilianista francês Stéphane Montclair. Montclair diz que o impacto inicial será pequeno e não deverá impedir a vitória do presidente, já que Lula está conseguindo "costurar apoios para ter uma maioria no Congresso", mas ele ressalta que essa mesma maioria será fragilizada à medida em que as investigações sobre o escândalo avançarem. "A Justiça está atualmente trabalhando nos casos já revelados. Pouco a pouco, os resultados vão aparecer. Aí será o momento de testar a solidez da maioria, porque algumas pessoas podem ser tentadas a usar esses resultados para fragilizar o presidente", afirma Montclair. Segundo o brasilianista, esse quadro poderá se consolidar à medida em que as próximas eleições se aproximarem. "Essa maioria será formada acima de tudo por pessoas de outros partidos, principalmente do PMDB, e algumas pessoas dentro do partido podem pensar que na perspectiva de 2010 e mesmo talvez na perspectiva das eleições municipais de 2008, seja uma boa idéia fragilizar Lula ". Isso, segundo Montclair, vai acabar se refletindo na própria "existência" e na "qualidade" dessa maioria. Primeiro turno Por outro lado, na opinião do brasilianista, só uma prova concreta de envolvimento do presidente no atual escândalo do dossiê ou no caso do mensalão poderia impedir a vitória de Lula já neste domingo. Por enquanto, ele acredita que o presidente tem uma vantagem suficiente para permitir uma perda pequena de eleitores. O brasilianista diz que o impacto da mais recente crise é moderado devido à proximidade das eleições, já que muitos votos já estão consolidados. "Eu acho que alguns eleitores que antes do caso queriam votar em Lula com alguma convicção continuam a dizer nas pesquisas que vão votar Lula, mas vão votar Lula com menos alegria", afirma. "Complicado demais" Montclair afirma também que o nível baixo de instrução de grande parte do eleitorado impede uma avaliação mais profunda da atual crise. "Todas as pesquisas, tanto no Brasil como em outros países, mostram que existe uma correlação forte entre o grau de instrução da população e o interesse pela vida política e o espaço público", afirma. "Quanto mais o acontecimento é complicado de entender, menos impacto ele vai ter nas camadas da população com grau de instrução baixo", completou. Segundo Montclair, a mesma coisa aconteceu na época do mensalão. "No começo, o impacto foi grande. A palavra pegou e as acusações correspondiam à idéia que a população tem dos políticos. Mas, depois, quando a situação se aprofundou, ficou um caso muito difícil de entender, e o impacto se reduziu pouco a pouco". |
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