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Aplacar fome custa menos que guerra do Iraque, diz Lula | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em seu discurso na sessão inaugural na 61a Assembléia Geral da ONU, em Nova York, que o investimento necessário para aplacar a fome no mundo é menor do que o que foi investido até agora na guerra do Iraque. "Todos aqui sabem que a Segunda Guerra do Golfo custou várias centenas de bilhões de dólares. Com muito menos, poderíamos mudar a triste realidade de uma grande parcela da população mundial. Poderíamos salvar milhões de vidas e retirá-las da indigência." O presidente citou programas de seu governo como exemplos no combate à fome. "O programa Bolsa Família, o carro-chefe do Fome Zero, garante uma renda mínima a mais de 11 milhões de famílias brasileiras. Se fizemos tanto no Brasil, imaginem o que não pode ser feito em grande escala se o combate à fome e à pobreza fosse de fato uma prioridade da comunidade internacional", afirmou. O presidente voltou a fazer críticas veladas à guerra no Iraque em outro trecho do discurso. "A guerra jamais trará a segurança. A guerra só gera monstros: o rancor, a intolerância, o fundamentalismo, a negação destrutiva das atuais hegemonias." Lula acrescentou que "se não quisermos globalizar a guerra, é preciso globalizar a justiça". Comércio O presidente também voltou a defender de forma enfática que os países ricos devem reduzir os subsídios em sua agricultura. "Os subsídios dos países ricos, sobretudo na área agrícola, são pesados grilhões que imobilizam o progresso e relegam os países pobres ao atraso." "Não me canso de repetir que, enquanto o apoio distorcivo nos países desenvolvidos alcança a indecorosa soma de US$ 1 bilhão por dia, 900 milhões de pessoas sobrevivem com menos de US$ 1 por dia nos países pobres e em desenvolvimento. Essa é uma situação política e moralmente insustentável", acrescentou. Para o presidente, "a velha geografia do comércio internacional precisa ser reformada em profundidade". Lula disse também que a Agenda de Desenvolvimento de Doha está em crise, mas que "se bem-sucedidas, as negociações na OMC ajudarão a tirar milhões de pessoas da pobreza externa. Conselho de Segurança Outra bandeira da política externa de Lula, a reforma do Conselho de Segurança da ONU também foi mencionada. "A recente crise no Líbano expôs a organização (a ONU) a uma perigosa erosão de credibilidade. A eficácia das Nações Unidas tem sido seriamente questionada. O Conselho de Segurança é acusado de morosidade, incapacitado de agir com a rapidez requerida." "O Brasil, juntamente com os países do G4, sustenta que a ampliação do Conselho de Segurança deve contemplar o ingresso de países em desenvolvimento no seu quadro permanente", afirmou. Lula também lembrou laços antigos do Brasl com a ONU e as boas relações do país com Israel e seus vizinhos árabes. "O nascimento de Israel, cujo nascimento como Estado ocorreu quando um brasileiro, Oswaldo Aranha, presidia a Assembléia Geral." Temas interligados Lula disse que o futuro do Brasil está ligado ao dos países vizinhos e destacou que tem procurado expandir o Mercosul e fortalcer a Comunidade Sul-Americana de Nações. Mas, na visão do presidente, dar prioridade ao Mercosul não significa relegar outros temas ao segundo plano. "O combate à fome e à pobreza, a paralisia da Rodada de Doha e o impasse no Oriente Médio são temas interligados." O presidente concluiu seu discurso afirmando que "não nos faltam recursos. Falta determinação política para aplicá-los nas áreas que podem ter um incalculável efeito transformador." |
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