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Chávez admite 'uso abusivo das armas' contra garimpeiros | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, admitiu que houve “uso abusivo das armas” durante uma operação que resultou no assassinato de seis garimpeiros, entre eles dois brasileiros, e afirmou que os culpados serão submetidos ao “rigor” e “peso da lei”. “Este é um governo que respeita os direitos humanos. Este triste caso da La Paragua não ficará oculto, não ficará impune”, afirmou Chávez nesta terça-feira, durante entrevista coletiva no Estado Vargas. Os garimpeiros foram mortos durante uma operação do Exército venezuelano no dia 22, em diversos garimpos próximos ao povoado de La Paragua, a cerca de 250 quilômetros de Ciudad Guayana, no Estado Bolívar. “Já sabemos que pelo menos houve o uso excessivo das armas. Esses militares já estão sendo investigados (...) Oficial, soldado ou policial que faça uso abusivo das armas da República, sobre ele cairá todo o peso da Lei. Isso não pode seguir acontecendo”, afirmou o presidente venezuelano. Chávez também refutou a tese de que as mortes foram resultado de enfrentamentos entre os garimpeiros e o Exército. “Surgiram versões de que houve enfrentamento. Eu duvido”. Moradores da região afirmam que os garimpeiros foram surpreendidos por um helicóptero do Exército venezuelano, de onde os soldados disparavam. Os brasileiros assassinados, Nivaldo Sanches e Francisco Silva, foram atingidos pelas costas, de acordo com o ministro de Interior e Justiça, Jesse Chacon, que apresentou um informe detalhando o incidente durante entrevista coletiva na noite desta terça-feira. A morte do brasileiro Giovani Lima, que supostamente havia sido encontrado junto ao corpo de Nivaldo Sanches, não foi mencionada. Conflito As operações do Exército na região da La Paragua se intensificaram a partir do programa governamental Reconversão Mineira e Aliança Povo-Governo, que tem como objetivo resgatar a região do lago de Guri, considerada de proteção ambiental desde agosto. Qualquer atividade de garimpo na região passou a ser ilegal. Apesar disso, as atividades no garimpo não foram interrompidas. De acordo com as estimativas do consulado brasileiro em Ciudad Guayana, há cerca de 4 mil garimpeiros trabalhando na área, sendo que entre 1,5 mil e 2 mil são brasileiros. Além de enfrentar o Estado, os garimpeiros vivem em permanente conflito também com as comunidades indígenas da região, que se opõem ao garimpo por provocar a expulsão dos moradores e contaminar o meio ambiente. Investigações O ministro Jesse Chacon negou as informações publicadas em jornais locais que afirmam que o número de mortos havia subido para 10 assassinados. “Infelizmente, seis pessoas foram mortas. Não 10, como afirmam estes panfletos”, disse o ministro, ao esclarecer que as quatro pessoas encontradas mortas na região da La Paragua foram vítimas de afogamento e não estão relacionadas com a operação do Exército. O Ministério Público da Venezuela colocou três procuradores na investigação do caso e pediu que o Exército forneça informações logísticas sobre a operação, assim como o nome dos militares que participaram dela. Um dos garimpeiros feridos durante o ataque do Exército prestou depoimento nesta terça-feira ao Ministério Público. A tensão no local do incidente permanece e preocupa o governo. O defensor público Germán Mundaraín afirmou à Televisão Estatal que se trata de uma situação “confusa e lamentável” e fez um chamado aos moradores da La Paragua “para evitarem confrontos na rua que alteram a paz”. Após os assassinatos, a casa do prefeito do município de Raul Leoní, onde fica La Paragua, foi incendiada. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Garimpeiro morto na Venezuela pode ser brasileiro26 setembro, 2006 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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