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Atualizado às: 15 de agosto, 2006 - 16h03 GMT (13h03 Brasília)
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Desfecho de crise no Líbano complica planos dos EUA

Mulher caminha pelos escombros em Beirute
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No começo de agosto, quando ainda resistia a um cessar-fogo na guerra entre Israel e o Hezbollah, a secretária de Estado dos EUA Condoleezza Rice disse que os combates eram as "dores do parto" de um novo Oriente Médio.

Agora vem a resposta de Bashar Assad, o presidente da Síria, patrocinador das milícias xiitas libanesas e ator que conseguiu uma sobrevida com esta guerra. Ele rebateu que o plano americano de um "novo Oriente Médio" se converteu basicamente em uma "ilusão" em razão dos acontecimentos no Líbano.

Análises desta própria BBC ressaltam que é cedo para dizer quem "venceu" a guerra, em meio à cacofonia de partes envolvidas clamando vitória. É possível, no entanto, diagnosticar algumas dores americanas.

Por agora, o conflito reforçou a imagem dos EUA no Oriente Médio como o grande protetor de Israel - em particular devido ao sinal verde para o incremento da ofensiva israelense no Líbano antes da constatação de que seu preço estava se tornando intolerável.

Com o governo Bush ainda mais perto de Israel, torna-se mais distante sua pretensão de atuar como um intermediário nas várias e crescentes disputas no Oriente Médio.

Prelúdio

A Casa Branca vislumbrava o conflito no Líbano como um doloroso mas necessário prelúdio para forçar o mundo árabe a fazer algumas escolhas.

Na visão de Washington, eram democracia e paz ou extremismo islâmico ou guerra.

Como sempre, os cenários são mais complexos. Basta dizer que os investimentos americanos para a construção de um novo Líbano - mais afastado da influência síria - contrastam com a devastação do país. A Síria apostou na crise e confirmou ser carta no baralho.

Em termos mais amplos, os objetivos americanos no Oriente Médio estão debilitados, pelo menos a curto prazo. A saber: preços estáveis do petróleo, promoção da democracia, fortalecimento de grupos moderados, isolamento de regimes radicais e debilitamento de forças extremistas.

O impacto mais a longo prazo dentro do Líbano da decisão do Hezbollah de confrontar Israel ainda não pode ser medido com precisão, mas no momento o grupo ganhou um papel icônico de vanguarda de resistência dos interesses islâmicos e árabes na região contra israelenses e americanos.

O conflito no Líbano complicou ainda os esforços americanos para pacificar o Iraque. As ações do Hezbollah foram uma injeção de ânimo para forças xiitas mais radicais no Iraque empenhadas em esfacelar o país. A crise no Líbano inclusive alimentou tensões entre a Casa Branca e os moderados xiitas no poder em Bagdá.

Washington agora afrouxa as pressões por reformas politicas nos regimes autocráticos da região que são seus aliados.

Líderes moderados como o palestino Mahmoud Abbas devem perder poder e o governo Bush pode se preparar para conviver com uma fase de instabilidade na política interna israelense.

O conflito no Líbano parece provar que o primeiro-ministro Ehud Olmert não é um Ariel Sharon. Esperanças de compromissos entre israelenses e palestinos evidentemente estão congeladas por um tempo indeterminado.

Irã

E, finalmente, temos o Irã, fonte de inspiração e de foguetes para o Hezbollah.

O conflito no Líbano serviu para desviar as atenções do duelo que o regime de Teerã trava com grande parte da comunidade internacional sobre o seu programa nuclear. E mais uma vez se pergunta por quanto tempo os americanos poderão evitar negociações com o país que ganha cada vez mais espaço como um pólo regional de influência.

Há sempre a outra opção para os americanos, que é o confronto militar contra os iranianos.

Na edição desta semana da revista New Yorker, o lendário e controvertido repórter investigativo Seymour Hersh revela que o presidente Bush e seu vice Dick Cheney estavam "convencidos" que as ações israelenses contra o Hezbollah poderiam "servir de prelúdio" para um potencial ataque preventivo americano para destruir as instalações nucleares iranianas.

A prioridade dos EUA provavelmente agora é prevenir que seus sonhos de um novo Oriente Médio se tornem um pesadelo prolongado.

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