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Brasileiro morto na Venezuela é enterrado | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O brasileiro Nivaldo Sanches, morto em um incidente com o Exército venezuelano, foi enterrado nesta quarta-feira por um grupo de garimpeiros e familiares da região La Paragua, no Estado Bolívar. Nivaldo foi um dos seis trabalhadores assassinados durante uma operação militar realizada no dia 22 para desalojar garimpeiros artesanais localizados em uma área de proteção ambiental. Entre os mortos está o também brasileiro Francisco Silva, além de quatro venezuelanos. “Há muita revolta. Essa não é a maneira de solucionar o problema do garimpo”, disse por telefone à BBC Brasil o garimpeiro Franklin González. “Estamos esperando uma resposta. Há um rechaço da população em relação aos militares. Queremos alguém do Executivo aqui para que possamos conversar”, afirma González. A seu ver, é importante que o governo atue imediatamente para impedir que “grupos de oposição e oportunistas se aproveitem dessa situação”. Nesta quarta-feira, o ministro da Defesa, general Raul Isaías Baduel, afirmou que 18 efetivos militares serão denunciados por uso excessivo da força e que 14 deles estão envolvidos no caso do massacre dos garimpeiros. Em entrevista coletiva, o ministro disse que foi aplicada uma medida de privação de liberdade aos funcionários que estão sendo investigados. “Esse pessoal está à disposição dos organismos competentes para investigação de supostos delitos como abuso da autoridade, desvio de funções e atos contra o decoro militar”, disse Baduel. O Ministério Público da Venezuela colocou três procuradores na investigação do caso. Na noite da terça-feira, a Assembléia Nacional anunciou a criação de uma comissão especial para acompanhar as investigações. Na terça-feira, o presidente venezuelano Hugo Chávez admitiu que houve “uso abusivo das armas” e afirmou que os culpados serão submetidos ao “rigor” e “peso da lei”. Vítimas da exclusão Para o garimpeiro Franklin González, a situação irregular e incerta em que vivem os garimpeiros é resultado da exclusão social. “A pobreza no Brasil expulsa essa gente. Quando chegam aqui, basta ter ferramentas para trabalhar e qualquer um encontra como levar o pão à família”, disse. Há cerca de 4 mil garimpeiros trabalhando na área, sendo que entre 1,5 mil e 2 mil são brasileiros, de acordo com as estimativas do consulado brasileiro em Ciudad Guayana. No mês de agosto, a região do lago de Guri, em La Paragua, onde estão concentrados os garimpeiros, foi considerada área de proteção ambiental pelo Ministério do Meio Ambiente. A partir desta data, o governo venezuelano passou a implementar o programa chamado Reconversão Mineira e Aliança Povo-Governo, que consiste na extinção do garimpo na região. Em troca, os garimpeiros devem receber capacitação e crédito para a formação de cooperativas destinadas a outra atividade produtiva que não seja o garimpo. Franklin González afirma que muitos de seus colegas se entusiasmaram e estão dispostos a mudar de profissão. No entanto, a lentidão do governo em aplicar o programa, a seu ver, tem desanimado os garimpeiros. “Nasci e me criei na mina e reconheço que isso prejudica o ambiente, que está poluindo o rio, mas o governo tem que deixar a burocracia e vir falar diretamente com a gente para agilizar nossa saída”, afirma o garimpeiro. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Chávez admite 'uso abusivo das armas' contra garimpeiros 27 setembro, 2006 | BBC Report Garimpeiro morto na Venezuela pode ser brasileiro26 setembro, 2006 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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