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Atualizado às: 27 de julho, 2006 - 17h08 GMT (14h08 Brasília)
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Para Lula, Tesouro deve bancar déficit da Previdência
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Entrevista foi a primeira exclusiva de Lula como candidato à reeleição
Em sua primeira entrevista exclusiva como candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou à rádio CBN, na manhã desta quinta-feira, que é responsabilidade do Tesouro Nacional arcar com o déficit da Previdência Social.

"O déficit da Previdência é um déficit do Estado brasileiro", disse Lula. "É um déficit que foi programado pela Constituição de 1988, que incluiu 6 milhões de trabalhadores rurais na Previdência Social."

"Essas pessoas passaram a ter um benefício. Se nós levássemos em conta apenas os trabalhadores que estão trabalhando e que pagam e recebem, a Previdência não teria o déficit que tem", acrescentou.

Na opinião do presidente, as mudanças no sistema previdenciário introduzidas pela Constituição de 1998 foram importantes porque criaram um instrumento de distribuição de renda.

"Isso deve ser motivo de orgulho para o Brasil porque não há nenhum país do mundo com um sistema de inclusão social como foi a inclusão dos trabalhadores rurais na Previdência Social", afirmou Lula.

Reforma

Durante o primeiro semestre de 2006, a Previdência Social acumulou um déficit de cerca de R$ 19 bilhões. O reajuste do salário mínimo para R$ 350 deve ter um impacto de R$ 5,3 bilhões nas contas da Previdência entre maio e dezembro.

Na entrevista à rádio CBN, Lula disse que o debate sobre a reforma do sistema previdenciário deve ocorrer sempre, e não apenas no próximo governo.

"A cada 15 anos, ou 20 anos, os governantes do mundo inteiro terão de pensar um novo modelo de Previdência Social", afirmou o presidente.

De acordo com Lula, o desafio do governo é "não jogar mais sacríficio nas costas dos trabalhadores" e tentar encontrar uma solução para "compatibilizar" os benefícios criados pela Constituição com a forma de arrecadação do Estado brasileiro.

O presidente também defendeu a atuação de seu governo no setor e destacou iniciativas como o recadastramento de aposentados e pensionistas junto ao INSS e os programas de geração de emprego.

"O crescimento do emprego, obviamente, vai permitir que a gente diminua o déficit da Previdência", disse Lula.

Corrupção

Na maior parte dos cerca de 30 minutos de entrevista, o presidente procurou valorizar os indicadores positivos de seu governo, principalmente na área econômica.

Questionado sobre as investigações que revelaram o escândalo da "máfia dos sanguessugas", que envolvia a compra de ambulâncias superfaturadas, Lula disse que os casos de corrupção só apareceram por causa da fiscalização do governo federal.

Ao comentar o assunto, o presidente também defendeu o sigilo nas investigações para "não espantar as andorinhas".

"No Brasil, muitas vezes, quando se começa uma investigação que vira manchete de jornal, os pássaros fazem uma revoada", afirmou o presidente. "Nós temos que fazer as coisas sigilosamente para, quando pegarmos, pegarmos a ninhada inteira."

Energia e juros

Lula disse ainda que, até 2008, o Brasil deixará de depender de outros países para garantir o abastecimento de energia no país.

O presidente descreveu como legítima a decisão do governo boliviano de nacionalizar suas reservas de recursos naturais, mas afirmou que o acordo de fornecimento de gás natural entre Brasil e Bolívia terá de ser cumprido.

"O acordo prevê que, de tempos em tempos, a gente discuta o reajuste do gás. Se, por acaso, eles quiserem estatizar a Petrobras, eles sabem que terão de pagar o preço", disse Lula.

Ao garantir que, se reeleito, manterá a política econômica do governo, o presidente também defendeu a redução gradual da taxa de juros.

De acordo com Lula, a economia do país vive uma situação de "total estabilidade" e, por isso, o governo não quer correr riscos.

"O time está ganhando e a perspectiva é o time dar goleada, e dar uma goleada boa porque as coisas estão sólidas", afirmou Lula.

"Algum tempo atrás, quando os Estados Unidos espirravam, nós pegávamos pneumonia. Hoje, os Estados Unidos espirram e nós falamos 'saúde'", acrescentou.

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