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Austríaca mistura raiva e sentimento de culpa na TV | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Natascha Kampusch, a garota seqüestrada e mantida prisioneira por oito anos na Áustria, misturou raiva e sentimento de culpa ao falar do seqüestrador Wolfgang Priklopil em sua primeira entrevista à TV, transmitida nesta quarta-feira no país. Resfriada e fechando constantemente os olhos por ainda ser muito sensível à luz, Natascha disse que sabia que sua fuga iria condenar Priklopil à morte. O seqüestrador cometeu suicídio depois que soube que Natascha estava em liberdade. “Sinto ter transformado o amigo que o levou à estação de trem e o motorista do trem em cúmplices deste assassinato", disse Natascha. "Também não queria que a mãe dele ficasse conhecendo esse outro lado. Os dois tinham uma relação boa e sinto por ela que o mundo tenha ficado com esta imagem negativa de seu filho”, afirmou a jovem. Sobre a fuga, Natascha foi taxativa. “Se não fosse naquele momento, talvez eu nunca tivesse outra chance. Um mês antes, eu já havia dito a ele que não poderia viver mais assim e que tentaria fugir.” Superioridade Apesar ser mantida prisioneira, Kampusch se via uma situação de superioridade em relação a seu algoz. “Eu era mais forte que ele, pude desfrutar de uma boa estrutura social na infância, algo que ele não teve. Isto o tornou instável.” A menina conta alguns direitos que conseguiu obter durante todo o período em que esteve presa. “Festejei meus aniversários e datas como Natal e Páscoa com o senhor Priklopil. Eu o obriguei a isto.” "Nos primeiros dois anos, não tive acesso a nenhum tipo de notícia do mundo exterior. Sobre as buscas da polícia, depois de algum tempo tive acesso ao que se passava, pois disse a ele que era injusto eu não saber sobre algo que me dizia respeito. Acho que ele tinha um peso na consciência”, avaliou. Depois de passar os primeiros seis meses no porão, a jovem também passou ganhou a permissão de entrar na casa do seqüestrador, o que foi muito importante para sua saúde mental. “Se ele não tivesse me levado para a casa, onde tinha mais liberdade de movimentos, acho que eu teria ficado louca.” Livro Sua pretensão agora é ter mais contato com a família dela, com quem afirmou ter uma ótima relação. “Não sinto que perdemos oito anos de contato, na nossa relação é como se isto tudo não tivesse acontecido. Os próprios policiais me disseram que já tinham perdido as esperanças de me encontrar. Minha mãe, não”, falou. Outros desejos de Kampusch são os de terminar os estudos, viajar com os parentes e ajudar com doações a vítimas de seqüestro e da fome. A jovem também não descartou escrever um livro contando sua história, mas disse que não aceitaria que outra pessoa o fizesse. “Não quero que alguém banque o especialista sobre minha vida.” Sobre o enorme interesse da mídia por sua história, a jovem disse que não se preocupa em ver o que é reportado sobre ela, porque tem “muito a fazer”. Só disse ter ficado chateada com a publicação de fotos do seu cativeiro. “Como eu vivia não é da conta de ninguém. Em não abro os jornais querendo ver fotos dos quartos das pessoas.” |
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