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Disputa em futebol mostra divisão racial no Brasil, diz jornal | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma reportagem publicada na edição desta terça-feira pelo diário The New York Times comenta sobre os mitos da “democracia racial” no Brasil e sobre o crescente debate em relação ao tema no país. O texto toma como ponto de partida um incidente durante um jogo de futebol num torneio da polícia de São Paulo em dezembro, que acabou ganhando repercussão após o juiz José de Andrade ter processado um dos jogadores, um coronel aposentado, que o chamou de “macaco” durante uma discussão. A reportagem observa que “o que se seguiu foi uma lição para o sr. Andrade, 36, sobre as complexidades da política racial do Brasil”. Ao se recusar a fazer um acordo fora dos tribunais para desistir da ação, Andrade teria passado a receber ameaças da polícia. “O caso de Andrade repercutiu em todo o Brasil – que tem a maior população negra fora da África – em parte por causa de um crescente debate nacional sobre a questão racial”, diz o texto, assinado pelo correspondente Larry Rohter. A reportagem comenta que apesar de haver uma grande correlação entre a cor da pele e a classe social, os brasileiros são ensinados a pensar em seu país como uma democracia racial. O texto observa ainda que “o Brasil tem um abrangente estatuto anti-discriminação, aprovado há mais de uma década”. “Mas o crescente número de grupos que defendem os direitos iguais para os negros apontam que ninguém nunca cumpriu penas de prisão por violação à igualdade racial prevista na lei.” Novo escândalo O atual escândalo político brasileiro, envolvendo a renúncia de um assessor da Presidência acusado de tentar comprar um dossiê contra o ex-prefeito José Serra, candidato a governador de São Paulo, foi tema de reportagens em diversos jornais internacionais nesta terça-feira. O argentino Clarín afirma que “a oposição brasileira parece ter encontrado um argumento para reverter as pesquisas que a mostram tão mal nas eleições presidenciais”, acusando o Partido dos Trabalhadores de ter pago pelo dossiê. A reportagem assinada pela correspondente Eleonora Gosman demonstra dúvidas sobre a veracidade da denúncia, questionando: “Por que Lula precisaria promover uma denúncia dessa natureza contra um político social-democrata que não é precisamente seu inimigo (na disputa presidencial)?”. O espanhol ABC, por outro lado, observa que o material do dossiê prejudicaria supostamente Serra, “que perdeu as eleições presidenciais de 2002 para Lula e que agora é favorito para o governo de São Paulo” e também Geraldo Alckmin, “do mesmo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) de Serra e principal adversário de Lula nas eleições do próximo 1º de outubro”. O Nuevo Herald, de Miami, comenta que a apenas duas semanas das eleições, “se o PSDB conseguir fazer do caso do dossiê um fato nacional, poderia tirar alguns pontos de Lula, forçando um segundo turno”. Já para o também americano The Christian Science Monitor, os brasileiros parecem prontos a reeleger Lula, “apesar de um escândalo de corrupção em seu partido”. Descrevendo um comício realizado no Rio de Janeiro, a reportagem relata as motivações de diferentes pessoas para votar no presidente. “Vera Lucia Andrade diz que votará nele porque ele ajudou os pobres do Brasil. Gilson Amorim diz que votará nele porque ele tem sido um bom presidente. E Fatima Gomes votará nele porque ela não consegue lembrar o nome de nenhum outro candidato”, diz o texto. “Tomadas em conjunto, essas razões explicam por que Lula parece destinado a ser reeleito, apesar de um governo que foi condenado amplamente por institucionalizar a corrupção e que falhou em manter a maioria de suas promessas de mudar radicalmente o Brasil.” Heloísa Helena A candidata do PSOL à Presidência, Heloísa Helena, ganhou espaço em diversos jornais internacionais nesta terça-feira graças a uma entrevista coletiva a correspondentes estrangeiros no dia anterior. O argentino La Nación comenta que Heloísa Helena, em terceiro lugar nas pesquisas à Presidência, “não gosta de medir as palavras e prefere lançá-las aos gritos”. “Assim, em voz alta, a senadora e ex-dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT) já havia qualificado o presidente Lula de ‘gangster’ e os funcionários do FMI de ‘parasitas internacionais’.” Durante a entrevista, segundo o La Nación, Heloísa Helena sugeriu que corre risco de vida por se opor ao governo. “Não tenho dúvidas de que este governo não tem problemas em eliminar a quem se coloque no caminho de seu projeto de poder. Mas eu peço a eles que não me matem, porque tenho filhos para criar”, disse ela. O diário espanhol El Mundo destaca em sua reportagem a resposta da senadora a uma pergunta sobre como teria reagido no caso da disputa com a Bolívia sobre o gás. Ela defende o processo de nacionalização como legítimo, diz que as atividades da Petrobras eram uma exploração do povo e do gás boliviano e que o que o Brasil deve fazer agora é aceitar o preço do gás que determinem os bolivianos e estabelecer compensações. Indiferença em São Bernardo O diário econômico britânico Financial Times traz em sua edição desta terça-feira uma reportagem mostrando a indiferença com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reinante em São Bernardo do Campo, cidade onde ele viveu a maior parte de sua vida e onde se projetou politicamente. “Há quatro anos, ele estava prestes a ser eleito presidente e contava com uma onda de apoio popular na cidade. Hoje parece certa sua reeleição, possivelmente com uma maioria já no primeiro turno. Mas o clima em São Bernardo é morno”, diz o jornal. A reportagem cita as mudanças ocorridas nos últimos anos com a redução da importância da indústria automobilística local e cita o exemplo da Volkswagen, que está prestes a demitir 3.600 funcionários e estuda fechar sua fábrica na cidade. O jornal afirma que os habitantes típicos de São Bernardo são “representantes da classe média pressionada: um trabalhador de fábrica ou do setor de serviços, ganhando mais que a média nacional, com dinheiro suficiente para pagar a educação de um ou dois filhos e aproveitar férias ocasionais, mas não o suficiente para ter capital para investir e conseguir os ganhos fáceis disponíveis àqueles que podem aproveitar as altas taxas de juros do Brasil”. “Estas são as pessoas mais sensíveis à recusa da economia brasileira em crescer qualquer coisa perto de seu potencial ou de sua necessidade, em grande parte por causa da incapacidade do governo de promover reformas politicamente difíceis, como cortes nos gastos com folha de pagamento e pensões, necessárias para liberar dinheiro para investimento e crescimento”, diz a reportagem. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Lula endurece e obriga Evo Morales a retroceder, diz jornal15 setembro, 2006 | BBC Report "Mundo caminha para reversão da geografia comercial", diz Lula13 setembro, 2006 | BBC Report 'Alckmin perde a compostura' contra Lula, diz jornal07 setembro, 2006 | BBC Report Apoio do candomblé ajuda Lula, diz Jornal06 setembro, 2006 | BBC Report Político 'trai' eleitor e ignora segurança pública, diz Anistia05 setembro, 2006 | BBC Report Chávez diz que Lula reeleito seria "vitória dos povos"02 setembro, 2006 | BBC Report Partidos atrasam e esvaziam programa de governo29 agosto, 2006 | BBC Report LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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