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Eleição brasileira deve servir de lição a Kirchner, diz jornal | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O resultado da eleição presidencial de domingo no Brasil deve servir de “lição” para o presidente argentino Néstor Kirchner para que ele não cante vitória antes do tempo para o pleito presidencial do ano que vem, na avaliação de um artigo de opinião publicado pelo jornal La Nación. Para o colunista Joaquín Morales Solá, “sem querer, Lula fez um favor à Argentina, quando comprovou dramaticamente que a política nunca é estática e que até as melhores pesquisas podem se equivocar”. “As boas pesquisas (não são as que Kirchner observa) raramente traduzem o estado de ânimo das sociedades; expressam somente tendências, muitas vezes transitórias e até contraditórias, das vibrações sociais”, afirma Morales Solá. “Se já é um erro esperar uma eleição sentado sobre a bonança das pesquisas, um erro ainda maior é governar levados pelo oscilante humor social”, conclui o texto. Em outra reportagem, o jornal relata que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador Geraldo Alckmin “começaram ontem uma corrida contra o relógio para conquistar apoios políticos com vistas ao segundo turno, em 29 de outubro”. O diário avalia, porém, que “os apoios políticos passam a segundo plano diante dos três debates que os candidatos enfrentarão”. "Voto inesperado" Outro jornal argentino, o Clarín, comenta em editorial “o inesperado voto brasileiro” e diz que o resultado pode ter mostrado, “de imediato, o mal-estar de um segmento dos eleitores com um escândalo de corrupção política e pela atitude do presidente Lula”. O texto afirma, porém, que a explicação se deve ainda a “questões mais antigas vinculadas às formas de fazer política e com os resultados da economia”. Para o Clarín, o caso do dossiê “pode ter causado saturação mais que surpresa, porque se inscreveu em uma série de fatos de corrupção política que envolveram inclusive colaboradores próximos a Lula”. No campo econômico, observa o jornal, o governo Lula promoveu programas sociais e aumentou o salário mínimo, o que explica a boa votação do presidente nas regiões mais pobres, mas “nos quatro anos de governo a economia brasileira cresceu muito modestamente e se permitiu uma revalorização do real que está afetando as indústrias”. PSDB fortalecido O diário francês Le Monde, por sua vez, comenta sobre a possibilidade de “a coalizão dos social-democratas e da direita liberal” de voltar ao poder após quatro anos de governo do Partido dos Trabalhadores. O jornal observa, porém, que hoje o PSDB está mais fortalecido em sua aliança com o PFL do que há 12 anos, quando os partidos se uniram para apoiar a candidatura de Fernando Henrique Cardoso à Presidência. Entre as razões para isso, segundo o Monde, está a derrota do PFL em algumas de suas principais bases de apoio, como a Bahia do senador Antônio Carlos Magalhães. Para o jornal, “mesmo que os programas dos dois candidatos que disputarão o segundo turno se assemelhem, as expectativas em relação a Alckmin são grandes: rigor ético, mais ordem nas finanças públicas e até mesmo uma retomada das privatizações”. Vantagem Na Espanha, o jornal ABC avalia que “Alckmin começa a corrida ao poder no Brasil com o vento a favor”, dizendo que “a diferença de quase seis pontos percentuais com Lula é a menor desde dezembro do ano passado, quando o presidente sofria o desgaste do ‘mensalão’”. “A diferença é que Alckmin agora é conhecido em todo o país e tem o respaldo de seu partido e de seus aliados, que há até menos de um mês não davam nada por ele”, diz o jornal. Para o ABC, “os dois candidatos se diferenciam também no semblante”. “Ao contrário de Lula, que se mostrou abatido em sua primeira aparição pública depois do primeiro turno, Alckmin não cabe em si de felicidade e já saiu às ruas de São Paulo para começar o corpo a corpo com os eleitores.” Outro jornal espanhol, La Vanguardia, tem analise oposta, afirmando que “Lula parte com uma sensível vantagem eleitoral diante de Alckmin”. “No momento, a realidade é que o presidente e candidato à reeleição precisa somar só dois milhões de votos aos já obtidos no primeiro turno. Alckmin, por sua vez, deverá conseguir que sejam, ao menos, nove milhões de brasileiros mais os que lhe dêem sua confiança em 29 de outubro”, diz a reportagem do jornal. |
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