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Atualizado às: 16 de dezembro, 2003 - 03h36 GMT (01h36 Brasília)
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Estou à disposição da Justiça, diz De la Rúa

O ex-presidente argentino, Fernando de la Rúa
De la Rúa foi forçado a deixar o poder em dezembro de 2000

O ex-presidente da Argentina, Fernando de la Rúa, disse nesta segunda-feira as acusações de corrupção que vem enfrentando são obra de "canalhas".

"Estou à disposição da Justiça" disse o ex-presidente em um programa de televisão.

A Justiça argentina investiga se De la Rúa teve participação em um esquema em que seu governo teria pago US$ 5 milhoes em propinas a senadores.

As propinas teriam o objetivo de garantir a aprovação das reformas das leis trabalhistas, exigidas pelo Fundo Monetário Internacional. A legislação está em vigor, mas o governo não descarta que ela seja anulada.

Anulação

A aparição pública de De la Rúa foi a primeira desde que ele foi agredido por populares ao tentar votar nas eleiçoes de 2001.

Na sexta-feira à noite, o assessor legislativo Mario Pontaquarto acusou o ex-presidente De la Rúa de ter participado de uma reunião, na Casa Rosada, na qual teria sido definido o pagamento de propina aos senadores.

O pagamento, segundo Pontaquarto, teria sido realizado pela Secretaria de Inteligência do Estado (SIDE).

As denúncias atingem a senadores que já deixaram suas cadeiras no Senado e a dois governadores que acabam de ser eleitos - Jose Luis Gioja, da província de San Juan, e Carlos Verna, da província de La Pampa.

Para analistas argentinos, o caso - que já havia sido revelado, mas arquivado, em abril de 2000 - fortalece a imagem do atual governo, cuja bandeira é o combate à corrupção.

O presidente, Néstor Kirchner ,afirmou, durante uma visita ao Uruguai para a Reunião de presidentes do Mercosul, que o assunto é de responsabilidade da Justiça argentina.

Chacho

Os mesmos analistas entendem que o escândalo – agora com mais detalhes – também melhora a imagem do ex-vice-presidente de De la Rúa, Carlos Chacho Alvarez.

Chacho renunciou ao cargo em outubro de 2001, dizendo que o presidente não queria investigar aquela denúncia.

Na época, De la Rúa disse que tudo era mentira - que a reunião para definir o pagamento das propinas jamais existiu e que Chacho não deixou o cargo por causa da denúncia, mas porque queria mais poder em seu governo.

Caberá ao juiz federal Rodolfo Canicoba Corral definir o destino de De la Rúa.

"Desde que deixei a Presidência, não paro de ser convocado pela Justiça. Existem denúncias também cotnra o ex-presidente Eduardo Duhalde, mas ninguém faz nada", reclamou de la Rúa.

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