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Atualizado às: 27 de julho, 2006 - 20h19 GMT (17h19 Brasília)
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Toledo recupera popularidade no fim do governo

Toledo e sua mulher, Eliane Karp
Toledo e sua mulher, Eliane Karp
O presidente do Peru, Alejando Toledo, deixa o cargo nesta sexta-feira com uma aprovação bem maior do que a que teve durante a maior parte dos seus cinco anos de governo.

De acordo com um levantamento do Instituto Apoyo, Toledo tem uma aprovação de 33% na média do país e de 48% na capital, Lima.

Outra pesquisa, da CPI, divulgada este semana, mostra que a aprovação ao governo do presidente Toledo subiu de 18,8% em janeiro para 47% agora, às vésperas de deixar o cargo.

Na maior parte do governo, ele teve uma aprovação em torno de 10%, com índices de apenas 7% nos piores momentos – inclusive na época da visita oficial do presidente Lula, em agosto de 2003.

Imagem pessoal

O "controle do terrorismo", a liberdade de expressão e as expectativas em relação ao futuro são os aspectos que mais melhoraram nos últimos anos, de acordo com as pesquisas.

Mas os peruanos acham que o país teve uma piora na redução da pobreza, no controle da corrupção, da violência e no desempenho do Poder Judiciário.

O Judiciário é aprovado por apenas 13% dos entrevistados, enquanto o Congresso satisfaz apenas 12% dos peruanos ouvidos na pesquisa.

Durante a maior parte de seu governo, a baixa popularidade de Toledo era creditada ao desgaste de sua imagem pessoal, com o envolvimento de parentes em suspeitas de corrupção, a antipatia dos peruanos por sua mulher, Eliane Karp, e também à inabilidade do governo em comunicar os bons indicadores macroeconômicos dos últimos anos.

Na avaliação de Luis Fernando Nunes Bertoldo, diretor do escritório do Peru da ONG americana Instituto Democrático Nacional para Assuntos Internacionais, a comunicação do governo melhorou nos últimos meses e as pessoas começaram a ver que a herança de Toledo tinha pontos positivos.

Nos últimos meses, o Peru assinou um Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos – que ainda precisa ser aprovado pelo Congresso americano para entrar em vigor – e o crescimento econômico se consolidou, puxado em grande parte por novos investimentos no setor de mineração, que por sua vez foram ajudados pela elevação dos preços internacionais desses produtos.

“As pessoas demoraram a entender este acordo, mas agora a maioria aprova”, diz Guillermo Loly, diretor de projetos do Instituto Apoyo.

Na pesquisa CPI, o acordo comercial com os Estados Unidos é aprovado por 60% dos peruanos.

Desemprego

Toledo também deixa o governo com indicadores econômicos de fazer inveja à maioria dos países latinoamericanos. A economia peruana cresceu 5,2% em 2004 e 6,4% no ano passado.

A previsão da Cepal, divulgada esta semana, estima um crescimento de 5% para a América Latina e de 5,8% para o Peru, enquanto o Brasil deve ter uma expansão por volta de 4%.

Mas o índice de desemprego na região metropolitana de Lima, que era de 9,7% em 2002, subiu para 10,3% no ano passado e somente este ano deve cair para 9,3%.

Nas ruas, as pessoas reclamam que o bom desempenho da economia não se converte em melhora do nível de renda e não é percebido no dia-a-dia das pessoas.

Futuro

Numa entrevista ao jornal El Comercio desta quinta-feira, Toledo diz que por enquanto não decidiu fazer oposição ao governo de Garcia, e se coloca à disposição do novo governo para fazer lobby em Washington para a aprovação do Tratado de Livre Comércio pelo Congresso americano.

“Desejo ao presidente Garcia muita sorte e se ele estou aqui”, afirmou.

O partido de Toledo, o Peru Posible, que não lançou candidato a presidente, conseguiu eleger apenas dois congressistas.

Ele disse que “depois de dormir por dias seguidos” após entregar o cargo, iria se dedicar a reconstruir o partido, viajar pelo mundo para dar palestras e receber os 42 títulos de doutor honoris causa que lhe foram oferecidos e criar uma fundação para tratar da interelação entre a pobreza e governabilidade democrática.

Toledo se despede com um jantar nesta quinta-feira à noite, no Palácio Presidencial, com a presença de oito presidente latinoamericanos, o príncipe Felipe de Borbón, da Espanha, e representantes de vários outros países, que participam no dia seguinte da posse do seu sucessor, Alan Garcia.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega de Brasília direto para o jantar, participa das solenidades de troca de governo no dia seguinte e embarca de volta para Brasília na sexta-feira após o almoço.

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