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'Argentina deve parar de buscar culpados', diz economista
É hora de a Argentina parar de procurar um culpado pelos erros do passado e olhar para frente. A opinião é do economista argentino Roberto Cachanosky, dono da consultoria que leva o seu nome. "Mas reconheço que não é tão simples, já que historicamente estamos revendo ou tentando corrigir o passado e não necessariamente o futuro", afirmou o economista em entrevista à BBC Brasil. Essa revisão diz respeito, na opinião do filósofo argentino Gregório Klimovsky, à correção do que considera as piores heranças econômicas deixadas pelos governos militares: o empobrecimento da população e a quebra da indústria. Já o presidente argentino, Néstor Kirchner, acusa o ex-presidente Carlos Menem e seu ministro da Economia, Domingo Cavallo, pelos males sociais enfrentados hoje pelo país. Indústria Klimovsky diz que, ao contrário do que foi feito no Brasil, a ditadura argentina não estimulou a indústria nacional. "No Brasil, os ditadores foram mais inteligentes. Aqui, temia-se que indústria forte seria sinal de sindicalismo forte", afirmou o filósofo, que é professor emérito da Universidade de Buenos Aires e integrante da Conadep (Comissão Nacional de Desaparecidos Políticos). "Resultado: trataram de destruir as já fragilizadas fábricas nacionais." Acusações à parte, embora tenham ideologias diferentes, Klimovsky e o ex-ministro da Economia do governo militar de Leopoldo Galtieri, o economista Roberto Aleman, concordam que o presidente Kirchner está no caminho certo. Para ambos, ele está adotando medidas "necessárias" para deixar para trás a pesada herança e tentar reerguer a indústria nacional do país – que em 20 anos de democracia, viu encolher 20% do seu Produto Interno Bruto (PIB). Retrocesso O que é certo é que os 37 milhões de argentinos vivem hoje um dos piores momentos sociais da história do país. De acordo com os dados oficiais, 57% da população vive na pobreza, e cerca de 2 milhões de argentinos estão desempregados – situação que parece estar começando a mudar com a volta do crescimento, que este ano deverá ser de 7%, e de cerca de 4,5% em 2004. Os dados da fase de empobrecimento contrastam com os indicadores do início do século 20, quando a riqueza da Argentina representava a metade do PIB da América Latina. O retrocesso econômico começou na crise de 1930. Daquela época até as eleições de outubro de 1983, o país teve 24 governos – 14 dos quais chegaram ao poder por meio de golpes de Estado ou por outro tipo de ação das Forças Armadas. "Politicamente, a Argentina está vivendo hoje seu mais longo período democrático, com 20 anos consecutivos de voto universal, secreto e obrigatório", ressaltou o cientista político Rosendo Fraga, do instituto de pesquisa de opinião Centro de Estudos União para a Nova Maioria. "Mas nestas duas décadas de democracia, somos o país cujo PIB mais retrocedeu sem estar em guerra", disse Fraga. Nos últimos 20 anos, os argentinos enfrentaram sucessivos e catastróficos planos econômicos, dois anos de hiperinflação (1988 e 1989), quatro anos de recessão (1998 a 2002) e a sua pior crise político-econômica em tempos de democracia (com a queda do ex-presidente Fernando de la Rúa, em dezembro de 2001). Para Klimovsky e para Aleman, no entanto, a situação tende a melhorar com o rumo que o atual governo está tomando. Alta rotatividade Entre outubro 1983 e outubro de 2003, a Argentina viveu dez anos de estabilidade econômica, mas com o custo da alta do desemprego e do aumento da dívida do país. Neste período, quatro presidentes eleitos assumiram a Casa Rosada – Raul Alfonsín, Carlos Menem, Fernando de la Rúa e Néstor Kirchner. Dois deles renunciaram ao cargo antes do fim do mandato – Alfonsín e De la Rúa. A saída do último levou a quatro presidentes interinos – Ramon Puerta, Eduardo Camaño, Adolfo Rodríguez Saá e Eduardo Duhalde. Cada um deles adotou um modelo econômico diferente. Alfonsín, primeiro presidente após a queda dos militares, foi mais nacionalista. Menem optou pela conversibilidade, atrelando o peso ao dólar para livrar o país da hiperinflação. De la Rúa manteve a conversibilidade, segundo muitos críticos, porque as pesquisas de opinião indicavam que era isso o que o país desejava. Rodríguez Saá declarou a maior moratória da dívida pública privada da história mundial. Já Duhalde impôs ao país a desvalorização do peso, encerrando o período de conversibilidade entre o peso e o dólar no país. |
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