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Atualizado às: 19 de setembro, 2006 - 17h56 GMT (14h56 Brasília)
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Aplacar fome custa menos que guerra do Iraque, diz Lula

Luiz Inácio Lula da Silva
Lula foi o primeiro líder de um país a se pronunciar na Assembléia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em seu discurso na sessão inaugural na 61a Assembléia Geral da ONU, em Nova York, que o investimento necessário para aplacar a fome no mundo é menor do que o que foi investido até agora na guerra do Iraque.

"Todos aqui sabem que a Segunda Guerra do Golfo custou várias centenas de bilhões de dólares. Com muito menos, poderíamos mudar a triste realidade de uma grande parcela da população mundial. Poderíamos salvar milhões de vidas e retirá-las da indigência."

O presidente citou programas de seu governo como exemplos no combate à fome.

"O programa Bolsa Família, o carro-chefe do Fome Zero, garante uma renda mínima a mais de 11 milhões de famílias brasileiras. Se fizemos tanto no Brasil, imaginem o que não pode ser feito em grande escala se o combate à fome e à pobreza fosse de fato uma prioridade da comunidade internacional", afirmou.

O presidente voltou a fazer críticas veladas à guerra no Iraque em outro trecho do discurso.

"A guerra jamais trará a segurança. A guerra só gera monstros: o rancor, a intolerância, o fundamentalismo, a negação destrutiva das atuais hegemonias."

Lula acrescentou que "se não quisermos globalizar a guerra, é preciso globalizar a justiça".

Comércio

O presidente também voltou a defender de forma enfática que os países ricos devem reduzir os subsídios em sua agricultura.

"Os subsídios dos países ricos, sobretudo na área agrícola, são pesados grilhões que imobilizam o progresso e relegam os países pobres ao atraso."

"Não me canso de repetir que, enquanto o apoio distorcivo nos países desenvolvidos alcança a indecorosa soma de US$ 1 bilhão por dia, 900 milhões de pessoas sobrevivem com menos de US$ 1 por dia nos países pobres e em desenvolvimento. Essa é uma situação política e moralmente insustentável", acrescentou.

Para o presidente, "a velha geografia do comércio internacional precisa ser reformada em profundidade".

Lula disse também que a Agenda de Desenvolvimento de Doha está em crise, mas que "se bem-sucedidas, as negociações na OMC ajudarão a tirar milhões de pessoas da pobreza externa.

Conselho de Segurança

Outra bandeira da política externa de Lula, a reforma do Conselho de Segurança da ONU também foi mencionada.

"A recente crise no Líbano expôs a organização (a ONU) a uma perigosa erosão de credibilidade. A eficácia das Nações Unidas tem sido seriamente questionada. O Conselho de Segurança é acusado de morosidade, incapacitado de agir com a rapidez requerida."

"O Brasil, juntamente com os países do G4, sustenta que a ampliação do Conselho de Segurança deve contemplar o ingresso de países em desenvolvimento no seu quadro permanente", afirmou.

Lula também lembrou laços antigos do Brasl com a ONU e as boas relações do país com Israel e seus vizinhos árabes. "O nascimento de Israel, cujo nascimento como Estado ocorreu quando um brasileiro, Oswaldo Aranha, presidia a Assembléia Geral."

Temas interligados

Lula disse que o futuro do Brasil está ligado ao dos países vizinhos e destacou que tem procurado expandir o Mercosul e fortalcer a Comunidade Sul-Americana de Nações.

Mas, na visão do presidente, dar prioridade ao Mercosul não significa relegar outros temas ao segundo plano.

"O combate à fome e à pobreza, a paralisia da Rodada de Doha e o impasse no Oriente Médio são temas interligados."

O presidente concluiu seu discurso afirmando que "não nos faltam recursos. Falta determinação política para aplicá-los nas áreas que podem ter um incalculável efeito transformador."

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