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Atualizado às: 16 de agosto, 2006 - 14h27 GMT (11h27 Brasília)
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ONU critica política dos EUA para Aids na África
Família africana
Em 2005, houve 2,7 milhões de novos casos na África Sub-Saariana
Focada principalmente na abstinência sexual, a política norte-americana de ajuda ao combate à Aids na África foi duramente criticada durante a 16ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada em Toronto, no Canadá.

O enviado especial da ONU para Aids, Stephen Lewis, afirmou durante o encontro que essa estratégia, chamada por ele de "neocolonialismo incipiente", está minando os esforços dos países africanos na luta contra a epidemia.

"Nenhum governo ocidental tem o direito de ditar políticas para os países africanos sobre como eles reagem à epidemia", disse Lewis.

O Plano de Emergência para HIV/Aids aprovado pelo presidente George W. Bush em 2003 prevê o investimento de US$ 15 bilhões em cinco anos para combater o avanço da doença.

O Congresso americano, no entanto, determinou que uma parte desse dinheiro deve ser gasta em programas para promover a abstinência sexual até o casamento.

Além da abstinência, o plano, chamado ABC na sigla em inglês, dá destaque para a fidelidade a apenas um parceiro sexual e, caso essas duas regras não seja seguidas, ao uso de preservativos.

Epicentro

O problema, segundo Lewis, é que essa estratégia não tem funcionado na África.

A África Sub-Saariana permanece como o epicentro da pandemia da Aids, conforme Lewis. Dois terços de todos os infectados pelo HIV vêm daquela região.

No último ano, 2 milhões de pessoas morreram de Aids na região e surgiram 2,7 milhões de novos casos.

"Estamos dizendo à África: 'É assim que vocês devem reagir à pandemia'. Mas isso não é correto, porque os governos africanos são capazes de decidir quais são suas prioridades e como devem agir", afirmou o enviado da ONU.

"Não se pode emprestar dinheiro sob a condição de que seu uso reflita suas prioridades ideológicas", disse.

Pouco dinheiro

As críticas foram rebatidas por representantes americanos. Eles negaram que a política dos Estados Unidos promova a abstinência em detrimento de outras formas de prevenção, ou que pretenda agradar aos conservadores Republicanos.

"Não há evidências que comprovem essas críticas", disse o coordenador da US Aids Global, Mark Dybul, observando que somente 7% do orçamento do plano previsto para 2005 foi gasto em programas de abstinência.

"É colonialismo não apoiar o plano, que foi criado pelos africanos para os africanos. Nós estamos apoiando suas estratégias", afirmou Dybul.

Em entrevista à BBC, o enviado da ONU disse ainda que o Ocidente falhou em fornecer dinheiro suficiente para financiar programas eficientes de longa duração para a prevenção e o tratamento da doença.

"Os países do G8 poderiam ajudar a destruir essa pandemia se a considerassem uma emergência como nenhuma outra - a pior cicatriz na face da terra desde a Peste Negra do século 14. Esse senso de urgência, no entanto, ainda não existe", afirmou.

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