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De la Rúa diz ter sido vítima de 'golpe cívico' em 2001
Fernando de la Rúa, ex-presidente da Argentina
De la Rúa estava recluso desde 2001, quando deixou o governo
Recluso desde que renunciou à Presidência da Argentina, em dezembro de 2001, em meio a uma das mais graves crises econômicas e políticas que o país já enfrentou, Fernando de la Rúa começa a quebrar o silêncio.

Em uma entrevista ao repórter da BBC Mundo Max Seitz, o ex-presidente argumentou que foi vítima de um “golpe cívico” da oposição peronista e de parte de seu próprio partido, a União Cívica Radical, e que seu governo teria tido outro rumo se tivesse encontrado um panorama econômico internacional tão favorável quanto o verificado atualmente.

De la Rúa também acusa o Fundo Monetário Internacional pelos problemas que enfrentou no seu governo, dizendo que “queriam mandar a Argentina ao fundo do poço e conseguiram”.

O ex-presidente, que enfrenta um processo de corrupção na Justiça argentina, resolveu quebrar o silêncio que se auto-impôs desde sua saída do governo para lançar um livro no qual se defende das acusações e expõe sua visão sobre os fatos que levaram à sua queda.

Recessão e crise

Argentinos protestos contra o 'corralito' em 2001
Protestos populares levaram à renúncia de De la Rúa em 2001
De la Rúa argumenta que assumiu o governo, em dezembro de 1999, após dez anos de administração do peronista Carlos Menem, em uma situação de “recessão, crise social, desemprego e com a dívida externa mais alta da história”. “Foi uma luta para superar essa situação”, disse.

Para ele, um contexto internacional desfavorável reduziu suas possibilidades de sucesso. “O que me faltou foi ter mais sorte no contexto internacional. Se no meu governo tivesse havido os indicadores internacionais de hoje, eu teria seguido (no governo) e o país estaria feliz”, afirma.

De la Rúa renunciou ao cargo em dezembro de 2001, após 20 pessoas terem sido mortas na repressão aos protestos populares contra o governo.

Nos últimos meses de 2001, diante de rumores de quebra da economia do país e da desvalorização do peso, que tinha paridade com o dólar garantida por lei desde o início dos anos 1990, o governo argentino havia decretado o chamado ‘corralito’, que congelou os depósitos bancários e gerou os fortes protestos populares.

Questionado se considera necessário fazer uma autocrítica sobre sua atuação no governo, ele responde: “Você fala da crise de 2001, que na realidade é a crise de 2002. Foi aí que se produziu a desvalorização e a ‘pesificação’ assimétrica e a apropriação dos depósitos que ficou conhecido como ‘corralón’”, diz.

Segundo ele, “o ‘corralito não se apropriou de nada, foi um modo de enfrentar uma corrida bancária que era fruto de boatos”, diz.

Situação difícil

Fernando de la Rúa, ex-presidente da Argentina
De la Rúa diz que não tem mais aspirações políticas
Para De la Rúa, o fracasso de seu governo não foi resultado de sua incapacidade de governar. “Pelo contrário”, diz ele. “Tenho mais de 30 anos de atividade pública, ganhei todas as eleições em que concorri”, argumenta.

Segundo ele, o problema era que “era muito difícil a situação do país” quando assumiu a Presidência.

De la Rúa argumenta ter sido vítima de um grupo político que desejava interromper o seu governo para “subir ao poder rapidamente”. “O peronismo da Província de Buenos Aires trabalhou nesse sentido e teve alguns aliados em meu próprio partido que vinham ressentidos por diversos motivos”, diz.

O ex-governador de Buenos Aires e então senador peronista Eduardo Duhalde, que perdeu as eleições de 1999 para De la Rúa, acabou escolhido em 2002 para ocupar a Presidência interinamente até a realização de novas eleições, ocorridas em 2003.

Subornos

Ao falar das acusações de corrupção em seu governo, como no caso dos subornos a senadores para aprovar um projeto de lei trabalhista, em 2001, o ex-presidente diz que seu livro “traz provas de que foram operações políticas e de que não existiram de fato”.

Ao comentar o atual governo, do peronista Néstor Kirchner, De la Rúa diz que ele “se beneficia de um bom momento da economia mundial e regional”.

“No plano institucional, há muita concentração de poder e pouca liberdade de imprensa. E em relação ao seu modo de atuar, creio que incorporou muito da minha experiência para evitar desgostos”, diz.

De la Rúa garante que não tem mais aspirações políticas e afirma que não participará da campanha para a eleição presidencial do ano que vem nem apoiará Roberto Lavagna, o ex-ministro da Economia de Kirchner cuja candidatura deve ser lançada pela União Cívica Radical.

“Não estou em campanha. Não apoio Lavagna, nem o faço meu candidato. O que já expressei é a consideração devida a uma personalidade como Lavagna, que exerceu um papel tão bom e foi meu embaixador diante dos organismos internacionais”, afirma.

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