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Atualizado às: 02 de junho, 2006 - 21h56 GMT (18h56 Brasília)
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ONU quer acesso universal a tratamento da Aids em 2010
ativistas fizeram lobby junto a delegados
Cerca de mil ativistas têm feito lobby junto aos delegados
Uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Aids decidiu elaborar uma declaração que sirva como um programa global de combate à doença.

A proposta - que deverá ser aprovada pela Assembléia Geral da ONU - estabelece que os países se comprometam em atingir o acesso universal ao tratamento da Aids até 2010.

Mas as agências de ajuda humanitária afirmaram que o documento é "fraco" e traz poucas metas específicas para os governos.

Uma das críticas é que a falta de uma referência a homossexuais, prostitutas e usuários de drogas faz com que essas pessoas se tornem "invisíveis".

"Nós estamos furiosos", disse Aditi Sharma, coordenador da ActionAid International.

"É incompreensível como os negociadores puderam elaborar uma declaração tão fraca quando nós precisamos de ação urgente para evitar que 8,5 mil pessoas morram e 13,5 mil sejam infectadas todos os dias", afirmou.

Camisinhas

Mas o chefe da Unaids, a agência da ONU que lida com a doença, Peter Piot, disse que o novo documento é "muito mais forte" que versões anteriores.

O texto foi discutido por negociadores de 150 países.

Em relação a como prevenir o avanço da Aids, abstinência e fidelidade, duas prioridades para os Estados Unidos, estão no topo da lista, seguidas pelo uso da camisinha.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que participou da conferência em Nova York, disse ter expressado a posição do Brasil sobre o uso da camisinha.

"Eu digo que o ideal é inimigo do bom. Foi decepcionante para umas bandeiras que o Brasil leva adiante. O Brasil tem uma sociedade muito aberta, em que os preconceitos estão sendo vencidos de uma maneira muito clara, com a ação da sociedade civil. Em outros países, não é assim. Nós temos que ter uma coisa que seja aprovada por 193 países", disse o ministro.

Segundo Amorim, a declaração vai reconhecer a relação entre patentes e o preço do remédio. "Não é possível que o direito à propriedade intelectual passe à frente do direto à vida", afirmou.

Representantes da ONU dizem que há uma referência à necessidade de dar poder a mulheres e crianças para prevenir a doença. O texto usa uma linguagem detalhada, e traz referências específicas sobre como usar preservativo masculino e feminino.

Certos países da África e do Oriente Médio se assustaram diante da terminologia usada no texto por temerem que possa promover promiscuidade.

"Apesar de termos táticas diferentes, somos todos partes de uma mesma estratégia", disse Piot.

'Vulneráveis'

"Não apenas existe espaço para todos, como precisamos de todos", disse ele.

Mas ativistas e alguns delegados reagiram com indignação por causa da falta de referência aos grupos de maior risco.

O ministro de Desenvolvimento Internacional da Grã-Bretanha, Hillary Benn, disse: "Gostaria que tivéssemos sido mais francos na declaração, dizendo a verdade sobre determinados grupos - como prostitutas, usuários de drogas, homens homossexuais - que estão mais expostos a riscos."

Países conservadores argumentaram que isso poderia dar apoio a atividades ilegais. Por isso, o texto apenas faz uma referência a grupos "vulneráveis".

A Unaids diz que a Aids matou mais de 25 milhões de pesoas desde que o vírus HIV foi reconhecido, em 1981.

É estimado que 38,6 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus no mundo.

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