BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 26 de setembro, 2006 - 21h06 GMT (18h06 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Garimpeiro morto na Venezuela pode ser brasileiro

Foto: Cortesia do jornal Correo del Caroní
Pneus queimados em protestos por mortes (Foto: Correo del Caroní)
A Embaixada brasileira em Caracas está "acompanhando atentamente" as investigações sobre a morte de quatro pessoas identificadas como brasileiras em um garimpo ilegal no sul da Venezuela, no estado que faz fronteira com o Brasil.

Os quatro homens, reconhecidos por outros brasileiros que moram na região, foram mortos durante uma operação do Exército venezuelano na sexta-feira, em diversos garimpos próximos ao povoado de La Paragua, a cerca de 250 quilômetros de Ciudad Guayana, Estado de Bolívar.

Apesar de ser considerada de proteção ambiental desde agosto, há cerca de 4 mil garimpeiros trabalhando na área, sendo que entre 1,5 mil e 2 mil são brasileiros, de acordo com as estimativas do consulado brasileiro em Ciudad Guayana.

O vice-cônsul Paulo Carvalho disse que está aguardando as investigações do governo brasileiro para esclarecer as circunstâncias da morte dos quatro homens.

"Massacre"

O caso tomou conta da imprensa local e está sendo tratado pelos jornais do Oriente venezuelano como um "massacre" – termo rejeitado pelas autoridades venezuelanas.

A descoberta de mais dois corpos ontem elevou para dez a contagem de mortos durante as operações do Exército, mas relatos não-confirmados sugerem que o número de vítimas foi o dobro.

"Foi um massacre", insiste o brasileiro José Oliveira, ex-garimpeiro que hoje vive em Ciudad Guayana. "Quem conseguiu correr, correu; quem não pôde, morreu."

Zezinho, como é chamado pelos amigos, conhecia Nivaldo Sanches, mecânico paulista "na casa dos 40 anos", que "estava só consertando as máquinas" quando foi surpreendido pelo Exército na mina de El Papelón de Turumbán.

Um sobrevivente venezuelano que está se recuperando em hospital disse ao jornal Correo del Caroní que os garimpeiros teriam sido atacados por um helicóptero do Exército venezuelano, de onde soldados disparavam tiros de pistola e fuzil de longo alcance.

Segundo o jornal, Nivaldo "tinha grande parte da cara destroçada pelo que se supõe ter sido um disparo de fuzil, além de duas feridas por arma de fogo – supostamente 9 mm – na parte posterior do pescoço".

Com ele, foi encontrado o corpo de Giovani Lima, também brasileiro. O consulado em Ciudad Guayana acompanha ainda as circunstâncias da morte de dois outros brasileiros, Francisco da Silva e um homem conhecido apenas como Raimundo.

Tensões

Foto: cortesia do jornal Correo del Caroní
Polícia controla manifestantes em La Paragua (Foto: Correo del Caroní)

Mas, segundo os envolvidos no caso, a identificação é dificultada porque muitos brasileiros entram ilegalmente na região amazônica venezuelana e trabalham nos garimpos sem a documentação requerida pela lei.

Muitos chegam sem famílias, e são conhecidos apenas pelo primeiro nome.

Ainda assim, cresce a pressão para esclarecer as circunstâncias das mortes. Manifestantes em frente às instalações do Exército em La Paragua protestam contra a falta de transparência do caso, e a atitude do Exército venezuelano de remover os corpos antes da chegada dos procuradores e da perícia.

A casa do prefeito do município de Raul Leoní, onde fica La Paragua, foi incendiada.

A violência também afetou as comunidades indígenas. Nesta terça-feira, um porta-voz das comunidades Yekuana e Sanëma denunciou que os membros da etnia estão sofrendo ameaças por garimpeiros que acusam os indígenas de colaborar com o Exército na repressão aos extratores.

Investigações

O Ministério Público da Venezuela colocou três procuradores no caso, e pediu que o Exército forneça informações sobre logísticas sobre a operação, assim como o nome dos militares que participaram dela.

A princípio, o general comandante do Teatro de Operações nº 5 – o batalhão encarregado de patrulhar a área fronteiriça – disse que o incidente havia sido apenas "uma briga entre garimpeiros que discutiam sobre uma confusão", de acordo com o Correo del Caroní.

Depois o governador do estado de Bolívar, Francisco Rangel Gómez, lamentou a morte dos homens, e declarou "colaboração total" nas investigações.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade