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Analistas egípcios esperam pouco da visita de Rice | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Analistas egípcios esperam pouco desta visita ao Oriente Médio de Condoleezza Rice, que nesta terça-feira passa pelo Cairo para encontros com autoridades locais e também representantes dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). “Rice vem ver o que fazer para impedir que a situação no Oriente Médio continue a se deteriorar. Mas há pouco que possa ser feito, porque esta Casa Branca não tem intenção de mudar suas políticas para a região”, avalia o cientista político da Universidade Americana do Cairo, Walid Kazziha. Há pouco mais de um ano – em outra visita ao Cairo – Rice admitiu, em discurso, que os americanos haviam por décadas “preferido promover a estabilidade ao invés da democracia” no Oriente Médio e afirmou que a antiga política estava mudando. Mas o projeto de promoção de democracia no Oriente Médio ficou em segundo plano com as vitórias de grupos islâmicos onde eleições foram realizadas – como a Irmandade Muçulmana, no Egito, e o grupo Hamas, nos territórios palestinos – e com a instabilidade crescente no Iraque. “Desta vez Rice vai se encontrar com líderes próximos dos Estados Unidos, descritos como moderados, mas que não têm grandes credenciais democráticas. É um retrocesso, um declínio na importância que a democracia tem na política externa americana”, avalia o pesquisador egípcio do instituto Carnegie Endowment for International Peace, de Washington, Amr Hamzawy. Viagem Rice começou a visita ao Oriente Médio pela Arábia Saudita, onde se encontrou com o rei Abdullah Bin Abdul Aziz. No Egito a agenda de visitas começou com uma reunião com o chefe dos serviços secretos Omar Suleyman, um dos nomes mais poderosos do governo de Hosni Mubarak. O Egito costuma ter papel destacado na mediação de crises no Oriente Médio – em especial no conflito entre israelenses e palestinos – e Suleyman é quem geralmente representa o país nestas negociações, que por vezes são secretas. Depois do encontro com os ministro do CGC presentes no Cairo, a secretária deve conceder uma entrevista coletiva à imprensa antes de seguir em sua viagem, que ainda inclui passagens por Israel e pelos territórios palestinos. Estabilidade Além de pedir ajuda de líderes árabes, Condoleezza Rice também deve oferecer apoio a eles, já que muitos estão ameaçados por crises e insatisfação dentro de seus próprios países. “Mas a intenção agora vai ser ajudar na estabilização sem cobrar reformas democráticas que possam trazer incertezas. O foco da política americana é com a estabilidade geral na região e não com as condições dentro de cada país”, diz Kazziha. O cientista político diz que os árabes, por sua vez, devem pressionar Rice a ter uma postura menos intransigente com o grupo Hamas, que ganhou em eleições o governo da Autoridade Palestina.
Desde que o grupo islâmico – classificado de terrorista por Estados Unidos e Israel – chegou ao poder quase todos os recursos internacionais para a Autoridade Palestina foram cortados. Umas das conseqüências é o atraso de seis meses no pagamento dos funcionários públicos, que provocou os recentes distúrbios na Faixa de Gaza, com policiais e outros membros de forças de segurança - leais ao Fatah, do presidente Mahmoud Abbas - promovendo violentos protestos nas ruas. “Os líderes árabes devem pressionar os Estados Unidos a aceitar a idéia de o Hamas participar da divisão de poder da Autoridade Palestina, mas é difícil que esta idéia consiga espaço dentro deste governo americano”, diz Walid Kazziha. Iraque A respeito do Iraque, Kazziha afirma que os árabes devem dizer que é necessário um maior equilíbrio na distribuição de poder entre as comunidades iraquianas. Hoje os xiitas – que têm a maior população – estão no comando do país, enquanto os sunitas (de Saddam Hussein e da grande maioria dos líderes do mundo árabe) acabaram em posição secundária. “Condoleezza Rice deve ouvir pedidos de apoio a um fortalecimento da posição dos sunitas no Iraque”, diz Kazziha. “Mas os americanos e árabes têm que tomar muito cuidado com qualquer medida que possa levar a um esfacelamento do país. A divisão do Iraque em uma federação ou qualquer coisa deste tipo deixaria o país bem mais suscetível a influências e intervenções de vizinhos como o Irã e a Síria”, adverte o pesquisador. |
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