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Menina austríaca teve que chamar algoz de 'mestre' | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma austríaca capturada há oito anos e que permaneceu presa em uma casa até a última quarta-feira disse à polícia que seu algoz a obrigou a chamá-lo de "mestre" durante o primeiro ano de cativeiro, segundo informações do jornal austríaco Krone Zeitung. Natascha Kampusch deu detalhes do período em que permaneceu presa à polícia, após ter fugido da casa de seu seqüestrador na quarta-feira. Testes de DNA confirmaram nesta sexta-feira que ela é a menina que desapareceu em Viena há oito anos. Seu captor, o técnico de comunicações Wolfgang Priklopil, matou-se após Kampusch, hoje com 18 anos, ter conseguido escapar do cativeiro. Acredita-se que ele a trancava em um quarto subterrâneo, sem qualquer janela ou entrada de luz natural e com isolamento acústico. 'Eu a reconheci' Os pais da jovem disseram estar muito felizes de reencontrar a filha. "Nós nos atiramos nos braços uma da outra... eu a reconheci pelo jeito de ser, seu rosto... Eu sempre achei que ela estava viva", disse a mãe a um canal de televisão austríaco. O jornal Krone Zeitung disse que Kampusch disse à polícia que considera seu seqüestrador um "criminoso". Segundo o diário, ela teria dito: "Wolfgang sempre foi muito gentil comigo (…) eu tive de chamá-lo de mestre no primeiro ano". No dia de seu seqüestro, segundo o jornal, ela foi forçada a entrar em um carro e teria ouvido uma ameaça: "Fique quieta, deite-se ou algo vai acontecer com você". Na quinta-feira, a polícia encontrou a van utilizada no seqüestro de Kampusch. Segundo notícias da TV austríaca, investiga-se se Priklopil tinha um cúmplice. Detetives interrogaram Priklopil na época do desaparecimento de Kampusch, entre outras 700 pessoas, mas não chegaram a revistar a sua casa em Strasshof, a menos de 16 km da cidade onde ela vivia. Síndrome de Estocolmo Muitos austríacos perguntam-se como o suspeito conseguiu manter a menina em cativeiro por oito anos sem levantar suspeitas, comentou o correspondente da BBC Kerry Skyring. Psicólogos entrevistados pela imprensa austríaca disseram que Kampusch pode ter desenvolvido a chamada "Síndrome de Estocolmo", em que vítimas de seqüestros começam a simpatizar com seu captor. O porta-voz Erich Zwettler disse acreditar que Kampusch estava lidando bem com a situação. "De manhã, fomos informados por nosso colega que está cuidando dela que ela dormiu bem, tomou café-da-manhã e parece bem calma", disse Zwettler. "Acreditamos que psicologicamente ela esteja lidando bem com a situação." O pai da jovem disse à televisão austríaca, com os olhos marejados, que pensou que não viveria para ver o dia da volta de sua filha. "Sinceramente, não achei que viveria isso", disse Ludwig Koch. "Ela disse: 'Pai, eu te amo.' E a pergunta seguinte foi: 'O meu carro de brinquedo continua aqui?' Era o brinquedo favorito de Natascha, eu nunca me desfiz dele durante todos estes anos (…) Eu sempre tirei da minha cabeça o pensamento de que ela estava morta." Fuga Poucos detalhes foram liberados sobre como Kampusch voltou à liberdade, mas a televisão estatal austríaca disse que um porta-voz da polícia teria afirmado que ela escapou quando a porta do local onde ela estava presa foi deixada destrancada. Outras notícias trouxeram uma afirmação do policial Gerhard Lang, dizendo que, enquanto a menina era mantida "presa dia e noite", ela era liberada para "várias tarefas dentro da casa" e até para "passear no jardim". Aparentemente ela estava passando aspirador de pó no carro na quarta-feira quando viu uma chance de fugir, disse Lang. Os motivos que levaram ao seqüestro não estão claros e não se sabe se Kampusch sofreu abuso sexual durante estes oito anos. A polícia diz que ele não tinha ligação com a família da jovem e que não houve pedido de resgate. Um investigador de polícia disse à BBC que Priklopil dava comida e outros suprimentos a Kampusch e deu aulas de leitura, escrita e aritmética. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Austríaca 'é encontrada' após oito anos em cativeiro24 de agosto, 2006 | Notícias LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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