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Atualizado às: 25 de agosto, 2006 - 14h00 GMT (11h00 Brasília)
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Menina austríaca teve que chamar algoz de 'mestre'
Natascha Kampusch
Kampusch teria dito à polícia que captor 'sempre foi muito gentil'
Uma austríaca capturada há oito anos e que permaneceu presa em uma casa até a última quarta-feira disse à polícia que seu algoz a obrigou a chamá-lo de "mestre" durante o primeiro ano de cativeiro, segundo informações do jornal austríaco Krone Zeitung.

Natascha Kampusch deu detalhes do período em que permaneceu presa à polícia, após ter fugido da casa de seu seqüestrador na quarta-feira.

Testes de DNA confirmaram nesta sexta-feira que ela é a menina que desapareceu em Viena há oito anos.

Seu captor, o técnico de comunicações Wolfgang Priklopil, matou-se após Kampusch, hoje com 18 anos, ter conseguido escapar do cativeiro.

Acredita-se que ele a trancava em um quarto subterrâneo, sem qualquer janela ou entrada de luz natural e com isolamento acústico.

'Eu a reconheci'

Os pais da jovem disseram estar muito felizes de reencontrar a filha.

"Nós nos atiramos nos braços uma da outra... eu a reconheci pelo jeito de ser, seu rosto... Eu sempre achei que ela estava viva", disse a mãe a um canal de televisão austríaco.

O jornal Krone Zeitung disse que Kampusch disse à polícia que considera seu seqüestrador um "criminoso".

Segundo o diário, ela teria dito: "Wolfgang sempre foi muito gentil comigo (…) eu tive de chamá-lo de mestre no primeiro ano".

No dia de seu seqüestro, segundo o jornal, ela foi forçada a entrar em um carro e teria ouvido uma ameaça: "Fique quieta, deite-se ou algo vai acontecer com você".

Na quinta-feira, a polícia encontrou a van utilizada no seqüestro de Kampusch. Segundo notícias da TV austríaca, investiga-se se Priklopil tinha um cúmplice.

Detetives interrogaram Priklopil na época do desaparecimento de Kampusch, entre outras 700 pessoas, mas não chegaram a revistar a sua casa em Strasshof, a menos de 16 km da cidade onde ela vivia.

Síndrome de Estocolmo

Muitos austríacos perguntam-se como o suspeito conseguiu manter a menina em cativeiro por oito anos sem levantar suspeitas, comentou o correspondente da BBC Kerry Skyring.

Psicólogos entrevistados pela imprensa austríaca disseram que Kampusch pode ter desenvolvido a chamada "Síndrome de Estocolmo", em que vítimas de seqüestros começam a simpatizar com seu captor.

O porta-voz Erich Zwettler disse acreditar que Kampusch estava lidando bem com a situação.

"De manhã, fomos informados por nosso colega que está cuidando dela que ela dormiu bem, tomou café-da-manhã e parece bem calma", disse Zwettler.

"Acreditamos que psicologicamente ela esteja lidando bem com a situação."

O pai da jovem disse à televisão austríaca, com os olhos marejados, que pensou que não viveria para ver o dia da volta de sua filha.

"Sinceramente, não achei que viveria isso", disse Ludwig Koch.

"Ela disse: 'Pai, eu te amo.' E a pergunta seguinte foi: 'O meu carro de brinquedo continua aqui?' Era o brinquedo favorito de Natascha, eu nunca me desfiz dele durante todos estes anos (…) Eu sempre tirei da minha cabeça o pensamento de que ela estava morta."

Fuga

Poucos detalhes foram liberados sobre como Kampusch voltou à liberdade, mas a televisão estatal austríaca disse que um porta-voz da polícia teria afirmado que ela escapou quando a porta do local onde ela estava presa foi deixada destrancada.

Outras notícias trouxeram uma afirmação do policial Gerhard Lang, dizendo que, enquanto a menina era mantida "presa dia e noite", ela era liberada para "várias tarefas dentro da casa" e até para "passear no jardim".

Aparentemente ela estava passando aspirador de pó no carro na quarta-feira quando viu uma chance de fugir, disse Lang.

Os motivos que levaram ao seqüestro não estão claros e não se sabe se Kampusch sofreu abuso sexual durante estes oito anos.

A polícia diz que ele não tinha ligação com a família da jovem e que não houve pedido de resgate.

Um investigador de polícia disse à BBC que Priklopil dava comida e outros suprimentos a Kampusch e deu aulas de leitura, escrita e aritmética.

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